Supply Chain: Aprendendo com os Top 25
Todos os anos, o Gartner divulga o seu tradicional ranking das 25 melhores Supply Chains do mundo e a gente aqui no já acompanha há mais de 20 anos o que tem influenciado as estratégias de inúmeras empresas.
Mais do que uma lista de empresas admiradas, este ranking tornou-se um importante indicador dos caminhos que estão moldando o futuro das cadeias de suprimentos globais.
O ranking de 2026 traz uma mensagem muito clara: a excelência operacional que tanto exploramos nas aplicações de modelos de gestão (Lean, TOC, WCS, 6 Sigma etc.) continua sendo importante, mas já não é suficiente.
As empresas líderes estão construindo cadeias de suprimentos capazes de combinar a tecnologia, inteligência artificial, automação, sustentabilidade, resiliência e colaboração em ecossistemas cada vez mais robustos e complexos.
Apesar de muitos ainda insistirem na “SIMPLICIDADE”, ponto forte principalmente nas abordagens da excelência operacional, a “COMPLEXIDADE” dos sistemas inteligentes ganham espaço na busca da própria excelência.
O próprio Gartner destaca três grandes tendências observadas entre os líderes deste ano:
- Força de trabalho autônoma (Autonomous Workforce);
- Estratégias centradas em redes (Network-Centric Strategies);
- Orquestração ponta a ponta da cadeia de suprimentos (End-to-End Supply Orchestration).
Em outras palavras, as organizações mais avançadas não estão apenas automatizando processos. Elas estão redesenhando a forma como pessoas, máquinas, fornecedores, clientes e parceiros interagem para gerar valor.
Os TOP 25 da Supply Chain em 2026

SUPPLY CHAIN TOP 25 2026 – Ranking Gartner – Eduardo Banzato – IMAM
Só como destaque inicial, Amazon, Apple, Procter & Gamble e Unilever permanecem no seleto grupo dos “Masters”, reservado às empresas que mantiveram desempenho excepcional ao longo de muitos anos.
E quais os destaques de cada empresa que está no atual ranking, destacando aqui o meu ponto de vista?
1. Schneider Electric
Lidera pela combinação entre IA generativa, sustentabilidade, circularidade e colaboração profunda com fornecedores e parceiros.
2. NVIDIA
Transformou a gestão de uma cadeia extremamente dependente de terceiros através da orquestração avançada do ecossistema e do uso massivo de digital twins.
3. Walmart
Referência mundial em automação logística, IoT, visibilidade da cadeia e sustentabilidade em larga escala.
4. Cisco Systems
Destaca-se pela gestão resiliente de redes globais complexas utilizando simulações, digital twins e IA para tomada de decisão.
5. AstraZeneca
Construiu uma Supply Chain praticamente “autocurativa”, capaz de detectar e responder a interrupções com mínima intervenção humana.
6. Danone
Integra excelência operacional, sustentabilidade, agricultura regenerativa e digitalização avançada.
7. Lenovo
Combina monitoramento em tempo real, simulação de cenários, gestão ESG e capacitação digital de equipes.
8. L’Oréal
Utiliza IA para capturar tendências de consumo quase instantaneamente e ajustar produção e estoques com enorme velocidade.
9. Johnson & Johnson
Transforma fornecedores em extensões estratégicas da própria organização, fortalecendo resiliência e qualidade.
10. Microsoft
Talvez o caso mais avançado de agentes autônomos aplicados à Supply Chain, utilizando dezenas de agentes de IA em processos operacionais.
11. Colgate-Palmolive
Reconhecida pela consistência operacional, inovação e sustentabilidade em uma cadeia global de bens de consumo.
12. Toyota
Acessou o ranking dos 25 este ano, mas mantém sua posição pela excelência histórica em Lean Manufacturing, resiliência e melhoria contínua.
13. Siemens
Integra manufatura digital, automação industrial e soluções avançadas de gestão da cadeia. Estratégia que algumas empresas estão se tornando referência também no Brasil.
14. Novartis
Destaca-se pela excelência em operações farmacêuticas globais e gestão de risco.
15. Nestlé
Referência mundial em gestão de redes globais de suprimentos e sustentabilidade. Inúmeras iniciativas de sucesso ao longo da cadeia de suprimentos ao redor do mundo.
16. JD.com
Estive lá a menos de um ano e sem dúvida um dos maiores exemplos mundiais de logística digital integrada ao e-commerce.
17. Dell Technologies
Utiliza redes globais altamente flexíveis e capacidade avançada de resposta a mudanças de mercado.
18. General Mills
Combina eficiência operacional, planejamento avançado e forte gestão da demanda.
19. Coca-Cola
Mantém há muitos anos excelência em distribuição, colaboração com parceiros e capilaridade global.
20. Johnson Controls
Ingressa no ranking, com destaque em integração tecnológica, eficiência energética e operações globais.
21. Diageo
Referência em planejamento de demanda, gestão de marcas globais e sustentabilidade.
22. HP Inc.
Possui uma cadeia global altamente conectada e resiliente para produtos de tecnologia.
23. Taiwan Semiconductor (TSMC)
Recém ingresso no ranking, fundamental para a economia digital global, destacando-se pela capacidade tecnológica e operacional.
24. GSK
Excelência em operações farmacêuticas, compliance e disponibilidade de medicamentos.
25. Inditex
Continua sendo uma das maiores referências mundiais em velocidade de resposta ao mercado e Supply Chain orientada ao cliente.

LIÇÕES DOS TOP 25 2026 – Eduardo Banzato – IMAM
Dez lições que podemos extrair do ranking de 2026
Se pudessemos tirar algumas lições do atual ranking a fim de influenciar nossas estratégias aqui no Brasil, quais seriam?
1. IA deixou de ser piloto: para as empresas líderes, a IA avançou em processos críticos e em escala corporativa e mostra o caminho para as médias e pequenas empresas aqui no Brasil também.
2. Pessoas continuam no centro: o diferencial não está em substituir pessoas, mas em potencializá-las por meio da tecnologia. Já dá para perceber que redução da carga de trabalho não significa eliminar pessoas…
3. Digital Twin virou ferramenta estratégica: simular cenários antes de tomar decisões tornou-se prática comum entre os líderes. Ainda estamos em uma escala pequena no Brasil. Muito potencial.
4. ESG virou parte da operação: sustentabilidade já não é projeto paralelo. É elemento central da estratégia. Assim como segurança e bem-estar, há um longo caminho a percorrer.
5. Ecossistemas superam empresas isoladas: o desempenho depende cada vez mais da qualidade das conexões entre parceiros e são os ecossistemas orquestrados que farão a diferença.
6. Resiliência é tão importante quanto eficiência: reduzir custos continua importante, mas sobreviver às turbulências tornou-se essencial. Muitos indicadores perdem sentido em cenários turbulentos e as reações demandam mais velocidade.
7. Visibilidade ponta a ponta é indispensável: quem enxerga melhor a cadeia toma decisões melhores e mais rápidas e a tecnologia digital com a inteligência artificial acelera este processo.
8. Automação inteligente supera automação tradicional: o foco deixou de ser apenas automatizar tarefas e passou a ser automatizar decisões. O desafio de balancear a automação inteligente e a tradicional viabiliza melhores resultados.
9. Capacitação digital tornou-se prioridade: as empresas líderes estão investindo fortemente em alfabetização digital e IA para suas equipes. Democratizar a tecnologia se tornou estratégico. Como avançar nos Kaizens Tecnológicos e Digitais?
10. Supply Chain virou vantagem competitiva: as organizações mais admiradas do mundo já não tratam Supply Chain como centro de custos. Elas a utilizam como motor de crescimento, inovação e geração de valor. Os líderes do ranking do Gartner já tratam a Supply Chain como estratégia a décadas.
Conclusão
O ranking Gartner Supply Chain Top 25 de 2026 mostra que estamos entrando em uma nova era.
A discussão não é mais sobre ter ou não Inteligência Artificial.
A discussão é como combinar pessoas, dados, algoritmos, automação e ecossistemas para criar cadeias de suprimentos mais inteligentes, resilientes, sustentáveis e capazes de gerar resultados superiores.
As empresas que compreenderem essa transformação mais cedo terão uma vantagem competitiva cada vez mais difícil de ser alcançada pelos concorrentes, mas não impossível.
E talvez essa seja a principal lição do ranking deste ano:
O futuro da Supply Chain não será construído apenas por máquinas inteligentes.
Será construído por pessoas e organizações inteligentes.

