Reduzir estoque pode aumentar o risco
Reduzir estoque pode melhorar o capital de giro e liberar espaço. Mas, quando o corte é linear, a economia aparente pode aumentar o risco da empresa.
Nem todos os materiais têm o mesmo comportamento. Alguns possuem lead time longo, poucos fornecedores, alta variabilidade de demanda ou impacto direto na continuidade da produção. Reduzir esses itens apenas para atingir uma meta financeira pode gerar rupturas, atrasos, compras emergenciais e perda de clientes.
No conselho, a discussão precisa ir além do valor total do estoque. Quais itens são críticos? Onde existe concentração de fornecedores? Quanto tempo a operação suporta uma falta? O nível de proteção está baseado em dados ou apenas em percepções?
Também é necessário observar a origem do excesso. Estoque alto pode esconder previsões ruins, lotes inadequados, baixa confiabilidade de fornecedores e falta de integração entre compras, produção e vendas. Cortá-lo sem corrigir essas causas apenas transfere o problema para a operação.
A decisão mais segura é segmentar os materiais por criticidade, risco e impacto econômico. Assim, a empresa reduz excessos onde há margem e preserva proteção onde uma ruptura custaria muito mais.
Estoque deve proteger o negócio sem imobilizar caixa desnecessariamente. Encontrar esse equilíbrio é uma decisão estratégica.
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Autor: Reinaldo A. Moura – Engenheiro industrial com mais de 60 anos de experiência, é fundador do Grupo IMAM (1979) e atual conselheiro. Pioneiro na introdução de conceitos como Intralogística, Kanban, 5S e Lean no Brasil, atuou em mais de 100 empresas com treinamento e assessoria. Diretor técnico das Missões de Estudo da IMAM ao Exterior, é também publisher da Revista LOGÍSTICA desde 1980, atual conselheiro da INTRA-LOG Expo & Fórum. Possui formação pela FEI e mestrado pela Poli-USP, além de ter lecionado em instituições como FEI, Mackenzie e Mauá. Autor de diversos livros.

