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Desenvolvimento Organizacional

Workforce Augmentation avança no Brasil e coloca o RH no centro do redesenho do trabalho humano

Por Eduardo Banzato em 5 de setembro de 2026
Educação Corporativa: do treinamento à competência aplicada
15 minutos para ler
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A IA, robótica, automação e as tecnologias assistivas começam a mudar a divisão de tarefas entre pessoas e máquinas. Este movimento abre para Recursos Humanos uma nova agenda de competências, produtividade e desenho organizacional.

São Paulo, 03 de setembro de 2026 – A discussão sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho brasileiro começa a avançar para além da pergunta sobre quantos empregos poderão ser substituídos pela tecnologia. À medida que IA generativa, agentes inteligentes, robótica, automação e sistemas de apoio à decisão chegam a diferentes atividades profissionais, ganha relevância outra questão: como usar essas tecnologias para ampliar a capacidade das pessoas e redesenhar o trabalho dentro das organizações?

É nesse contexto que ganha cada vez mais espaço o conceito de Workforce Augmentation ou força de trabalho aumentada, abordagem que combina capacidades humanas e recursos tecnológicos para elevar a produtividade, a qualidade, a segurança, a velocidade e a capacidade de decisão.

A lógica não pressupõe simplesmente trocar pessoas por máquinas. O ponto central é identificar quais partes do trabalho podem ser automatizadas ou apoiadas tecnologicamente e quais continuam dependendo de criatividade, julgamento, experiência, relacionamento humano, supervisão ou ainda capacidade de lidar com exceções.

No Brasil, há sinais recentes de que essa transformação está se acelerando. O Barômetro de Empregos de IA 2026, da PwC, mostra que a participação das vagas brasileiras que exigem competências em inteligência artificial saltou de 1,1% para 3,6% entre 2024 e 2025, o equivalente a quase 119 mil novas oportunidades.

Ao mesmo tempo, quase 30 milhões de trabalhadores brasileiros, ou 29,6% da população ocupada, estavam em profissões com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre de 2025, segundo estudo do FGV IBRE baseado na Pnad Contínua.

Os números ajudam a explicar por que a discussão começa a migrar da simples adoção tecnológica para algo mais complexo: o desenho de uma força de trabalho em que pessoas e tecnologias passam a produzir juntas.

Da automação de tarefas à ampliação da capacidade humana

A automação não é um fenômeno novo. Há muitas décadas as empresas já utilizam máquinas, sistemas e equipamentos para substituir atividades repetitivas, reduzir esforço físico, aumentar a velocidade das operações e eliminar etapas manuais.

O que muda nesta atual geração tecnológica é a amplitude dessa transformação.

Sistemas de inteligência artificial passaram a apoiar a análise de informações, a programação, o atendimento, e até o planejamento e a tomada de decisão.

Os agentes de IA, hoje, são mais acessíveis aos profissionais e começam a executar sequências completas de tarefas.

Em ambientes industriais e logísticos, por exemplo: observam-se robôs móveis autônomos, robôs colaborativos, visão computacional, sensores, sistemas automatizados de armazenagem e dispositivos digitais… todos eles ampliando a capacidade operacional das equipes.

“Durante décadas, a automação foi associada principalmente à substituição de atividades manuais e repetitivas. O que estamos vendo agora é uma evolução desse processo. As novas tecnologias não apenas automatizam tarefas, mas passam a ampliar a capacidade de análise, decisão e execução das pessoas. O conceito de Workforce Augmentation representa justamente essa mudança de perspectiva: não se trata apenas de substituir trabalho humano, mas de redesenhar a forma como pessoas e tecnologia atuam juntas”, afirma Eduardo Banzato, embaixador da INTRA-LOG Expo e diretor do Instituto IMAM, organização que há 47 anos atua com otimização e automação de processos.

Isto se desdobra em 3 situações: uma determinada tarefa pode desaparecer completamente. Outra pode passar a ser realizada pela máquina sob supervisão humana. E, em uma terceira situação, a tecnologia pode acelerar uma atividade sem retirar do profissional sua responsabilidade pela decisão.

Curso Workforce Augmentation
Curso Workforce Augmentation

Essa diferença é fundamental para entender o Workforce Augmentation: o objeto da transformação deixa de ser o emprego inteiro e passa a ser cada conjunto de tarefas que compõe uma determinada função.

Novas tecnologias também aumentam o valor das competências humanas

Um aspecto importante dessa mudança é que maior exposição tecnológica não significa necessariamente menor importância das pessoas.

A PwC identificou, em uma de suas pesquisas, que as novas tarefas incorporadas às funções mais expostas à inteligência artificial têm 2,5 vezes mais probabilidade de exigir competências como empatia, julgamento e criatividade. Também constatou que empresas mundialmente mais expostas à IA vêm registrando crescimento maior de produtividade e de seus quadros de pessoal.

Isso reforça uma das hipóteses centrais do Workforce Augmentation: quanto mais algumas atividades podem ser executadas pela tecnologia, maior pode se tornar o valor relativo das capacidades especificamente humanas que complementam esses sistemas.

Não significa, contudo, que todos os empregos serão preservados.

Há atividades com maior potencial de substituição e os impactos tendem a variar de acordo com ocupação, formação, idade, setor econômico e capacidade de complementaridade entre profissional e tecnologia.

O cenário, portanto, não é simplesmente de substituição ou de ampliação. Os dois fenômenos podem ocorrer simultaneamente. Além disso, é possível o cenário de INCLUSÃO… que pode ser melhor compreendida no artigo “Automação Inclusiva – o futuro do trabalho”, de Eduardo Banzato.

RH deixa de administrar apenas cargos e passa a redesenhar tarefas

É justamente nessa zona de transformação que surge uma nova oportunidade para Recursos Humanos.

Workforce Augmentation - o papel do RH na realidade da Inteligência Artificial e Humana
Workforce Augmentation – o papel do RH na realidade da Inteligência Artificial e Humana

Historicamente, muitas decisões sobre automação começam nas áreas de tecnologia, engenharia ou operações. Recursos Humanos costuma ser envolvido posteriormente, quando as consequências já chegam ao dimensionamento de equipes, contratação ou treinamento.

O avanço do Workforce Augmentation permite uma lógica diferente.

Antes de decidir qual tecnologia implantar, as organizações podem precisar compreender como o trabalho realmente acontece: quais tarefas consomem tempo, quais dependem de experiência, quais representam esforço ou risco, onde estão os gargalos e em quais atividades uma tecnologia pode ampliar a capacidade do profissional.

Isso exige passar de uma visão baseada exclusivamente em cargos para outra baseada também em tarefas e competências.

Um mesmo profissional pode realizar, ao longo do dia, uma atividade facilmente automatizável, outra que pode ser acelerada por inteligência artificial e uma terceira que depende profundamente de relacionamento, negociação ou julgamento.

“O avanço do Workforce Augmentation cria uma oportunidade importante para Recursos Humanos. Se antes a área recebia os impactos da automação depois que as decisões tecnológicas já haviam sido tomadas, agora ela pode participar desde o início do desenho do trabalho. O desafio passa a ser entender quais tarefas podem ser ampliadas pela tecnologia, quais competências precisam ser desenvolvidas e como preparar as pessoas para trabalhar de forma produtiva e responsável com esses novos recursos. E este é exatamente o trabalho de apoio realizado pelo time IMAM”, destaca Banzato.

Essa mudança pode levar RH para muito mais perto da estratégia operacional.

Se uma ferramenta reduz em 50% o tempo utilizado na preparação de um relatório, por exemplo, a discussão não deveria terminar no ganho de produtividade. A organização precisa decidir o que o profissional fará com o tempo liberado.

Análise? Atendimento ao cliente? Melhoria de processos? Inovação? Supervisão dos resultados da própria IA?

É nessa resposta que pode estar a diferença entre simplesmente automatizar uma atividade e efetivamente ampliar a capacidade da organização.

Sete oportunidades para Recursos Humanos

Sete oportunidades para Recursos Humanos via Workforce Augmentation
Sete oportunidades para Recursos Humanos via Workforce Augmentation

Segundo o Instituto IMAM, que desenvolve projetos técnicos e educacionais nas áreas de Supply Chain, Logística, Intralogística, Excelência Operacional e Manufatura desde 1979, a aceleração do Workforce Augmentation abre para Recursos Humanos sete oportunidades:

A primeira oportunidade está no mapeamento de tarefas e competências. As empresas precisarão conhecer mais profundamente o conteúdo real de cada função e identificar quais atividades podem ser automatizadas, assistidas, redesenhadas ou mantidas ainda sob domínio humano.

A segunda é o redesenho das funções. Uma profissão pode continuar existindo mesmo que parte relevante das atividades que historicamente a compunham deixe de existir. Outras responsabilidades podem surgir em seu lugar.

A terceira está em reskilling e upskilling contínuos. Se as competências das ocupações mais expostas à IA estão mudando rapidamente, mais de duas vezes, capacitação deixa de ser uma intervenção ocasional e passa a constituir parte da própria infraestrutura do trabalho.

A quarta oportunidade é a gestão da produtividade aumentada. O desempenho de um profissional poderá depender cada vez mais não apenas do que ele consegue realizar individualmente, mas da capacidade de combinar seu conhecimento com IA, automação, dados e outras ferramentas, o que também envolve orquestração.

A quinta está na automação inclusiva. Milhares de profissionais que sem a tecnologia, automação e robótica não tinham oportunidades para agregar valor, agora com a ampliação da sua capacidade, podem retornar ao trabalho de forma digna e também competitiva.

A sexta é a governança da relação entre humanos e tecnologia. RH poderá participar, ao lado de TI, jurídico, compliance, engenharia e operações, da definição de limites para automação, supervisão humana, privacidade, vieses, segurança e responsabilidade pelas decisões tomadas com apoio tecnológico.

E a sétima oportunidade é a própria inteligência artificial. Explorar as seis oportunidades anteriores pode ser realizada com excelência se a área de RH se desenvolver e tiver o apoio da IA em seus processos.

O time IMAM, ao longo dos últimos 47 anos, acompanhou esta transformação onde, na década de 1980, observava a área de RH com ênfase na contratação de treinamentos pontuais para cumprir metas, principalmente relacionadas às horas de treinamento. Mas o papel hoje é muito mais estratégico e as novas oportunidades demandam uma cocriação do “novo” trabalho junto às áreas de competências.

Na intralogística, a força de trabalho aumentada pode ser vista na prática

Embora a recente popularização da IA tenha levado o debate sobre Workforce Augmentation para escritórios e atividades cognitivas, a combinação entre capacidade humana e tecnologia pode ser observada também, de maneira concreta, nas operações de Supply Chain, Logística e Intralogística.

Veículos autônomos podem transportar materiais enquanto operadores permanecem responsáveis por atividades que exigem julgamento ou manipulação específica. Tecnologias de picking (separação) podem orientar profissionais e reduzir erros. Sistemas de visão computacional podem identificar ocorrências para que pessoas atuem sobre as exceções. Equipamentos automatizados podem reduzir o esforço físico ou exposição a riscos, bem como inserir profissionais no mercado de trabalho. Sistemas inteligentes podem processar grandes volumes de informações enquanto gestores tomam a decisão final.

O princípio é semelhante: retirar da pessoa aquilo que a tecnologia pode executar melhor e ampliar aquilo em que a contribuição humana gera mais valor.

Esse movimento estará particularmente visível em uma oportunidade anual única no mercado: INTRA-LOG Expo South America 2026. A 3a edição, a maior da América Latina, reunirá tecnologias de movimentação, automação, robótica, AGVs, AMRs, drones, sensores, TI e wearables. A feira conta com centenas de expositores e marcas nacionais e internacionais.

A robótica terá presença especialmente relevante: empresas desse segmento já representam cerca de 30% dos expositores, segundo a organização. Entre os nomes confirmados para discussões sobre aplicações, tendências e desafios da robótica aparecem KUKA, LIBIAO e Geek+, que estarão presentes no Robotics & Automation Summit, dedicado à robótica, automação industrial e tecnologias avançadas aplicadas à logística e à manufatura, além de uma Arena Tech com demonstrações de equipamentos e tecnologias.

Mais do que demonstrar máquinas trabalhando de forma isolada, esse tipo de ambiente pode oferecer aos gestores a oportunidade de observar como diferentes tecnologias modificam a atividade das pessoas que trabalham ao redor delas.

Essa talvez seja uma das maneiras mais objetivas de analisar Workforce Augmentation: não perguntar apenas “o que esta tecnologia faz?”, mas também “o que passa a fazer a pessoa depois que esta tecnologia entra no processo?”

Não serão poucos os profissionais de RH e de operações que visitarão o evento deste ano, pois já fica claro que a transformação será cada vez mais tecnológica e humana.

Casos reais separam conceitos de promessas

Outro desafio para o avanço do Workforce Augmentation é evitar que o conceito se transforme apenas em uma nova terminologia para tecnologias já existentes.

Resultados concretos já existem e são fundamentais:

Na edição de 2026, o Fórum Internacional INTRALOG terá uma iniciativa voltada justamente à apresentação de cases de sucesso implantados: o INTRA-LOG Smart Solutions Honors, com homenagens aos executivos que lideram os principais cases relacionados a automação, inteligência artificial, robótica, transformação digital, eficiência operacional, segurança e ergonomia.

Banzato, que também é embaixador da INTRA-LOG Expo, participa do time de curadoria do Instituto IMAM, responsável pela iniciativa.

Inúmeros casos de transformação corporativa, por meio do planejamento, lean, intralogística e automação serão vistos no Fórum INTRA-LOG, como:

  • Ale Costa — CEO, Cacau Show
  • Adeon Pereira — Diretor de Logística, Cacau Show
  • Sérgio Cavalheiro — Supply Chain Operation Director, CNH Industrial
  • Márcio Chammas — CEO, Magalog
  • Rodrigo Fumo — Vice-presidente, WEG Industrial Motors
  • Luís Marinho — Vice-Presidente Executivo de Operações, Embraer
  • Márcio Guimarães — Diretor, Unique Commodities
  • Jonathan Valério — Diretor, Magna Logistics
  • Fernando Kozel Varella — Vice-Presidente Digital, RD Saúde
  • Fernando Suzigan — Presidente, Fitas Progresso
  • Denise Leal — Diretora de Qualidade, Supply Chain e Inovação, Natura&Co
  • Felipe Moraes — Diretor Executivo de Supply Chain, Amazon
  • Fabíola D’Andrea — Diretora de Gente e Gestão, Montekali
  • Claudio Lorenzetti — Diretor Institucional, Lorenzetti.

Automatizar não basta: é preciso decidir para que ampliar

O avanço do Workforce Augmentation traz uma questão que tende a ganhar importância nas organizações e o RH tende a ser um interlocutor estratégico neste momento.

Comprar tecnologia é relativamente simples e objetivo. Redesenhar o trabalho é muito mais complexo.

Uma empresa pode implantar IA para produzir mais com o mesmo número de pessoas. Pode utilizá-la para reduzir sua força de trabalho. Pode empregar a mesma tecnologia para liberar profissionais de atividades operacionais e de risco e ampliar sua capacidade de criação, análise ou relacionamento.

Por isso, as decisões sobre Workforce Augmentation dificilmente ficarão restritas às áreas de tecnologia.

Operações precisarão entender de processos. TI, arquitetura e integração, jurídico e compliance, riscos e responsabilidades. A liderança precisará definir prioridades.

E Recursos Humanos terá de responder a uma pergunta que pode se tornar central na transformação tecnológica das empresas:

Que trabalho queremos que as pessoas realizem quando a tecnologia puder fazer parte efetiva daquilo que elas fazem hoje?

Se durante décadas, uma das missões do RH foi encontrar pessoas para cargos previamente desenhados, a próxima etapa pode exigir uma lógica diferente: compreender quais atividades precisam existir, quais capacidades humanas geram valor e onde tecnologia pode ampliar essas capacidades.

Nesse cenário, RH deixa de atuar apenas sobre a força de trabalho que a organização possui.

Passa a participar do desenho da força de trabalho aumentada que a empresa pretende construir.

Resenhando o trabalho
Resenhando o trabalho

Serviço | INTRA-LOG Expo South America 2026

A INTRA-LOG Expo South America 2026 será realizada de 15 a 17 de setembro de 2026, das 10h às 18h, no Pavilhão Azul do Expo Center Norte, em São Paulo. O evento é dedicado à intralogística e automação e reúne soluções de movimentação, armazenagem, robótica, sistemas automatizados, tecnologia da informação e outras aplicações para operações logísticas. O credenciamento para visitação é gratuito.

Data: 15 a 17 de setembro de 2026 Horário da feira: 10h às 18h Local: Expo Center Norte – Pavilhão Azul – São Paulo/SP Credenciamento gratuito por meio do acesso disponibilizado por Eduardo Banzato: https://euvou.events/intralogexposouthamericaelabelepackexpo@edubanzato

E para organizações que desejam transformar o conceito em aplicação prática, o Instituto IMAM oferece o curso Workforce Augmentation, voltado a profissionais que precisam identificar oportunidades de integração entre pessoas, inteligência artificial, automação e robótica, avaliar o nível de maturidade da organização e estruturar roadmaps de implementação. Acessar AQUI.

Eduardo Banzato, fonte ouvida nesta matéria, é embaixador da INTRA-LOG Expo e diretor do Instituto IMAM.

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