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Número de kanbans: como calcular e manter o sistema puxado estável

Por IMAM em 13 de outubro de 2026
Capa do artigo do acervo técnico da IMAM sobre número de kanbans
5 minutos para ler

Número de kanbans em resumo: O número de kanbans é a quantidade de cartões que circula entre o processo de suprimento e o de consumo. A fórmula multiplica a demanda média diária pela soma da frequência de pedido, do lead time e do tempo de segurança. Depois, divide o resultado pela quantidade do contentor, que é a variável mais fácil de ajustar.

O planejamento da demanda, dos materiais e da capacidade de longo prazo continua necessário. Para isso, o MRP (planejamento da necessidade de material) ajuda a organizar as informações. Porém, ele não é o mais indicado para o controle diário dos itens colocados sob kanban. Esse é o trabalho do sistema puxado, que depende do número de kanbans certo.

Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, mostra como calcular o número de kanbans e quais cuidados mantêm o sistema estável.

Erros comuns ao implantar o kanban

Um dos erros mais frequentes é rodar o sistema sem prepará-lo antes ou numa situação não uniforme. Na melhor das hipóteses, isso dificulta o gerenciamento. Na pior, o sistema falha. Por exemplo, enquanto forma o estoque do supermercado, o fornecedor interno pode deixar de atender as necessidades imediatas do consumo.

Por isso, reserve tempo para montar e posicionar o que for necessário. Em outras palavras, não crie faltas artificiais no processo de consumo durante a implantação.

Redimensione o número de kanbans

O sistema precisa de novo dimensionamento sempre que mudam as variáveis de consumo e de suprimento. Além disso, nos primeiros estágios de um produto sob kanban, vale conferir o dimensionamento com mais frequência. Aliás, o retorno dos usuários costuma apontar a falta de redimensionamento como causa frequente de falhas.

Cuide dos cartões

A perda de cartões tira a visibilidade de duas coisas importantes. Se o cartão estava num contentor, ninguém sabe mais se aquele material está autorizado. Se sumiu depois que o contentor esvaziou, o suprimento não fica sabendo do consumo. Assim, o ressuprimento atrasa e cresce o risco de falta. Para evitar isso, audite periodicamente as quantidades do sistema.

Ilustração do artigo sobre número de kanbans, do acervo técnico da IMAM (figura 1)

A fórmula do número de kanbans

Antes do cálculo, a equipe precisa mudar um paradigma. Normalmente, o estoque é visto como um monte de itens. No entanto, ele também assume outra forma: o tempo. Afinal, o princípio da organização enxuta é otimizar o uso do tempo.

Existem muitas equações para esse cálculo. A seguinte é flexível e serve para muitos ambientes:

Número de kanbans = demanda média diária x (frequência de pedido + lead time + tempo de segurança) / quantidade do contentor.

VariávelO que significa
Demanda média diáriaNível atual da demanda média diária do componente. Não é fixa, porque há sazonalidade, e por isso o cálculo precisa ser refeito
Frequência de pedidoCom que frequência a produção prepara cada produto acabado, em dias ou fração. É um dia dividido pelo número de preparações diárias
Lead timeTempo entre o início da primeira atividade e a conclusão da última, numa série de atividades
Tempo de segurançaEstoque, em tempo, que compensa desperdícios no suprimento, como máquina parada, absenteísmo, refugo e falta de material
Quantidade do contentorDefinida pela equipe, de acordo com a movimentação do material

Contentor: o ajuste mais fácil do número de kanbans

De todos os elementos, o tamanho do contentor é o que a equipe tem mais liberdade para mudar. Por isso, mudar essa quantidade é o caminho mais efetivo para ajustar o número de kanbans. No cálculo inicial, a equipe pode chegar a cartões demais ou de menos. Além disso, contentores menores pedem coletas e entregas mais frequentes, o que afeta o abastecedor e o roteiro de milk run (coleta programada).

A frequência de pedido deve ser pelo menos igual ao lead time. Já os itens de frequência longa, se ficarem com cartões permanentes, dormem no supermercado por muito tempo. Nesse caso, o balanceamento da produção ajuda o processo consumidor a usar o item com mais frequência, em lotes menores.

Ilustração do artigo sobre número de kanbans, do acervo técnico da IMAM (figura 2)

Número de kanbans com fornecedores externos

Quando o kanban se estende aos fornecedores, todas as variáveis da equação continuam valendo, mas em outro contexto. O fornecedor precisa informar a frequência de pedido, porque o lead time tende a ser mais longo e o tempo de segurança pode mudar. Entre os fatores que alongam o lead time estão:

  • O número de pedidos que chegaram antes daquele já enviado.
  • O tempo de ciclo da máquina.
  • A quantidade e a duração das preparações.
  • O método do sinal de ressuprimento, manual ou eletrônico.
  • O tempo de trânsito do produto.

Além disso, a empresa costuma rever a consolidação da base de fornecedores, a troca de previsões de longo prazo e a logística de expedição de cada fornecedor. Assim, nasce uma relação de benefício e confiança mútua, em vez de trabalho sob pressão.

Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.

Conclusão

Calcular o número de kanbans é simples. O desafio é manter o cálculo vivo: refazer a conta quando a demanda muda, auditar os cartões e ajustar o contentor. Em resumo, um sistema puxado bem dimensionado controla o estoque e mantém as operações estáveis.

Conteúdos complementares recomendados

  • Kanban: Os conceitos básicos do sistema.
  • Kanban no PPCP: Como o kanban simplifica o planejamento.
  • Sistema Toyota de Produção: A origem do sistema puxado.
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