A Importância da Adequada Gestão de Custos e Preços
Dizem que alguns Empresários só começam a se importar com seus custos e preços quando tem uma queda expressiva de suas vendas ou de seus resultados, principalmente em épocas de crise como a qual estamos tentando sair no Brasil.
Gestão de custos e preços é o trabalho de apurar quanto custa produzir e entregar cada produto e, a partir disso, definir o preço que sustenta a operação. Ela se apoia em duas decisões que precisam vir nessa ordem: primeiro classificar corretamente cada gasto, separando o que integra o custo do produto do que é despesa do período; depois escolher o método de formação de preço, que pode partir do custo, do mercado ou do valor percebido. Inverter a ordem é o erro mais caro: quem define preço antes de saber o custo real descobre a margem só no fechamento do mês, quando já vendeu.
A confusão mais frequente está entre margem de contribuição e markup. Margem de contribuição é quanto sobra de cada venda depois dos custos e despesas variáveis, e é ela que paga os custos fixos e forma o lucro. Markup é o multiplicador aplicado sobre o custo para chegar ao preço. Os dois se relacionam, mas respondem a perguntas diferentes: a margem diz se vale a pena vender mais uma unidade; o markup diz por quanto anunciar. Usar markup calculado sobre um custo mal classificado produz preço errado com aparência de método.
O fato é que esta preocupação deveria estar no radar todos os dias e em qualquer momento.
Muitas Empresas atingem o tamanho médio com sistemas precários de mensuração de seus resultados, normalmente apenas com demonstrativos contábeis globais, tais como: DRE´s, Demonstrativos dos Resultados do Exercício, e começam a sentir dificuldade nas avaliações e tomadas de decisão mais específicas, por exemplo: qual é o resultado específico de cada linha de produtos ou de determinados processos. Normalmente pelo sentimento de que se gasta mais energia e tempo com determinados clientes e segmentos do que outros.
O custo deveria representar o “gasto de energia” para transformarmos os inputs em outputs em qualquer processo e o preço o quanto o nosso mercado valoriza nossos produtos e serviços, também conhecido como “valor agregado”.
Porém alguns sistemas tradicionais de custos, tais como o “custeio por absorção” que tem por objetivo calcular o custo de cada SKU, porém fazendo com que todos os custos diretos e indiretos, variáveis e fixos sejam absorvidos pelos itens, através de critérios de rateios subjetivos, possui algumas restrições, assim como qualquer sistema de custos, direto, mundo dos ganhos (TOC) e Enxuto (Lean) tem vantagens e desvantagens que devem ser exploradas caso a caso.
Com exceção do custeio por absorção que é o único aceito pela contabilidade legal, os demais constituem sistemas de custeio gerenciais que são implementados em virtude do viés de cada gestor. Por exemplo um sistema de custos enxuto (Lean) só será implementado em uma Empresa que acredita no sistema enxuto de gestão e assim por diante.
O modelo que mais cresce em aplicação em função da grande popularidade do modelo enxuto é o custeio enxuto, que visa medir o resultado de um fluxo de valor inteiro, ou seja, qual a margem de contribuição ou resultado deste fluxo, que processa uma família de produtos.
A implementação de qualquer modelo de custeio e precificação gerará um grande gasto de energia de muita pessoas na organização, portanto a escolha do modelo mais aderente a sua necessidade é tão importante do que o próprio resultado final, pois temos que evitar que este enorme investimento não sirva para tornar a empresa mais competitiva, em função do descrédito ou da falta de conhecimento sobre o sistema de custeio praticado.
Como qualquer outro controle, o custo também não agrega valor para os nossos clientes, sendo um mal necessário para desenvolvermos uma gestão efetiva. Ou seja, se não pudermos tomar ações concretas baseadas no custo, como vejo em muitas empresas, o sistema de custeio não servirá para nada, tornando-se mais um controle caro e inútil dos muitos implementados.
Custo é o gasto necessário para trazer o estoque ao local e à condição em que ele se encontra, e fica incorporado ao produto até a venda. Despesa é o gasto reconhecido no resultado do período em que ocorre, sem passar pelo estoque. A separação não é preferência da empresa: o CPC 16 (R1) define quais gastos ficam de fora do custo dos estoques, entre eles a armazenagem que não seja necessária ao processo produtivo, as despesas administrativas gerais e as despesas de comercialização.
Como custo do estoque, em regra não. O CPC 16 (R1) exclui os gastos de armazenagem do custo dos estoques, salvo quando forem necessários ao processo produtivo entre uma fase e outra, caso da armazenagem intermediária de um produto que precisa descansar, curar ou secar. O gasto continua existindo e precisa ser coberto pelo preço, mas pela margem de contribuição, e não somado ao custo unitário antes do markup.
Margem de contribuição é o que sobra de cada venda depois de descontar custos e despesas variáveis, e serve para pagar os custos fixos e formar o lucro. Markup é o multiplicador aplicado sobre o custo para chegar ao preço de venda. A margem responde se vale a pena vender mais uma unidade; o markup responde por quanto anunciar. Um markup correto sobre um custo mal classificado ainda produz preço errado.
Entra pela margem, não pelo custo do produto, quando se trata de armazenagem de produto acabado e de frete de entrega ao cliente. O peso é relevante: segundo o estudo anual do ILOS, os custos logísticos consumiram 15,5% do PIB brasileiro em 2025. Ignorá-los na formação de preço não os faz desaparecer, apenas transfere o prejuízo para o resultado do período.
Pela classificação. Antes de escolher método de custeio ou calcular markup, é preciso separar corretamente o que é custo do produto e o que é despesa do período, e identificar quais gastos são variáveis e quais são fixos. Sem essa base, qualquer fórmula de preço aplica um multiplicador sobre um número que não representa o custo real, e o erro aparece só no fechamento.
Pelos dois, em papéis diferentes. O custo estabelece o piso, abaixo do qual a venda destrói resultado, e é o cálculo que a empresa controla. O mercado estabelece o teto, acima do qual o cliente compra do concorrente, e não é controlável. A decisão de preço vive entre os dois, e é por isso que conhecer o custo com precisão amplia a liberdade de negociação, em vez de limitá-la.
A classificação do gasto não é de livre escolha da empresa. O Pronunciamento Técnico CPC 16 (R1), Estoques, que orienta a contabilidade brasileira alinhada à norma internacional, lista expressamente os itens que não podem ser incluídos no custo dos estoques e devem ser reconhecidos como despesa do período em que ocorrem: valores anormais de desperdício de material, mão de obra ou outros insumos de produção; gastos com armazenagem, a menos que sejam necessários ao processo produtivo entre uma fase e outra; despesas administrativas que não contribuem para trazer o estoque ao local e à condição atuais; e despesas de comercialização, incluindo venda e entrega ao cliente. A consequência prática é grande para quem faz preço na indústria: o custo do armazém de produto acabado, em regra, não entra no custo do produto, e o frete de entrega ao cliente também não. Jogá-los dentro do custo unitário infla a base do markup e produz preço que perde para o concorrente sem que ninguém entenda por quê.
Custo do produto ou despesa do período?
| Gasto | Classificação em regra | Base no CPC 16 (R1) | Efeito no preço se for classificado errado |
|---|---|---|---|
| Matéria-prima aplicada | Custo do produto | Compõe o custo de aquisição e transformação | Subavaliar o custo unitário e vender abaixo do ponto de equilíbrio |
| Mão de obra direta de produção | Custo do produto | Custo de transformação | Margem aparente maior do que a real |
| Armazenagem de produto acabado | Despesa do período | Excluída, salvo se necessária ao processo produtivo entre fases | Inflar a base do markup e perder competitividade |
| Desperdício acima do normal | Despesa do período | Valores anormais de perda são excluídos do custo | Repassar ao cliente uma ineficiência interna |
| Frete de entrega ao cliente | Despesa do período | Despesa de comercialização | Preço distorcido por região de entrega |
| Despesa administrativa geral | Despesa do período | Não contribui para trazer o estoque ao local e à condição atuais | Rateio arbitrário que mascara o produto deficitário |
Gestão Estratégica de Custos e Preços
Carga horária: 16 horas
Capacitação prática com especialistas de mercado
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