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IMAM Blog Embalagem Logística reversa de embalagens: a contribuição para a sustentabilidade

Embalagem

Logística reversa de embalagens: a contribuição para a sustentabilidade

  • Por Wagner Salzano
  • Publicado em 16/11/2022
  • Atualizado em 15/10/2026
  • 8 min de leitura
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Sumário executivo

Logística reversa de embalagens em resumo: A logística reversa de embalagens recolhe, transporta, trata e dá destinação final às embalagens já usadas, com foco em reutilização e reciclagem. Ela é fundamental porque embalagens de papel e plástico descartadas de forma inadequada poluem o ambiente. Por isso, os planos industriais e de distribuição devem incluir o tratamento das embalagens em todos os elos da cadeia.

O acelerado consumo dos recursos naturais e a dificuldade em sua reinserção no ciclo ecológico natural, tem alterado as condições climáticas e ambientais do nosso planeta. A logística tem função vital para as ações de reequilíbrio.

Temos visto nos noticiários recentes, que cada vez mais ocorrem climáticos eventos que fogem a média dos últimos séculos em termos de temperatura e comportamento das chuvas de forma geral. É quase consenso que as causas estão vinculadas a ações humanas sobre a natureza, quer na inadequada extração de recursos naturais sem os devidos cuidados, quer na destruição de biomas sem análise das consequências em médio em longo prazo.

Como resultado dessas práticas, a partir dos anos 1990, as mudanças climáticas se aceleraram causando um efeito paradoxal para a humanidade, que extrai recursos da natureza para aumentar o conforto e as condições de vida, mas perde ambos quando eventos naturais de forte impacto, como tempestades e ondas de calor muito fortes ocorrem.

AS EMBALAGENS:

As embalagens, especialmente as de origem florestal (papel) e petrolífera (plásticos), são as que mais geram estragos no meio ambiente quando descartadas. O descarte físico inadequado de embalagens tem aumentado o volume de lixo inservível que agride a natureza, gerando poluição ambiental crescente.

E um outro grande problema tem sido a destruição inadequada de embalagens, frequentemente por queima natural ou incineração sem os devidos procedimentos, gerando crescente poluição atmosférica e contribuindo para o aumento do efeito estufa.

PLANEJAMENTO:

Talvez um pouco tardiamente na opinião dos especialistas em meio ambiente, ações de contenção da poluição ambiental causada pelo descarte de embalagens, começam a ser seriamente tomadas pelas grandes corporações, inseridas no contexto de preservação através de um processo de economia circular.

Com ações técnicas e aplicação de processos de logística de recolhimento e tratamento, indústrias de embalagens e mercado consumidor, estão trabalhando juntos para frear o avanço dos impactos indesejáveis no clima e meio ambiente.

Podemos classificar como grandes focos no desenvolvimento de projetos de embalagens ecologicamente corretas:

  1. Formas de produção que considerem recursos otimizados e não poluentes.
  2. Formas de dar utilidade ao resíduo (embalagem já usada), considerando potencial reutilização prática direta, sem transformação, em outra função.
  3. Formas de tratar a embalagem que não pode ser reutilizada diretamente, no sentido de transformá-la, descartá-la ou destruí-la sem gerar poluição através de processos de neutralização, tornando os resíduos inertes e úteis aos processos naturais.

A importância da logística neste contexto é fundamental no recolhimento de embalagens, através dos meios mais adequados para a acumulação e transporte utilizando diversos modais, no tratamento e na destinação final.

Por isso, os planos de operações industriais e de distribuição com visão ampla da cadeia de abastecimento (Supply Chain), devem considerar em todos os seus elos, não apenas a produção, mas também o adequado tratamento das embalagens quanto ao seu descarte, com foco na transformação e possível reutilização, sendo a logística de recolhimento, fundamental para o sucesso das ações.

EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA DOS MATERIAIS E UTILIZAÇÃO:

É possível ver iniciativas, inclusive baseadas em legislação, como o incentivo a redução do uso indiscriminado das sacolas plásticas descartáveis nos supermercados, como ocorre em São Paulo onde as mesmas, são “vendidas” na boca do caixa. Com isso, o usuário pensa melhor se precisa ou não da embalagem plástica e tem a opção de levar a sua própria sacola retornável, também vendida na boca do caixa.

Outra prática ecologicamente correta que está crescendo, é a dos vasilhames de vidro retornáveis, principalmente para refrigerantes e cerveja, uma prática comum décadas atrás, que chegou a ser extinta. A “modernidade” das garrafas PET, rem se mostrado cruel, não pela sua incontestável praticidade, mas pelas práticas inadequadas de descarte na natureza.  

Assim como no caso das sacolas plásticas, existe espaço para a manutenção e até crescimento do uso das garrafas PET, desde que sejam pensadas ações como a conscientização da população quanto ao descarte, o incentivo ao recolhimento, e o desenvolvimento de materiais biodegradáveis ou que sejam possíveis de ser reaproveitados. No momento atual, o trade-off entre custo logístico e custo ambiental, não está sendo favorável e é urgente reverter este resultado.

ALGUMAS AÇÕES QUE ESTÃO SENDO IMPLEMENTADAS:

É conhecido que o Brasil possui uma das legislações de proteção ambiental mais avançadas do mundo. Embora em algumas atividades e setores ainda existam resistências, temos exemplos muito positivos, como o trabalho do INPEV, o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, entidade sem fim lucrativo, que atua desde 2002 atendendo a lei federal 9.974/00 para a destinação e manejo ambientalmente correto das embalagens vazias de defensivos agrícolas. O instituto é sustentado por mais de 100 empresas e realiza um trabalho de logística reversa altamente capilarizada. Em 2022 foram quase 54 mil toneladas de embalagens recolhidas, sendo 93% deste volume reciclado, transformado em produtos como conduítes, caixas de bateria automotiva e tubos, e 7% incinerados adequadamente.

Algumas ações diretas também estão sendo desenvolvidas, como reflorestamento de áreas degradadas e iniciativas através de parceria dos governos com a iniciativa privada, como por exemplo a despoluição do Rio Pinheiros em São Paulo, já considerado um dos rios mais poluídos do mundo e que está avançando muito satisfatoriamente.

No segmento de embalagens de consumo, li nestes dias, uma reportagem publicada pelo site da All4pack, Feira de Embalagens de Paris cuja próxima edição deverá ser em Dezembro deste ano. Na reportagem, o diretor de embalagem e economia circular da L’Oreal, empresa de cosméticos mundialmente conhecida, Philippe Bonningue descreve as ações que estão sendo implementadas pela empresa, onde entre outras, as metas de que todas as embalagens até 2025 sejam reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis, meta para reduzir a própria quantidade de embalagens em 20% até 2030, uso de refis que limitam uso do plástico, e “recargas” em produtos das linhas de perfumes e maquiagens. Atualmente quase 70% do PET que a L’Oreal utiliza já são de origem reciclada. Concluindo, a sociedade precisa se conscientizar da importância de colaborar com a reciclagem e descarte correto das embalagens, não há outro caminho para que tenhamos no futuro um mundo sustentável.

Focos dos projetos de embalagens ecologicamente corretas

Em resumo, os focos e o papel da logística apontados no post:

FocoO que envolve
ProduçãoFormas de produção com recursos otimizados e não poluentes
ReutilizaçãoDar utilidade direta à embalagem usada, sem transformação, em outra função
TratamentoTransformar, descartar ou destruir sem poluir, tornando os resíduos inertes
RecolhimentoAcumulação e transporte por diversos modais até o tratamento e a destinação final

Perguntas frequentes sobre logística reversa de embalagens

Por que as embalagens preocupam tanto o meio ambiente?

Segundo o autor, as embalagens de origem florestal, como o papel, e petrolífera, como os plásticos, são as que mais geram estragos quando descartadas. O descarte inadequado aumenta o lixo inservível, e a destruição sem procedimentos, por queima ou incineração, aumenta a poluição atmosférica e o efeito estufa.

O que faz o INPEV?

O INPEV, Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, é uma entidade sem fins lucrativos que atua desde 2002 atendendo à lei federal 9.974/00, na destinação ambientalmente correta das embalagens vazias de defensivos agrícolas. Em 2022, recolheu quase 54 mil toneladas, com 93% reciclados e 7% incinerados adequadamente.

Garrafas PET e sacolas plásticas precisam deixar de existir?

Não necessariamente. Para o autor, há espaço para manter e até ampliar o uso das garrafas PET, desde que haja conscientização sobre o descarte, incentivo ao recolhimento e desenvolvimento de materiais biodegradáveis ou reaproveitáveis. Nas sacolas, a cobrança no caixa leva o consumidor a pensar antes de usá-las.

Qual o papel da logística na economia circular das embalagens?

A logística é fundamental no recolhimento das embalagens, com os meios mais adequados de acumulação e transporte por diversos modais, no tratamento e na destinação final. Sem a logística de recolhimento, as ações de transformação e reutilização das embalagens não alcançam sucesso.

Referências

  • INPEV: Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias: instituto citado no post, responsável pela logística reversa das embalagens vazias de defensivos agrícolas
  • Lei nº 9.974, de 6 de junho de 2000: lei federal citada no post sobre a destinação das embalagens vazias de defensivos agrícolas

Conteúdos complementares recomendados

  • Logística reversa: O conceito e como funciona.
  • Cadeia de suprimentos verde: A logística reversa na cadeia sustentável.
  • Embalagem sustentável: As áreas para tornar a embalagem sustentável.

Por

Wagner Salzano

Head da Divisão de Supply Chain da IMAM Consultoria

68 visualizações
Tags: ambiental, economia circular, embalagem, sustentabilidade

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