Desenvolvimento Organizacional
Esconder o leite: vale a pena as empresas esconderem as novidades?
Sumário executivoEsconder o leite em resumo: Esconder o leite, no artigo de Reinaldo Moura, é o hábito das empresas de manter em sigilo as poucas inovações que têm, até para a imprensa especializada e trabalhos acadêmicos. O autor questiona a prática: fotos, arquivos e fornecedores circulam com facilidade, e ser copiado estimula a equipe a inovar ou, no mínimo, a seguir fazendo kaizens.
Vale a pena às empresas esconderem as novidades?
Apesar da facilidade atual de comunicação em grande escala, as poucas inovações que as empresas e o país oferecem são motivo de sigilo, seja para imprensa especializada ou nos meios acadêmicos, já que até mesmo alguns TCCs (Trabalhos de Conclusão de Curso) não podem ser realizados, pois o profissional ou estudante que trabalha em determinada empresa, e se predispõe a escrever sobre ela, corre o risco de ser demitido se comentar algo a respeito de assuntos internos.
Até mesmo a foto de um mega centro de distribuição da antiga e maior empresa fabricante de cosméticos, que atualmente passa por crise financeira (conforme divulgado no Wall Street Journal), não tem autorização de divulgação por sua assessoria de comunicação.
Enquanto funcionário, qualquer pessoa não pode citar nada dessa empresa, embora a sua esposa, mãe ou filhas sejam estimuladas a comprar e usar seus produtos, que são vendidos somente no porta a porta. Entretanto, se a pessoa deixar a empresa, ninguém pode proibi-la de citar e falar sobre o seu ambiente e até mostrar fotos, pois hoje qualquer celular tira fotos. Esconder o leite para quê? Se um fornecedor de qualquer equipamento instalado daquela empresa pode adaptá-lo na empresa concorrente, mesmo que centenas de folhas de um contrato de confidencialidade tenham sido assinadas.
Existem casos de proibição dos desenhos de um produto saírem da empresa. Antigamente isso era lógico, pois papéis (e até o papel vegetal) de uma cópia sépia eram visíveis, mas hoje, qualquer gravação num pen drive ultrapassa qualquer portaria, mesmo com detector de metais (ou chip). Para quê esconder o leite se o mundo todo está em busca de inovações e quanto mais um produto é copiado, mais isso estimula sua força de trabalho a inovar ou, na pior da hipóteses, a continuar a fazer kaizens, as famosas melhoras contínuas?
* Reinaldo Moura: Criador e Fundador do Grupo IMAM em 1979 (Instituto IMAM, IMAM Editora e IMAM Consultoria) e Diretor Técnico das Missões de Estudo ao Japão. 50 anos de experiência profissional, em mais de 100 empresas. Pioneiro na introdução conceitos no Brasil, tais como: MAM, Intralogística, Kanban, Housekeeping/5S, TPS/JIT/Lean/Toc – Treinamento e Assessoria. Publisher da Revista LOGÍSTICA desde 1980 (300 edições). Formado em Engenharia Industrial (FEI), em Engenharia de Segurança do Trabalho (FEI) e mestrado em Engenharia de Produção (Poli-USP). Ex-professor universitário: FEI, UMC, Mackenzie, Mauá etc.
Os argumentos do post contra o sigilo
Em resumo, as situações citadas e o que o autor questiona:
| Situação | O que o post questiona |
|---|---|
| TCCs proibidos sobre a empresa | O profissional corre o risco de ser demitido se comentar assuntos internos |
| Fotos de centros de distribuição vetadas | Hoje qualquer celular tira fotos, e quem sai da empresa pode falar sobre ela |
| Contratos de confidencialidade | Um fornecedor de equipamento pode adaptar a solução no concorrente |
| Desenhos proibidos de sair | Qualquer gravação em pen drive ultrapassa a portaria |
Conteúdos complementares recomendados
- Gestão da inovação: Como organizar a inovação na empresa.
- Kaizen: A melhoria contínua citada pelo autor.
- Inovação em logística e supply chain: Inovação aplicada à operação.
Perguntas frequentes sobre esconder o leite nas empresas
Na expressão popular, esconder o leite é guardar para si algo valioso em vez de compartilhar. No artigo, ela descreve empresas que tratam suas poucas inovações como segredo, a ponto de proibir fotos de instalações, notícias na imprensa especializada e até trabalhos de conclusão de curso escritos por funcionários.
Para o autor, não. Num mundo em que todos buscam inovação, ser copiado estimula a equipe a inovar mais ou, no mínimo, a continuar fazendo kaizens, as melhorias contínuas. Esconder as novidades limita a troca de conhecimento com o meio acadêmico e com a imprensa sem impedir, na prática, que elas se espalhem.
Segundo o autor, nem sempre. Um fornecedor de equipamento pode adaptar a solução em um concorrente mesmo depois de assinar extensos contratos de confidencialidade, e um ex-funcionário pode falar sobre o ambiente em que trabalhou. Hoje, um celular ou um pen drive passa por qualquer portaria.
Porque a cópia obriga a empresa a seguir em frente. Quando um produto ou processo é copiado, a força de trabalho é estimulada a criar a próxima inovação ou a aprimorar o que já existe com melhorias contínuas, o que mantém a empresa à frente em vez de presa a proteger o que já tem.

