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Supply Chain: Aprendendo com os Top 25

Por Eduardo Banzato em 30 de junho de 2026
Supply Chain: Aprendendo com os Top 25
7 minutos para ler

Todos os anos, o Gartner divulga o seu tradicional ranking das 25 melhores Supply Chains do mundo e a gente aqui no já acompanha há mais de 20 anos o que tem influenciado as estratégias de inúmeras empresas.

Mais do que uma lista de empresas admiradas, este ranking tornou-se um importante indicador dos caminhos que estão moldando o futuro das cadeias de suprimentos globais.

O ranking de 2026 traz uma mensagem muito clara: a excelência operacional que tanto exploramos nas aplicações de modelos de gestão (Lean, TOC, WCS, 6 Sigma etc.) continua sendo importante, mas já não é suficiente.

As empresas líderes estão construindo cadeias de suprimentos capazes de combinar a tecnologia, inteligência artificial, automação, sustentabilidade, resiliência e colaboração em ecossistemas cada vez mais robustos e complexos.

Apesar de muitos ainda insistirem na “SIMPLICIDADE”, ponto forte principalmente nas abordagens da excelência operacional, a “COMPLEXIDADE” dos sistemas inteligentes ganham espaço na busca da própria excelência.

O próprio Gartner destaca três grandes tendências observadas entre os líderes deste ano:

  • Força de trabalho autônoma (Autonomous Workforce);
  • Estratégias centradas em redes (Network-Centric Strategies);
  • Orquestração ponta a ponta da cadeia de suprimentos (End-to-End Supply Orchestration).

Em outras palavras, as organizações mais avançadas não estão apenas automatizando processos. Elas estão redesenhando a forma como pessoas, máquinas, fornecedores, clientes e parceiros interagem para gerar valor.

Os TOP 25 da Supply Chain em 2026

SUPPLY CHAIN TOP 25 2026 – Ranking Gartner – Eduardo Banzato – IMAM

Só como destaque inicial, Amazon, Apple, Procter & Gamble e Unilever permanecem no seleto grupo dos “Masters”, reservado às empresas que mantiveram desempenho excepcional ao longo de muitos anos.

E quais os destaques de cada empresa que está no atual ranking, destacando aqui o meu ponto de vista?

1. Schneider Electric

Lidera pela combinação entre IA generativa, sustentabilidade, circularidade e colaboração profunda com fornecedores e parceiros.

2. NVIDIA

Transformou a gestão de uma cadeia extremamente dependente de terceiros através da orquestração avançada do ecossistema e do uso massivo de digital twins.

3. Walmart

Referência mundial em automação logística, IoT, visibilidade da cadeia e sustentabilidade em larga escala.

4. Cisco Systems

Destaca-se pela gestão resiliente de redes globais complexas utilizando simulações, digital twins e IA para tomada de decisão.

5. AstraZeneca

Construiu uma Supply Chain praticamente “autocurativa”, capaz de detectar e responder a interrupções com mínima intervenção humana.

6. Danone

Integra excelência operacional, sustentabilidade, agricultura regenerativa e digitalização avançada.

7. Lenovo

Combina monitoramento em tempo real, simulação de cenários, gestão ESG e capacitação digital de equipes.

8. L’Oréal

Utiliza IA para capturar tendências de consumo quase instantaneamente e ajustar produção e estoques com enorme velocidade.

9. Johnson & Johnson

Transforma fornecedores em extensões estratégicas da própria organização, fortalecendo resiliência e qualidade.

10. Microsoft

Talvez o caso mais avançado de agentes autônomos aplicados à Supply Chain, utilizando dezenas de agentes de IA em processos operacionais.

11. Colgate-Palmolive

Reconhecida pela consistência operacional, inovação e sustentabilidade em uma cadeia global de bens de consumo.

12. Toyota

Acessou o ranking dos 25 este ano, mas mantém sua posição pela excelência histórica em Lean Manufacturing, resiliência e melhoria contínua.

13. Siemens

Integra manufatura digital, automação industrial e soluções avançadas de gestão da cadeia. Estratégia que algumas empresas estão se tornando referência também no Brasil.

14. Novartis

Destaca-se pela excelência em operações farmacêuticas globais e gestão de risco.

15. Nestlé

Referência mundial em gestão de redes globais de suprimentos e sustentabilidade. Inúmeras iniciativas de sucesso ao longo da cadeia de suprimentos ao redor do mundo.

16. JD.com

Estive lá a menos de um ano e sem dúvida um dos maiores exemplos mundiais de logística digital integrada ao e-commerce.

17. Dell Technologies

Utiliza redes globais altamente flexíveis e capacidade avançada de resposta a mudanças de mercado.

18. General Mills

Combina eficiência operacional, planejamento avançado e forte gestão da demanda.

19. Coca-Cola

Mantém há muitos anos excelência em distribuição, colaboração com parceiros e capilaridade global.

20. Johnson Controls

Ingressa no ranking, com destaque em integração tecnológica, eficiência energética e operações globais.

21. Diageo

Referência em planejamento de demanda, gestão de marcas globais e sustentabilidade.

22. HP Inc.

Possui uma cadeia global altamente conectada e resiliente para produtos de tecnologia.

23. Taiwan Semiconductor (TSMC)

Recém ingresso no ranking, fundamental para a economia digital global, destacando-se pela capacidade tecnológica e operacional.

24. GSK

Excelência em operações farmacêuticas, compliance e disponibilidade de medicamentos.

25. Inditex

Continua sendo uma das maiores referências mundiais em velocidade de resposta ao mercado e Supply Chain orientada ao cliente.

LIÇÕES DOS TOP 25 2026 – Eduardo Banzato – IMAM

Dez lições que podemos extrair do ranking de 2026

Se pudessemos tirar algumas lições do atual ranking a fim de influenciar nossas estratégias aqui no Brasil, quais seriam?

1. IA deixou de ser piloto: para as empresas líderes, a IA avançou em processos críticos e em escala corporativa e mostra o caminho para as médias e pequenas empresas aqui no Brasil também.

2. Pessoas continuam no centro: o diferencial não está em substituir pessoas, mas em potencializá-las por meio da tecnologia. Já dá para perceber que redução da carga de trabalho não significa eliminar pessoas…

3. Digital Twin virou ferramenta estratégica: simular cenários antes de tomar decisões tornou-se prática comum entre os líderes. Ainda estamos em uma escala pequena no Brasil. Muito potencial.

4. ESG virou parte da operação: sustentabilidade já não é projeto paralelo. É elemento central da estratégia. Assim como segurança e bem-estar, há um longo caminho a percorrer.

5. Ecossistemas superam empresas isoladas: o desempenho depende cada vez mais da qualidade das conexões entre parceiros e são os ecossistemas orquestrados que farão a diferença.

6. Resiliência é tão importante quanto eficiência: reduzir custos continua importante, mas sobreviver às turbulências tornou-se essencial. Muitos indicadores perdem sentido em cenários turbulentos e as reações demandam mais velocidade.

7. Visibilidade ponta a ponta é indispensável: quem enxerga melhor a cadeia toma decisões melhores e mais rápidas e a tecnologia digital com a inteligência artificial acelera este processo.

8. Automação inteligente supera automação tradicional: o foco deixou de ser apenas automatizar tarefas e passou a ser automatizar decisões. O desafio de balancear a automação inteligente e a tradicional viabiliza melhores resultados.

9. Capacitação digital tornou-se prioridade: as empresas líderes estão investindo fortemente em alfabetização digital e IA para suas equipes. Democratizar a tecnologia se tornou estratégico. Como avançar nos Kaizens Tecnológicos e Digitais?

10. Supply Chain virou vantagem competitiva: as organizações mais admiradas do mundo já não tratam Supply Chain como centro de custos. Elas a utilizam como motor de crescimento, inovação e geração de valor. Os líderes do ranking do Gartner já tratam a Supply Chain como estratégia a décadas.

Conclusão

O ranking Gartner Supply Chain Top 25 de 2026 mostra que estamos entrando em uma nova era.

A discussão não é mais sobre ter ou não Inteligência Artificial.

A discussão é como combinar pessoas, dados, algoritmos, automação e ecossistemas para criar cadeias de suprimentos mais inteligentes, resilientes, sustentáveis e capazes de gerar resultados superiores.

As empresas que compreenderem essa transformação mais cedo terão uma vantagem competitiva cada vez mais difícil de ser alcançada pelos concorrentes, mas não impossível.

E talvez essa seja a principal lição do ranking deste ano:

O futuro da Supply Chain não será construído apenas por máquinas inteligentes.

Será construído por pessoas e organizações inteligentes.

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