ERP + WMS = Excelência
Algumas das possíveis integrações de soluções logísticas que podem ser feitas com o objetivo de atender às necessidades específicas de um sistema logístico, e que não poderiam ser atendidas com a aplicação isolada das soluções.
ERP e WMS resolvem problemas diferentes e por isso costumam ser usados juntos. O ERP é o sistema de registro da empresa: mantém o saldo por item e por depósito, e responde por compras, faturamento, custo e financeiro. O WMS é o sistema de execução do armazém: mantém o saldo por endereço, lote e número de série, e dirige quem faz o quê no corredor. Quando os dois estão integrados, a expedição registrada no armazém vira nota fiscal sem redigitação, e a compra aprovada no ERP chega ao recebimento já com a expectativa do que vai entrar.
A integração falha quase sempre pelo mesmo motivo, e ele não é técnico: falta decidir quem é o dono do saldo. Se os dois sistemas podem alterar a mesma quantidade por caminhos diferentes, um ajuste manual no ERP e uma contagem no WMS produzem dois números verdadeiros e incompatíveis. A regra que sustenta o projeto é simples de escrever e difícil de negociar: dentro do armazém, o saldo é do WMS, e o ERP recebe o movimento; fora dele, o ERP manda. Definir isso antes de contratar vale mais do que qualquer comparativo de funcionalidade.
Porém, observa-se que ainda há muito desconhecimento sobre as possíveis alternativas de soluções oferecidas pelo mercado, bem como de suas funcionalidades e características específicas. E se essa falta de conhecimento é uma realidade, pode-se imaginar qual não é o impacto sobre as possíveis combinações destas soluções.
Integrando soluções logísticas, o potencial de desenvolvimento de novos sistemas cresce significativamente, e neste contexto é que serão exploradas o que chamamos de soluções integradas, como: Kanban + MRP, Código de Barras + Radiofreqüência, Pessoas + Sistemas, Estruturas Porta-Paletes de Trânsito Interno + Estruturas Porta-Paletes do tipo “Push-Back”, entre outros.
A integração destas soluções, além de possibilitar novos sistemas logísticos, quebra o paradigma de que soluções diferentes são concorrentes, e não complementares.
Vamos explorar a integração de um ERP (“Enterprise Resource Planning”, Planejamento dos Recursos do Negócio) com um WMS (“Warehouse Management System”, Sistema de Gerenciamento de Armazém).
ERP (Enterprise Resource Planning)
Muitas empresas, com o intuito de integrar os processos de negócio, através de uma base de dados única e centralizada, investem nos Sistemas de Gestão Integrada, os ERPs. Integrando os processos logísticos, financeiros, de produção, de administração de RH e de contabilidade, entre outros, as empresas ganham em velocidade e acuracidade de informação para um adequado gerenciamento de seus recursos.
Portanto, o ERP integra todas as transações de uma empresa em um banco de dados único e disponibiliza a mesma, instantaneamente, para todas as áreas da organização.
Desta forma, muitos imaginam que quando adquirem um ERP, estão comprando um pacote completo que irá agir em todas as áreas da organização e que todos os investimentos em softwares já estão sendo feitos com a aquisição da solução ERP.
WMS (Warehouse Management System)
Mas e o WMS? Não faz parte do ERP? Quando investimos em uma solução ERP já não consideramos a implementação de todos os módulos necessários e suficientes para a gestão dos recursos dos negócios, inclusive o WMS?
O WMS é uma solução desenvolvida para gerenciar operacionalmente todas as atividades de um armazém ou áreas de armazenagem, como: seqüência de atividades operacionais em um armazém, processo de inventário, recebimento de materiais, separação de pedidos, transferências de estoque, controle PEPS, Primeiro que Entra é o Primeiro que Sai, etc.
Qualquer empresa pode implementar uma solução WMS, Sistema de Gerenciamento de Armazéns, independentemente de possuir ou não um Sistema de Gestão Integrada (ERP), porém é necessário que se faça uma análise criteriosa e se identifiquem os requisitos obrigatórios da solução esperada.
As empresas que adquiriram uma solução ERP, pensando que com ela já receberiam todo um sistema de gestão de armazéns, se enganaram em muitos casos.
Muitos ERPs só gerenciam entradas, saídas e saldos dos produtos em estoque e claro que estas movimentações são totalmente integradas com outros módulos, por meio de um mesmo banco de dados que permite a distribuição da informação em tempo real, tão logo acontece a movimentação.
Mas um WMS é muito mais que isso. Além de controlar tais informações, uma solução WMS pode gerenciar o processo desde a portaria quando da chegada de um veículo, gerenciar o pátio de veículos, identificar a entrada no estoque, controlar um mesmo item em mais de um local no mesmo estoque, ou em estoques diferentes, apoiar o processo de inventário geral e rotativo, monitorar os recursos operacionais (empilhadeiras, pessoas, etc.), apontar produtividade operacional, possibilitar uma rota de separação inteligente, entre inúmeras outras funcionalidades que não vem necessariamente acompanhando os pacotes de ERP.
Conclusão
Desta forma, em função das necessidades de cada negócio, se torna muito interessante e viável a integração da solução ERP com a solução WMS e, desta forma, as acuracidades das informações dos estoques e a possibilidade da informação em tempo real para rastreamento de um determinado pedido, além das informações gerenciais que podem ser fornecidas pela solução WMS, incrementam a tecnologia da informação utilizada pela empresa.
Importante salientar que toda integração do WMS com o ERP deve ser avaliada em relação à sua viabilidade técnica e econômica, pois, em muitos casos, o simples controle de entradas e saídas de estoque, bem como a informação sobre localização que existe no cadastro dos itens no ERP, pode ser suficiente para a empresa atender aos seus clientes de forma adequada e manter a produtividade em um nível elevado.
Portanto, não se deve fazer esta integração em função de outras empresas estarem fazendo. Deve-se avaliar com cuidado a viabilidade técnica e econômica da mesma.
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O ERP é o sistema de registro da empresa: mantém saldo por item e depósito e responde por compras, faturamento, custo e financeiro. O WMS é o sistema de execução do armazém: mantém saldo por endereço, lote e número de série e dirige a tarefa do operador. Um responde quanto existe, o outro responde onde está e em que ordem fazer.
Não, quando a operação depende de endereço e de rota. O módulo de estoque do ERP controla quantidade por depósito, e isso basta enquanto há poucos itens em poucas posições. Quando a separação passa a depender de sequência de coleta, de controle por lote ou validade e de conferência na expedição, falta ao ERP a granularidade e a lógica de tarefa que o WMS tem.
Dentro do armazém, o WMS, com o ERP recebendo o movimento; fora dele, o ERP. Essa regra precisa estar escrita antes da contratação. Sem ela, um ajuste manual no ERP e uma contagem no WMS produzem dois números igualmente verdadeiros e incompatíveis, e a operação passa a discutir qual relatório está certo em vez de corrigir o processo.
O ERP é a evolução do MRP II (Manufacturing Resource Planning), surgido nos anos 1980 para coordenar as áreas da manufatura e programar a produção. O termo Enterprise Resource Planning foi cunhado pela consultoria Gartner em 1990, para marcar que a tecnologia já não servia apenas à indústria e passava a alcançar a empresa inteira, com contabilidade, finanças e vendas.
Da expedição conferida. Essa é uma das cinco definições de contorno da integração, porque ela decide qual sistema dispara o documento. Com o gatilho no pedido, o ERP emite antes de a carga existir fisicamente e assume que o que foi vendido é o que vai embarcar. Com o gatilho na conferência, o WMS devolve ao ERP o item, o lote e a quantidade realmente separados, e o documento nasce do que existe. A segunda opção exige que essa devolução esteja no escopo do projeto de integração, e é por isso que a decisão precisa ser tomada antes da contratação, e não na implantação.
Sim, e é o cenário mais comum. O que decide o sucesso não é serem do mesmo fabricante, e sim as cinco definições de contorno: dono do saldo, momento da troca de dados, código único do item, tratamento da divergência e origem do documento fiscal. Integração entre sistemas do mesmo fornecedor sem essas definições falha do mesmo jeito.
A sobreposição de escopo entre os dois sistemas tem explicação histórica. O ERP não nasceu como sistema de gestão integrada: ele é a evolução do MRP II (Manufacturing Resource Planning), que surgiu nos anos 1980 para coordenar as áreas envolvidas na manufatura e programar a produção. Foi a consultoria Gartner que cunhou o termo Enterprise Resource Planning em 1990, justamente para marcar que aquela tecnologia já não servia só à indústria e passava a alcançar a empresa inteira, incluindo contabilidade, finanças e vendas. Ou seja: o ERP cresceu de dentro da produção para fora, e por isso trouxe consigo o controle de estoque. O WMS veio pelo lado oposto, do chão do armazém, resolvendo endereço, rota e conferência. As duas trajetórias se encontram exatamente no saldo, que é onde a integração precisa de regra.
As cinco decisões que fazem a integração funcionar
| Decisão | Pergunta que precisa de resposta escrita | Escolha usual | Sintoma de que não foi decidida |
|---|---|---|---|
| Dono do saldo | Quem pode alterar quantidade dentro do armazém? | O WMS, com o ERP recebendo o movimento | Dois relatórios corretos com números diferentes |
| Momento da integração | O dado passa em tempo real ou por lote? | Tempo real na expedição, lote no inventário | Nota emitida antes de o item sair do endereço |
| Chave do item | ERP e WMS chamam o item pelo mesmo código? | Código único, com a embalagem como atributo | Tabela de e para mantida à mão |
| Tratamento da divergência | O que acontece quando os dois discordam? | Bloqueia o endereço e gera contagem | Alguém ajusta pelo sistema mais fácil |
| Documento fiscal | A nota nasce do pedido ou da expedição real? | Da expedição conferida | Divergência entre o que foi faturado e o que embarcou |
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