Número de kanbans: como calcular e manter o sistema puxado estável
Número de kanbans em resumo: O número de kanbans é a quantidade de cartões que circula entre o processo de suprimento e o de consumo. A fórmula multiplica a demanda média diária pela soma da frequência de pedido, do lead time e do tempo de segurança. Depois, divide o resultado pela quantidade do contentor, que é a variável mais fácil de ajustar.
O planejamento da demanda, dos materiais e da capacidade de longo prazo continua necessário. Para isso, o MRP (planejamento da necessidade de material) ajuda a organizar as informações. Porém, ele não é o mais indicado para o controle diário dos itens colocados sob kanban. Esse é o trabalho do sistema puxado, que depende do número de kanbans certo.
Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, mostra como calcular o número de kanbans e quais cuidados mantêm o sistema estável.
Erros comuns ao implantar o kanban
Um dos erros mais frequentes é rodar o sistema sem prepará-lo antes ou numa situação não uniforme. Na melhor das hipóteses, isso dificulta o gerenciamento. Na pior, o sistema falha. Por exemplo, enquanto forma o estoque do supermercado, o fornecedor interno pode deixar de atender as necessidades imediatas do consumo.
Por isso, reserve tempo para montar e posicionar o que for necessário. Em outras palavras, não crie faltas artificiais no processo de consumo durante a implantação.
Redimensione o número de kanbans
O sistema precisa de novo dimensionamento sempre que mudam as variáveis de consumo e de suprimento. Além disso, nos primeiros estágios de um produto sob kanban, vale conferir o dimensionamento com mais frequência. Aliás, o retorno dos usuários costuma apontar a falta de redimensionamento como causa frequente de falhas.
Cuide dos cartões
A perda de cartões tira a visibilidade de duas coisas importantes. Se o cartão estava num contentor, ninguém sabe mais se aquele material está autorizado. Se sumiu depois que o contentor esvaziou, o suprimento não fica sabendo do consumo. Assim, o ressuprimento atrasa e cresce o risco de falta. Para evitar isso, audite periodicamente as quantidades do sistema.

A fórmula do número de kanbans
Antes do cálculo, a equipe precisa mudar um paradigma. Normalmente, o estoque é visto como um monte de itens. No entanto, ele também assume outra forma: o tempo. Afinal, o princípio da organização enxuta é otimizar o uso do tempo.
Existem muitas equações para esse cálculo. A seguinte é flexível e serve para muitos ambientes:
Número de kanbans = demanda média diária x (frequência de pedido + lead time + tempo de segurança) / quantidade do contentor.
| Variável | O que significa |
|---|---|
| Demanda média diária | Nível atual da demanda média diária do componente. Não é fixa, porque há sazonalidade, e por isso o cálculo precisa ser refeito |
| Frequência de pedido | Com que frequência a produção prepara cada produto acabado, em dias ou fração. É um dia dividido pelo número de preparações diárias |
| Lead time | Tempo entre o início da primeira atividade e a conclusão da última, numa série de atividades |
| Tempo de segurança | Estoque, em tempo, que compensa desperdícios no suprimento, como máquina parada, absenteísmo, refugo e falta de material |
| Quantidade do contentor | Definida pela equipe, de acordo com a movimentação do material |
Contentor: o ajuste mais fácil do número de kanbans
De todos os elementos, o tamanho do contentor é o que a equipe tem mais liberdade para mudar. Por isso, mudar essa quantidade é o caminho mais efetivo para ajustar o número de kanbans. No cálculo inicial, a equipe pode chegar a cartões demais ou de menos. Além disso, contentores menores pedem coletas e entregas mais frequentes, o que afeta o abastecedor e o roteiro de milk run (coleta programada).
A frequência de pedido deve ser pelo menos igual ao lead time. Já os itens de frequência longa, se ficarem com cartões permanentes, dormem no supermercado por muito tempo. Nesse caso, o balanceamento da produção ajuda o processo consumidor a usar o item com mais frequência, em lotes menores.

Número de kanbans com fornecedores externos
Quando o kanban se estende aos fornecedores, todas as variáveis da equação continuam valendo, mas em outro contexto. O fornecedor precisa informar a frequência de pedido, porque o lead time tende a ser mais longo e o tempo de segurança pode mudar. Entre os fatores que alongam o lead time estão:
- O número de pedidos que chegaram antes daquele já enviado.
- O tempo de ciclo da máquina.
- A quantidade e a duração das preparações.
- O método do sinal de ressuprimento, manual ou eletrônico.
- O tempo de trânsito do produto.
Além disso, a empresa costuma rever a consolidação da base de fornecedores, a troca de previsões de longo prazo e a logística de expedição de cada fornecedor. Assim, nasce uma relação de benefício e confiança mútua, em vez de trabalho sob pressão.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
Calcular o número de kanbans é simples. O desafio é manter o cálculo vivo: refazer a conta quando a demanda muda, auditar os cartões e ajustar o contentor. Em resumo, um sistema puxado bem dimensionado controla o estoque e mantém as operações estáveis.
Conteúdos complementares recomendados
- Kanban: Os conceitos básicos do sistema.
- Kanban no PPCP: Como o kanban simplifica o planejamento.
- Sistema Toyota de Produção: A origem do sistema puxado.
