Métodos de reposição de estoque: MRP, disparo, kanban e VMI
Métodos de reposição de estoque em resumo: Métodos de reposição de estoque, como MRP, disparo, kanban e VMI, só funcionam bem no perfil certo. Nenhum serve para todos os SKUs, porque cada item tem demanda, lead time e custo próprios. Por isso, o sistema mais efetivo combina métodos e atribui a cada SKU aquele que combina com sua acurácia de demanda, lead time, custo e consumo.
Todo profissional de produção e estoques enfrenta um dilema. Seja qual for a estratégia de reposição, nenhum processo único serve para todos os SKUs. Por isso, os métodos de reposição de estoque precisam variar. Há dois motivos: cada SKU tem demanda, lead time e custo diferentes, e a efetividade de cada método depende da situação.
Muitas empresas, porém, aplicam um só método. Assim, alguns códigos ficam bem geridos e outros não. Os mal geridos criam listas críticas, puxadas antecipadas, embarques emergenciais e outras atividades que não agregam valor. Neste artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, você vê como escolher entre os métodos de reposição de estoque.
Os elementos que definem os métodos de reposição de estoque
O sistema mais efetivo combina métodos. Para isso, avalia-se o perfil de demanda de cada código e atribui-se a ele o método adequado. O resultado é o menor custo total com estoque, faltas, transporte, movimentação e tempo de resposta.
Os elementos avaliados são a acurácia da demanda, o perfil da demanda, o lead time, o custo do item e o consumo. Cada um varia de alto a baixo ou de uniforme a irregular. Os elementos vitais para um método são chamados de primários; os demais, de secundários.
| Método | Como funciona | Perfil ideal |
|---|---|---|
| MRP | Usa a lista de materiais, os saldos e o programa mestre de produção para calcular as necessidades | Alta certeza de demanda; lead time, custo, volume e linearidade pesam pouco |
| Disparo | Sinais eletrônicos vão direto ao fornecedor, e a peça chega logo antes do uso, sem estoque | Alta certeza de demanda, lead time baixo, custo alto, consumo alto e demanda uniforme |
| Kanban | Sistema de puxar em que um cartão sinaliza as peças a retirar | Demanda razoavelmente acurada e uniforme, lead time baixo, custo alto e consumo alto |
| VMI | O fornecedor define as quantidades no cliente e monitora os níveis | Itens de baixo custo, lead time muito baixo e consumo alto |

MRP e disparo nos métodos de reposição de estoque
O MRP depende de alta certeza de demanda, o que raramente existe para todos os códigos. Em tese, como o item comprado é consumido logo após o recebimento, o giro deveria ser alto e as faltas, mínimas. Contudo, muitos usuários apontam o tamanho dos almoxarifados como prova de desincronização.
- Quando o programa mestre está programado dentro das restrições de capacidade, o MRP funciona bem.
- O lead time pesa menos que a acurácia da demanda. Porém, lead times longos preocupam quando a demanda é pouco acurada.
- O custo do SKU não afeta o MRP: tanto faz um item de R$ 1 ou de R$ 1.000.
- O MRP é versátil para componentes de baixo ou alto volume e não é afetado pela linearidade da demanda.
Já o disparo serve tanto a itens fabricados quanto comprados. Como não há estoque, ele exige lead time excepcionalmente baixo. Em geral, aplica-se a itens mais caros. Por exemplo, alguns fabricantes de automóveis recebem assim assentos e painéis, combinados por cor e acabamento.

Kanban e VMI
Se a certeza de demanda for muito alta, o MRP deve ser preferido, porque não exige manter estoque. Quando a certeza é média, o kanban vence por dois motivos. Primeiro, uma previsão superestimada no MRP tende a inflar o estoque. Segundo, numa previsão subestimada, o kanban garante uma quantidade predeterminada.
Além disso, quanto menor o lead time, mais o kanban reduz o estoque. O custo alto do SKU também aumenta sua eficácia. Por outro lado, a demanda irregular eleva o estoque de segurança e cria listas críticas.
O VMI, por sua vez, funciona para itens como porcas, buchas, parafusos e cabos. Os fornecedores precisam ter grande variedade e ficar perto da planta. Como o custo é baixo, cabe muito estoque de segurança sem pesar no valor total. Esses itens somam mais de 50% dos itens e só 5% a 10% do valor.

Como atribuir os métodos de reposição de estoque a cada SKU
- Entenda os métodos de reposição de estoque disponíveis e o perfil ideal de cada um.
- Crie uma planilha com todos os SKUs.
- Determine o método adequado a cada SKU com base no seu perfil.
- Direcione os itens que não se encaixam em nenhum perfil ideal para o MRP ou o kanban, conforme o que mantiver o menor estoque.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
O estoque é apenas a consequência do método de gestão. Em resumo, combinar métodos de reposição de estoque, cada um no perfil certo, evita listas críticas e urgências. Assim, a empresa chega a um sistema de reabastecimento altamente efetivo.
Conteúdos complementares recomendados
- MRP e MRP II: Como funciona o planejamento das necessidades de materiais.
- Kanban: O sistema de puxar em detalhe.
- Ruptura de estoque: O que acontece quando a reposição falha.

