CD de drogaria: o case do novo centro de distribuição da Droga Raia
CD de drogaria em resumo: O novo CD de drogaria da Droga Raia, em Embu (SP), trocou três galpões com 4 m de pé-direito por um prédio de 15 mil m², 11 m de pé-direito, 16 docas e fluxo em U. Planejado com a IMAM, o projeto elevou a capacidade de 250 para 450 lojas, com área de expansão para atender até 650.
Além disso, este case mostra como nasceu um CD de drogaria planejado do zero. Até o fim de 2008, a Droga Raia operava com 9 mil m² de armazém em três galpões separados, sem docas, com pé-direito baixo e operação manual. Então, a rede decidiu construir um novo centro de distribuição, planejado em conjunto com a IMAM Consultoria.
Por isso, este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, mostra as escolhas do projeto e o que elas ensinam a quem planeja um CD de drogaria ou de varejo com mercadoria fracionada.
Por que a rede precisou de um novo CD de drogaria
Inicialmente, o CD antigo, em Taboão da Serra (SP), cresceu conforme a necessidade e sem plano de longo prazo. Assim, um galpão virou três, o que gerava transporte extra e atrapalhava a movimentação, a separação e a expedição. Além disso, o pé-direito baixo impedia a verticalização e forçava a operação manual.
Ao mesmo tempo, a rede crescia rápido: entre 2007 e 2008, o número de lojas aumentou 75%. Por isso, o novo CD tinha três metas: abastecer as lojas existentes, reduzir em 1% a ruptura nas gôndolas e, principalmente, viabilizar o crescimento planejado.

Antes e depois do novo CD de drogaria
| Item | CD antigo (Taboão da Serra) | CD novo (Embu) |
|---|---|---|
| Área construída | 9.000 m² | 15.000 m² |
| Área para expansão | Nenhuma | 3.000 m² |
| Mezanino | Nenhum | 3.000 m² |
| Galpões | 3 | 1 |
| Pé-direito | 4 m | 11 m |
| Docas | 1 | 16 |
| Capacidade de abastecimento | 250 lojas | 450 lojas |
O CD armazena 4 milhões de unidades, de 20 mil itens, e movimenta mais de 8 milhões de unidades por mês para cinco estados. Cerca de 85% do que as lojas vendem passa por ele; o restante chega direto do fornecedor.

As estratégias que guiaram o projeto
A equipe revisou toda a operação e montou um plano de curto, médio e longo prazo. As diretrizes foram:
- Verticalizar a estocagem e mecanizar a movimentação com empilhadeiras elétricas de mastro retrátil.
- Investir o necessário e o suficiente para a demanda, sem antecipar gastos, sobretudo em automação.
- Usar as políticas de estoque como base do processo operacional.
- Reduzir o impacto da mudança sobre as pessoas.
Estruturas para cada giro
Para aproveitar os 11 m de pé-direito, o CD recebeu porta-paletes e estantes metálicas convencionais para os itens de menor giro e estantes dinâmicas (flow racks) para os de maior giro. Dessa forma, o CD lida tanto com cargas paletizadas quanto com mercadoria fracionada. Além disso, a área administrativa fica anexa, fora do espaço operacional considerado nobre.

Fluxo em U e separação por zonas no CD de drogaria
O conceito central é o fluxo em U, linear e sem cruzamentos. Todo o armazém segue a ordem da operação, o que encurta os trajetos e aproveita melhor os recursos. As principais etapas são:
- Recebimento: recebe, confere e libera para o estoque.
- Blocagem: produtos de alto giro que não precisam ser verticalizados.
- Estoque de fundo: produtos unitizados em paletes.
- Pulmão: estoque temporário que abastece as zonas de separação.
- Separação e supermercado: separam os produtos conforme o pedido de cada loja.
- Conferência: confere e libera os pedidos.
- Expedição: organiza pedidos e rotas para o carregamento.
Como a rede não embarca cargas fechadas, só mercadoria fracionada, a separação é decisiva. Por isso, ela foi dividida em cinco zonas, por categoria e popularidade dos produtos. O pedido de cada loja vai para todas as zonas, e cada separador cuida de um corredor. Assim, ele conhece o ambiente, separa mais rápido e tem metas fáceis de medir. São cerca de 300 mil unidades por dia. Além disso, as 16 docas são flexíveis e atendem tanto a expedição quanto o recebimento.
Uma mudança planejada
A escolha de Embu levou em conta a proximidade com o CD antigo, para manter a mesma equipe de cerca de 450 profissionais, sem demissões. A mudança levou três dias, com dez carretas, 30 caminhões e mais de 200 viagens. Para não parar o abastecimento, a rede adiantou ou adiou os pedidos. Mais de 500 pessoas participaram, em dois turnos. O próximo passo previsto era implantar um WMS.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
O case mostra que um CD de drogaria eficiente nasce do planejamento: verticalizar, separar por zonas, seguir um fluxo sem cruzamentos e investir no ritmo da demanda. Em resumo, o projeto dobrou a capacidade e deixou espaço para crescer sem refazer a operação.
Conteúdos complementares recomendados
- Projetando um novo centro de distribuição: As etapas de um projeto de CD.
- Localização do centro de distribuição: Como escolher onde instalar o CD.
- Estratégias eficientes de separação: Os métodos de separação por zona.
