Filosofia Lean: história, metodologia e resultados esperados
Filosofia Lean em resumo: A filosofia Lean prega, em todos os níveis da organização, a eliminação contínua e sistemática das perdas, ou seja, das atividades que não agregam valor ao cliente. Ela nasceu no Sistema Toyota de Produção, chegou ao Brasil nos anos 1980 como produção JIT e depende do envolvimento de todos, do porteiro ao presidente.
A filosofia Lean tem origem no Japão do pós-guerra. O país ainda era muito fechado quando o então gerente de produção de uma montadora japonesa foi enviado aos Estados Unidos para adquirir conhecimento das principais indústrias automobilísticas. Porém, sua maior preocupação eram as diferenças culturais, educacionais e financeiras entre o Japão, perdedor da guerra, e os Estados Unidos, o vencedor.
Como nasceu a filosofia Lean
Foi visitando um supermercado nos Estados Unidos que ele aprendeu o conceito que seria o ponto de partida do Sistema Toyota de Produção (STP): o kanban, ou produção puxada pela demanda. Isso porque, ao contrário de outros ensinamentos, esse conceito podia ser entendido por todos na empresa e difundido rapidamente, do porteiro ao presidente.
Em seguida, vieram vários anos de desenvolvimento do sistema, dentro da empresa e junto aos fornecedores, com grande firmeza de propósito e disciplina. Assim, no início da década de 1980, já ficava em evidência o chamado milagre japonês. Ou seja, os produtos japoneses, vistos como cópias de baixa qualidade nas décadas de 1960 e 1970, passaram a ser reconhecidos pela altíssima confiabilidade e pelos preços competitivos.

A filosofia Lean no Brasil
No início da década de 1980, a IMAM Consultoria trouxe para o Brasil, com o aval do criador do kanban de manufatura, o conceito do STP com o nome de Produção JIT (just-in-time). A partir daí, iniciou uma grande divulgação na indústria brasileira, com implementações em diferentes segmentos e portes de empresa. No entanto, houve forte resistência, principalmente nas grandes montadoras americanas e alemãs.
A partir de meados da década de 1990, o mercado americano adotou o sistema sob a marca Lean. Nesse caso, a tradução, enxuta, remete ao enxugamento de todas as perdas da empresa, que se concentram nos estoques. Depois disso, o conceito se popularizou pelo mundo e virou estratégia de negócios em quase todos os grandes fabricantes.
O que a filosofia Lean prega
Por trás do sistema Lean existe uma filosofia organizacional. Em primeiro lugar, ela prega, em todos os níveis, a eliminação contínua e sistemática das mudas, ou seja, das perdas. Em outras palavras, são as atividades que não agregam valor aos produtos e serviços prestados aos clientes.
Essas atividades podem representar até 99% do lead time, o tempo do início ao fim de um processo. Além de somarem custo, elas atrasam a entrega e o atendimento ao cliente. Portanto, reduzi-las é hoje uma enorme vantagem competitiva.
As ferramentas da filosofia Lean
O Lean tem um arsenal de ferramentas que devem ser analisadas, priorizadas e adaptadas a cada processo. Além disso, conforme a área, a filosofia ganha nomes diferentes: lean manufacturing, lean logistics ou distribution e lean office. Entre as ferramentas, destacam-se:
- VSM, para mapear e medir as perdas no processo;
- housekeeping (5S), que organiza, padroniza e limpa os locais de trabalho e abre caminho para a autodisciplina;
- MPT (manutenção produtiva total), que melhora a confiabilidade dos equipamentos;
- kanban, que controla o fluxo de materiais e de produção no chão de fábrica;
- células de manufatura, que criam um fluxo contínuo de produção;
- SMED (troca rápida de ferramentas), que viabiliza pequenos lotes ao reduzir o setup;
- poka-yoke, que aumenta a confiabilidade dos processos com qualidade na fonte;
- jidoka, que dá autonomia a qualquer colaborador para parar a produção diante de uma não conformidade;
- kaizen, talvez a mais importante, que combate a principal perda, a não utilização do talento e da criatividade das pessoas.
Metodologia em 8 passos
A metodologia da IMAM Consultoria vem sendo melhorada há mais de 20 anos, segundo o artigo. Em resumo, ela segue estes pontos:
- Sensibilização da diretoria e dos gerentes.
- Diagnóstico da organização.
- Indicação das ferramentas.
- Estruturação do projeto, com comitês.
- Capacitação dos comitês.
- Escolha, planejamento, preparação e implementação em um processo piloto.
- Avaliação, auditoria e kaizens no processo piloto.
- Roll out, ou seja, a transmissão para as demais áreas da empresa.
Resultados esperados da filosofia Lean
| Indicador | Resultado esperado |
|---|---|
| Lead time | Redução de até 80% |
| Estoques | Redução de até 70% |
| Área | Ganho de até 50% |
| Produtividade | Aumento de até 50% |
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
A filosofia Lean depende da conscientização, do envolvimento e do comprometimento das pessoas. Além disso, ela deve nascer de cima para baixo e redesenhar os indicadores tradicionais, deixando de lado o custo unitário e a eficiência localizada. Por fim, a implementação pede gestão de projetos, sem atalhos, e a participação de todos, do presidente ao porteiro.
Conteúdos complementares recomendados
- Sistema Toyota de Produção: A origem do pensamento Lean.
- True Lean: não é o que você pensa: Uma leitura crítica do que é Lean.
- Kanban: A ferramenta que deu início ao sistema.
