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Supply Chain e Logística

Visão computacional avança: o algoritmo STEGO do MIT e a logística

Por Eduardo Banzato em 26 de maio de 2022 • Atualizado em 15 de outubro de 2026
visaocomputacional
9 minutos para ler
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Visão computacional e STEGO em resumo: O STEGO é um algoritmo de visão computacional criado no laboratório CSAIL do MIT que atribui um rótulo a cada pixel de uma imagem sem participação humana. Ele usa segmentação semântica e procura objetos semelhantes ao longo de datasets. Nos testes com o COCO-Stuff, dobrou o desempenho dos sistemas anteriores, com impacto previsto na manufatura e na logística.

Cientistas do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT (Massachusetts Institute of Technology) merecem mais uma vez os parabéns, pois criaram recentemente um novo algoritmo (STEGO), para resolver uma das tarefas mais difíceis da visão computacional: atribuir um rótulo a cada um dos 65.536 pixels individuais que compõem uma única imagem de 256 x 256, sem a participação humana.

Segmentação Semântica

Assista o video do MIT CSAIL AQUI.

Vamos a seguir conhecer melhor este avanço que dará à Inteligência Artificial (IA) uma visão ainda mais precisa e, obviamente, isto terá também um impacto direto nas soluções de Manufatura e Logística (Supply Chain).

Há anos a indústria já trabalha com a visão de máquina, com foco principalmente na qualidade dos produtos, mas a Visão Computacional avança rapidamente e ainda são poucas empresas que perceberam os potenciais de melhoria nos processos a partir da mesma.

DESAFIOS DA VISÃO COMPUTACIONAL

A natureza humana é tão perfeita que nós, seres humanos, conseguimos identificar com nossa fantástica capacidade (visão + cérebro), em uma simples imagem, os diferentes elementos (pessoas, animais, plantas, edifícios…) mas, para a Inteligência Artificial, isto não é tão simples assim e demanda um grande esforço de treinamento.

Para exemplificar, em alguns projetos de inventário, aqui mesmo no Brasil, algumas equipes desistiram rapidamente da Visão Computacional ao perceber que a mesma não reconhecia as imagens que desejavam (determinados SKUs) e outros seguiram em frente e descobriram os desafios e as oportunidades da Visão Computacional. Mas poucos ainda compreendem que o algoritmo necessita ser treinado e é por isso que insistimos em treinamentos mais abrangentes de tecnologia aplicada à Supply Chain para profissionais de logística e manufatura (exemplo: Supply Chain Tech), para que os mesmos não desistam nas primeiras dificuldades da aplicação da tecnologia. Boa parte dos projetos do time IMAM tem passado por estes desafios.

ENTENDENDO A TECNOLOGIA

Geralmente, sistemas mais convencionais de treinamento de Visão Computacional envolvem uma caixa em torno de objetos específicos (veja figura a seguir).

Quatro cenas de fábrica e armazém com caixas de detecção sobre pessoas, empilhadeira e cadeiras

Uma caixa ao redor de uma empilhadeira, de uma pessoa, de um capacete etc. Rotular estas caixas, destacando o que está no seu interior (ex.: “pessoa”) é fundamental para a IA ser treinada e também que a mesma seja capaz de distinguir uma “pessoa” de uma “empilhadeira”, de um “capacete” etc.

STEGO: NOVO ALGORITMO DE VISÃO COMPUTACIONAL

O algoritmo STEGO (“Self-supervised Transformer with Energy-based Graph Optimization”) usa uma técnica já conhecida como Segmentação Semântica (observe a figura e o filme já apresentados) que aplica um rótulo de classe a cada pixel da imagem e não da caixa. Assim, fornece à Inteligência Artificial uma visão muito mais precisa da realidade.

Considerando que, no método anterior, uma caixa rotulada teria não apenas o objeto, mas outros itens nos pixels circundantes dentro do limite “encaixotado”, a segmentação semântica já evoluiu rotulando cada pixel no objeto e apenas os pixels que compõem o objeto. Se você tem, por exemplo, uma pessoa operando uma empilhadeira, a segmentação semântica separa com maior precisão a pessoa da empilhadeira.

Mas o desafio desta técnica é que a mesma demanda milhares de imagens rotuladas (horas de trabalho) com as quais o algoritmo será treinado e isso pode se tornar inviável para determinadas aplicações. Assim, atribuir a cada pixel existente no nosso mundo um determinado rótulo é muito ambicioso, especialmente se considerarmos que este processo seja realizado de forma automática, sem qualquer tipo de “feedback” humano (proposta do algoritmo STEGO).

Para descobrir esses objetos sem a orientação de um ser humano, o STEGO procura objetos semelhantes que aparecem ao longo de “datasets” (conjunto de dados). Em seguida, associa esses objetos semelhantes para construir uma visão consistente da realidade a partir de todas as imagens já aprendidas.

O STEGO foi testado em uma série de domínios visuais que abrangem imagens gerais, imagens de condução e fotografias aéreas de alta altitude. Em cada domínio, o STEGO foi capaz de identificar e segmentar objetos relevantes que estavam estreitamente alinhados com os julgamentos humanos.

A referência mais diversificada da STEGO foi o dataset “COCO-Stuff”, que é composto por diversas imagens de todo o mundo, desde cenas internas, pessoas praticando esportes até árvores e vacas. Veja a seguir e acesse AQUI no GitHub o dataset.

Stego

Os sistemas anteriores mais avançados poderiam capturar a essência de uma cena, mas pecava nos detalhes finos. Por exemplo, uma motocicleta poderia ser capturada como pessoa. Nestas mesmas cenas, o STEGO dobrou o desempenho dos sistemas anteriores e descobriu animais, edifícios, pessoas, móveis e muitos outros.

O algoritmo STEGO também deu saltos semelhantes em outros domínios visuais. Quando aplicado a datasets de veículos autônomos, segmentou com sucesso as estradas, pessoas e placas de rua, com resolução e granularidade muito superiores aos sistemas anteriores. Em relação às imagens do espaço (ex.: mapas), o sistema segmentou cada metro quadrado da superfície da Terra em estradas, vegetação e edifícios.

Além disso, o STEGO se baseia no algoritmo DINO, que aprendeu sobre o mundo por meio de 14 milhões de imagens do banco de dados ImageNet (acesse AQUI no GitHub). A STEGO refinou a espinha dorsal do DINO através de um processo de aprendizagem que imita nossa própria maneira de costurar pedaços do mundo para fazer sentido.

“A ideia é que esses novos tipos de algoritmos (STEGO) possam encontrar agrupamentos consistentes de forma automatizada para que não tenhamos que fazer isso nós mesmos”, diz diz Mark Hamilton, doutorando em engenharia elétrica e ciência da computação no MIT, afiliado à pesquisa do MIT CSAIL e engenheiro de software da Microsoft.

Acesse aqui STEGO no GitHub (Mark Hamilton).

APLICAÇÃO NA REALIDADE BRASIL

Por que devemos dar destaque a visão computacional aqui no Brasil?

Em primeiro lugar, sistemas que podem “ver” são cruciais para uma ampla gama de tecnologias emergentes, como veículos autônomos, modelagem preditiva etc. e como o STEGO pode aprender sem a necessidade de esforço humano, certamente poderá ajudar a acelerar a aplicação em um país carente de mão de obra especializada.

Segundo, em função da conhecida dificuldade de nosso Estado, a maioria das empresas no Brasil, principalmente as pequenas e médias, não terão no curto prazo a mesma facilidade que países mais desenvolvidos têm para implementar sistemas automatizados. Assim, por meio da Visão Computacional, abriremos espaço para soluções mais simples e funcionais, que hoje até já fazem parte de algumas empresas aqui no nosso país, mas que certamente avançarão muito mais.

AINDA COM LIMITAÇÕES, MAS JÁ É REFERÊNCIA

Apesar de seu desempenho superior, o algoritmo STEGO tem suas limitações… por exemplo, ele até pode identificar massas e grãos como “produtos alimentícios”, mas não os diferencia muito bem. Além disso, também pode ficar meio confuso com imagens sem muito sentido como por exemplo, se você apoiar uma banana sobre uma base de telefone, onde um ser humano perceberia facilmente a realidade, os algoritmos ainda avançarão cada vez mais.

“Considero a segmentação não supervisionada (STEGO) uma referência para o progresso na compreensão da imagem e um problema muito difícil. A comunidade de pesquisa fez um progresso fantástico na compreensão de imagens de forma não supervisionadas”, destaca Andrea Vedaldi, professor de Computer Vision e Machine Learning do departamento de ciência de engenharia da Universidade de Oxford.

Parabéns a todo time MIT e vamos em frente…

Boa semana a todos!

Eduardo BANZATO

Conheça as aplicações na IMA

Fonte: artigo de Rachel Gordon, MIT CSAIL: A new state of the art for unsupervised computer vision | MIT News | Massachusetts Institute of Technology

Caixa rotulada, segmentação semântica e STEGO

Em resumo, como o post compara os métodos de rotular imagens:

MétodoComo rotulaLimitação
Caixa rotuladaCaixa em torno do objeto, como uma empilhadeira ou uma pessoaA caixa inclui pixels de outros itens
Segmentação semânticaRótulo de classe em cada pixel do objetoExige milhares de imagens rotuladas
STEGOSegmentação sem feedback humano, a partir de objetos semelhantes nos datasetsAinda confunde itens parecidos, como massas e grãos

Perguntas frequentes sobre visão computacional

O que é o STEGO?

STEGO, sigla de Self-supervised Transformer with Energy-based Graph Optimization, é um algoritmo do MIT CSAIL que rotula cada pixel de uma imagem sem participação humana. Ele se baseia no algoritmo DINO, que aprendeu com 14 milhões de imagens do banco de dados ImageNet.

Qual a diferença entre caixa rotulada e segmentação semântica?

Na caixa rotulada, o objeto é envolvido por uma caixa com um rótulo, e a caixa acaba incluindo pixels de outros itens. Na segmentação semântica, cada pixel do objeto recebe um rótulo, o que separa com mais precisão, por exemplo, uma pessoa da empilhadeira que ela opera.

Quais as limitações do STEGO?

Apesar do desempenho superior, o STEGO ainda tem dificuldade em diferenciar itens parecidos, como massas e grãos, que identifica como produtos alimentícios. Também pode se confundir com imagens sem muito sentido, como uma banana apoiada sobre uma base de telefone.

Por que a visão computacional importa para empresas no Brasil?

Segundo o autor, sistemas que enxergam são cruciais para tecnologias emergentes, e um algoritmo que aprende sem esforço humano pode acelerar a aplicação em um país carente de mão de obra especializada, abrindo espaço para soluções mais simples e funcionais, inclusive em pequenas e médias empresas.

📚 Conteúdos complementares recomendados

  • Os caminhos da inteligência artificial: O contexto da IA aplicada.
  • Inteligência artificial na logística: Onde a IA entra na operação.
  • Machine learning na excelência operacional: Algoritmos que aprendem com dados.

Por: Eduardo Banzato

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Tags: Inteligência Artificial, tecnologia, visao computacional
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