Estratégias e operações
Desenvolvimento Organizacional
Quanto vale um treinamento: por que capacitar a equipe é questão de competitividade
Sumário executivoQuanto vale um treinamento em resumo: Um treinamento vale pelos resultados que gera para o negócio, não pelo número de horas. Para Sidney Rago, a baixa qualificação dos colaboradores limita a produtividade, e um bom treinamento entrega métodos de trabalho já consagrados, com retorno rápido do investimento e impacto na motivação. Cortar capacitação na crise é uma inversão de prioridades.
Nos últimos anos, experimentamos alguns cenários diferentes relacionados aos recursos humanos nas empresas.
Tivemos um período muito próximo do “pleno emprego”, inclusive com uma sensação bem parecida, em dezembro/13, com o índice de PNAD alcançando a menor marca de toda a série histórica de 6,2%. No ano de 2.014, a variação foi de 6,4% a 7,2% e, em janeiro/17, chegamos à 12,6%, a maior da série histórica.
A expressão pleno emprego refere-se, em Economia, à utilização de todos os fatores disponíveis, a preços de equilíbrio. Uma economia em pleno emprego se encontra em equilíbrio. Embora essa expressão seja usada por autores, em referência ao emprego de qualquer fator de produção, ela se restringe, na linguagem coloquial, ao pleno emprego de trabalhadores.
Naquela época, ouvíamos muito que a grande dificuldade era manter os colaboradores nas empresas, já que eram constantemente assediados por ofertas melhores de salários e benefícios, e que estava muito difícil manter a qualidade dos empregos.
Porém, mesmo com essa grande variação, continuamos, hoje, a escutar no meio empresarial que uma das grandes restrições à produtividade está na baixa qualificação dos colaboradores e a grande dificuldade em encontrar no mercado a tal “mão de obra qualificada”, pois, mesmo com uma grande quantidade disponível de trabalhadores, a tarefa de encontrarmos colaboradores qualificados continua muito difícil. Talvez a causa mais provável seja o baixo nível das escolas e universidades e a carência de treinamentos dentro das empresas.
Então, a tarefa de treinarmos nossos colaboradores passa a ser uma das mais importantes na jornada diária para aumentarmos a nossa produtividade, que, quando comparada com a de outros países, é muito baixa, gerando um alto custo e perda de competitividade.
Então, porque as empresas não valorizam o treinamento?
Muitas vezes, nos períodos de crise, os primeiros investimentos cortados são os de capacitação e treinamento dos colaboradores.
Mas, se uma das grandes restrições ao aumento da produtividade e redução dos custos é a baixa qualificação dos colaboradores, existe uma inversão de prioridades. Muitas vezes, os executivos e empresários preferem investir um valor muitíssimo maior em automações e tecnologia, a investir muitíssimo menos na capacitação da equipe. Não é incomum encontrarmos indústrias com o que há de mais moderno em tecnologia, mas com colaboradores despreparados para tirarem o máximo proveito destes recursos. É uma pena.
Um bom treinamento capacita e entrega métodos eficazes de trabalho já utilizados e consagrados em muitas outras empresas, fazendo com que os participantes cortem caminho e saiam preparados para o uso no dia seguinte, o que gerará um retorno muito rápido do investimento realizado, além de impactar também na motivação e na autoestima da equipe.
Se realizado no formato aberto, com participantes de várias empresas, também terá como subproduto a troca de experiências com outros profissionais que, muitas vezes, possuem os mesmos problemas. No formato “in company”, a vantagem será no foco dos problemas e das soluções, muito parecido com uma assessoria.
É óbvio que, hoje, existem no mercado serviços de treinamento para todos os bolsos e gostos, mas temos sempre que selecionar nossos fornecedores, assim como fazemos com os de matérias-primas, insumos e outros materiais. Nem sempre os de menor preço entregarão o melhor serviço.
Não queremos medir nosso processo de desenvolvimento de pessoas pelo número de horas de treinamento, mas a partir dos resultados que estes treinamentos irão gerar para o nosso negócio, pois, como vimos acima, este é um serviço vital para a nossa competitividade e sobrevivência.
Fica também evidente que não podemos correr o risco de entregar nossos colaboradores a instituições e instrutores com baixa qualificação, cujo efeito será o mesmo de escolhermos médicos pelo preço. Neste caso, não haverá nenhum risco à nossa vida, mas, sim, para os nossos processos e empresas, ou seja, um risco muito elevado. Lembre-se de se certificar sobre a qualidade da instituição e de seus instrutores, de preferência que tenham excelentes referências no mercado.
Portanto, acreditamos e sempre acreditaremos que os seres humanos é que fazem a diferença nas organizações, pois a tecnologia, os sistemas, equipamentos e processos estão ficando cada vez mais parecidos e facilmente copiados e adquiridos, sendo o conhecimento, habilidade e atitude da equipe os principais responsáveis pela vantagem entre os grandes competidores e os medíocres.
Para isso, nossos líderes em todos os níveis, mas principalmente os estratégicos e táticos, têm que trocar o discurso de que os colaboradores são os seus maiores ativos para a prática de treiná-los continuamente, já que o treinamento representa a manutenção dos recursos humanos e, quando é negligenciado, como a manutenção dos equipamentos, em algum momento teremos surpresas desagradáveis, ou com a perda para a concorrência de um colaborador valioso, ou com a perda de produtividade com colaboradores medíocres e desmotivados.
É melhor treinarmos nossos colaboradores e eles irem embora, do que não treinarmos e eles ficarem.
Pontos para decidir sobre treinamento
Em resumo, o que o post afirma:
| Ponto | O que o post afirma |
|---|---|
| Formato aberto | Participantes de várias empresas trocam experiências sobre problemas parecidos |
| Formato in company | O foco fica nos problemas e soluções da empresa, de forma parecida com uma assessoria |
| Escolha do fornecedor | Selecionar como se faz com matérias-primas; nem sempre o de menor preço entrega o melhor serviço |
| Medição | Avaliar o desenvolvimento das pessoas pelos resultados gerados, não pelas horas de treinamento |
Conteúdos complementares recomendados
- Retorno sobre investimentos em treinamentos: Como medir o ganho da capacitação.
- Treinamento dentro da empresa ou terceirizado: Os formatos possíveis.
- Como escolher o treinamento de funcionários: Critérios para avaliar o fornecedor.
Perguntas frequentes sobre o valor do treinamento nas empresas
Porque tecnologia, sistemas, equipamentos e processos estão cada vez mais parecidos e fáceis de copiar, e o que diferencia as empresas é o conhecimento, a habilidade e a atitude das pessoas. Para o autor, a baixa qualificação é uma das grandes restrições à produtividade, e treinar é a forma de removê-la.
Muitas vezes a capacitação é vista como despesa e é o primeiro investimento cortado. Para o autor, isso é uma inversão de prioridades: há empresas que investem muito mais em automação e tecnologia do que em pessoas e acabam com equipamentos modernos operados por colaboradores despreparados.
No treinamento aberto, com participantes de várias empresas, um ganho extra é a troca de experiências com profissionais que enfrentam problemas parecidos. No formato in company, a vantagem é o foco nos problemas e nas soluções da própria empresa, de forma muito parecida com uma assessoria.
O fornecedor de treinamento deve ser selecionado com o mesmo cuidado aplicado a matérias-primas e insumos, porque nem sempre o de menor preço entrega o melhor serviço. O recomendado é verificar a qualidade da instituição e dos instrutores e buscar boas referências no mercado.
O valor de um treinamento deve ser medido pelos resultados que ele gera para o negócio, e não pelo número de horas de capacitação. Um bom treinamento entrega métodos de trabalho já consagrados, que o participante aplica no dia seguinte, o que traz retorno rápido e ainda melhora a motivação e a autoestima da equipe.

