Sistema MOST: como funciona a técnica de medição do trabalho
Sistema MOST em resumo: O sistema MOST é uma técnica de tempos predeterminados que permite ao analista estabelecer o tempo de operações manuais e de algumas operações com equipamentos. Ele agrupa os movimentos em três sequências padrão: movimento geral, movimento controlado e uso de ferramenta. Por isso, exige bem menos horas de análise do que o MTM.
O sistema MOST é uma técnica de tempos predeterminados para medir o trabalho. Com ele, o analista estabelece o tempo gasto em qualquer operação manual e em algumas operações com equipamentos. A IMAM Consultoria usa o MOST como ferramenta nos seus estudos de tempos.
A sigla vem do inglês e significa, em tradução livre, técnica de sequência de operação. O conceito parte de atividades fundamentais, ou seja, de combinações de movimentos que seguem sempre uma sequência determinada.
Por que o cronômetro não basta
Há mais de um século, o trabalho passou a ser visto como algo que podia ser projetado e controlado. A ideia não era repetir a tarefa ao acaso, mas ensinar ao trabalhador a melhor maneira de executá-la. Nesse estudo de tempos e métodos, o cronoanalista compara o ritmo do trabalhador com o de um trabalhador médio, com 100% de habilidade e esforço.
No entanto, esse método tem dois pontos fracos:
- O cronoanalista precisa classificar o desempenho de forma subjetiva, comparando-o com um padrão estimado de 100%.
- O relógio, por mais preciso que seja, só mede o que já aconteceu nas condições atuais; portanto, não prevê tempos de situações futuras.

Dos tempos predeterminados ao sistema MOST
Os estudos de movimento mostraram que toda operação é uma combinação de elementos básicos. Assim, para reduzir o tempo e o esforço de uma tarefa, basta reduzir o conteúdo de movimento dela. O resultado é mais produção e um nível de serviço maior.
Depois, um terceiro método uniu o estudo de tempos ao estudo de movimentos: o sistema de tempo predeterminado do movimento (PMTS). Como os movimentos e os seus tempos já estão catalogados, é possível prever com acuracidade os tempos futuros das tarefas. Dessa forma, a cronometragem fica restrita aos processos com equipamentos.
O MTM e as suas versões
O primeiro PMTS de domínio público foi o MTM. Ele tem um cartão de dados detalhado dos movimentos básicos, como alcançar, mover e pegar. Por isso, é muito exato e aceito no mundo todo. Contudo, é lento: o analista mede as distâncias em polegadas ou centímetros, e um erro de classificação pode ser crítico. As versões MTM-2 e MTM-3 surgiram justamente para reduzir esse esforço.
O ganho de produtividade do sistema MOST
O sistema MOST sintetiza os movimentos de forma mais simples do que o MTM. Para cada hora de trabalho medido, o MTM consome cerca de 350 horas do analista, enquanto o MOST consome cerca de 10 horas. Além disso, a abordagem se ajusta ao escopo da tarefa, à frequência do movimento, às distâncias e ao objeto manuseado.

As três sequências do sistema MOST
O MOST considera que o ciclo de uma tarefa combina três etapas. Cada etapa tem movimentos de tempo predeterminado, e o analista os define nas tabelas dos cartões MOST.
| Atividade | Sequência | Parâmetros |
|---|---|---|
| Movimento geral | A B G A B P A | A: ação de distância; B: movimento do corpo; G: ganhar controle; P: posicionamento |
| Movimento controlado | A B G M X I A | M: movimento controlado; X: tempo do processo; I: alinhamento |
| Uso de ferramenta | A B G A B P _ A B P A | F: fixar; L: afrouxar; C: cortar; S: tratamento de superfície; M: medir; R: gravar; T: pensar |
Na prática, o analista define o que está sendo movido e como o item se move, para escolher a sequência certa. Em seguida, define os índices de A, B e G, ou seja, o que o operador faz para pegar o item. Por fim, define a fase final A, quando o operador retorna com ou sem objeto nas mãos.
Duas perguntas para melhorar o processo
- A tarefa é necessária para o trabalho? Se não for, tente eliminá-la.
- Qual é o índice mais alto que uma mudança de layout, de método ou de ferramenta pode reduzir?

BasicMOST, MiniMOST e MaxiMOST: as famílias do sistema MOST
O sistema MOST se expandiu com duas novas famílias, o MiniMOST e o MaxiMOST, além do BasicMOST. O analista escolhe a família conforme as características do processo. Para isso, o fluxograma de escolha faz perguntas como estas:
- A tarefa ocorre mais de 150 vezes por semana? E mais de 1.500 vezes?
- A tarefa exige uma análise detalhada do movimento, com descrição de mão direita e mão esquerda?
- Todas as ações de distância são menores que 25 cm?
- O peso para as mãos passa de 5 kg?
- A ação de distância passa de 2 passos?
Onde aplicar o sistema MOST
A técnica de medição do trabalho tem muitas aplicações. Ela serve para estimar tempos, analisar métodos de trabalho, balancear o fluxo e dimensionar as tarefas. O uso mais comum, porém, é criar padrões de medida para a engenharia de processos.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
O sistema MOST mantém a lógica dos tempos predeterminados, mas exige muito menos horas de análise do que o MTM. Assim, a empresa mede o trabalho com rapidez, prevê tempos de tarefas futuras e ainda encontra movimentos que podem ser eliminados.
Conteúdos complementares recomendados
- Estudos de tempos e métodos: A base que o MOST veio aprimorar.
- Cronoanálise: Como funciona a tomada de tempo com cronômetro.
- Ferramentas lean: Outras formas de eliminar movimentos desnecessários.

