Efeito Chicote: O Que É, Como Funciona E Causas
Já aconteceu de sua empresa aumentar a produção porque os pedidos estavam em alta, e, logo depois, a demanda despencar, deixando o estoque lotado? Esse vai e vem nas quantidades de pedidos e estoques é o que chamamos de efeito chicote.
A P&G, por exemplo, percebeu o efeito chicote nas vendas das fraldas Pampers. Isto é, os pais compravam praticamente a mesma quantidade todo mês, mas os supermercados, com receio de faltar, aumentavam os pedidos.
Os distribuidores faziam o mesmo, e a fábrica acabava produzindo além do necessário. Quando a demanda caía, o estoque sobrava, gerando desperdício e prejuízo.
A boa notícia é que dá para evitar esse problema! Neste artigo, vamos falar sobre:
- O que é efeito chicote?
- Como o efeito chicote funciona?
- O que causa o efeito chicote?
- Como contornar o efeito chicote?
Quer saber mais? Continue conosco e fique por dentro do assunto!
O que é efeito chicote?
O efeito chicote acontece na cadeia de suprimentos quando pequenas mudanças nos pedidos resultam em grandes alterações na produção e no estoque dos fornecedores.
Assim, os estoques podem ficar cheios demais ou faltar produtos na hora errada. É como um jogo de telefone sem fio. Isto é, um pequeno ajuste na demanda vai sendo repassado ao longo da cadeia de suprimentos. Porém, cada etapa interpreta e amplia a informação de forma diferente.
Como o efeito chicote acontece?
Imagine que uma loja começa a vender mais um determinado produto e, com medo de ficar sem, faz um pedido maior para o distribuidor. O distribuidor, por precaução, aumenta ainda mais o pedido para a fábrica.
A fábrica, sem saber que esse crescimento foi pontual, dispara a produção. Quando a demanda volta ao normal, sobra estoque e os prejuízos aparecem. Ou seja, um pequeno aumento nas vendas faz a loja, o distribuidor e a fábrica se prepararem para algo maior do que realmente ocorreu.
Como o efeito chicote funciona?
Veja como o efeito chicote acontece na cadeia de suprimentos!
Previsões imprecisas
O fornecedor tenta ajustar seus estoques com base nas variações de demanda, mas sem saber exatamente o que está acontecendo no mercado. Isso pode fazer com que ele peça mais do que precisa ou não tenha o suficiente, criando um desequilíbrio na cadeia.
Capacidade de produção limitada
Às vezes, os modelos de previsão tratam a produção como se fosse ilimitada, mas na realidade, as empresas têm recursos e capacidades limitados. Isso costuma ocorrer por falta de recursos, maquinário ou mão de obra, por exemplo.
Logo, quando a demanda aumenta de repente, pode ser difícil acompanhar, o que gera mais problemas de estoque.
Sazonalidade desconsiderada
A demanda por produtos costuma mudar conforme a estação do ano ou datas especiais. Por exemplo, em uma loja de roupas, no inverno, as pessoas procuram mais casacos, enquanto no verão, preferem roupas mais leves, como camisetas e shorts.
Se esses padrões sazonais forem desconsiderados, o efeito chicote tende a piorar. O resultado tende a ser um estoque em excesso quando a demanda cai ou falta de produtos quando a demanda aumenta.
O que causa o efeito chicote?
Várias causas contribuem para o efeito chicote. São como gatilhos que começam a causar os problemas na cadeia de suprimentos. Vamos explorar as principais causas!
Processamento da previsão de demanda
Quando as previsões são feitas com base em dados imprecisos ou mal interpretados, o efeito chicote é quase garantido. Afinal, se o varejista espera uma demanda alta e faz um pedido maior do que o necessário, o fabricante responde aumentando a produção.
É como tenta adivinhar quantas pizzas pedir para uma festa com base na quantidade de pessoas, mas acabar pedindo demais ou de menos. Isso porque, você não tinha uma boa previsão dos gostos e apetites dos convidados, entende?
O jogo da escassez (ou racionamento)
Ao ter a impressão de que um produto será escasso, as empresas tendem a fazer pedidos maiores para não ficarem sem estoque. Isso é o “jogo da escassez”, onde todos tentam garantir a sua parte. O problema é que, uma vez atendido, os estoques sobem e ninguém mais faz novos pedidos, criando um efeito contrário.
O tamanho do pedido
Outro fator é o tamanho dos pedidos. Se os pedidos forem irregulares ou excessivos devido a descontos, ou custos de transporte, podem ocorrer flutuações nos estoques e na produção. Quanto maiores os pedidos, maiores as variações nos estoques e na produção.
Flutuações de preços
Mudanças no preço – como promoções ou descontos temporários – fazem os consumidores (e empresas) mudarem seus padrões de compra. Assim, se um produto entra em promoção, o vendedor tende a receber uma enxurrada de pedidos, levando a um aumento repentino na produção.
Como contornar o efeito chicote?
Existem maneiras de reduzir ou evitar o efeito chicote, e elas estão centradas principalmente em duas ações:
- compartilhar informações – manter uma comunicação clara e eficiente entre todos os envolvidos na cadeia de suprimentos;
- Alinhar estratégias – ter uma estratégia comum entre fornecedores, atacadistas e varejistas para evitar distorções nas previsões de demanda e no processamento de pedidos.
Com o uso de tecnologias, como softwares de gestão de inventário e planejamento de demanda, fica mais fácil reduzir esses efeitos. Afinal, ao ter visibilidade em tempo real das vendas e da demanda, as empresas podem tomar decisões mais informadas.
Curso de Planejamento da Demanda e Gestão 4.0
Conforme mencionado, o efeito chicote é um grande desafio para empresas, ainda mais quando se trata de controlar estoques e produção. Felizmente, com uma gestão eficiente, focada em compartilhar informações e alinhar estratégias, é possível minimizar esses impactos.Se você quer aplicar as melhores práticas de planejamento de demanda, se inscreva no Curso de Planejamento da Demanda e Gestão 4.0! Em tempos de mudanças rápidas e com a logística cada vez mais integrada na Gestão 4.0, conhecer os conceitos e ferramentas atuais é fundamental.