Armazém autoportante: custo-benefício e quando vale a pena
Armazém autoportante em resumo: Armazém autoportante é o prédio em que a própria estrutura de estocagem sustenta o telhado e o fechamento. Ele se justifica em grandes alturas: abaixo de 10 m não compensa, e a partir de 15 m de pé-direito tende a ser a melhor opção. A conta inclui terreno, obra, prazo de execução e economia na operação.
Terra disponível e barata, mão de obra também. Por esses motivos, os brasileiros nunca deram muita importância à ideia de construir um armazém autoportante. Mas isso vem mudando, e a participação desses prédios cresce ano a ano.
Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, reúne a visão de fabricantes ouvidos pela revista intraLOGÍSTICA sobre o custo-benefício, as restrições e os cuidados de um projeto desse tipo.
Por que o armazém autoportante ainda é pouco usado no Brasil
- O custo de capital no Brasil é muito maior do que no exterior, e isso pesa em grandes projetos.
- O investidor quer flexibilidade para usar o prédio em outra atividade se o negócio mudar.
- Existe uma cultura de pavilhões com pilares de concreto.
- O país tem uma área enorme, e os terrenos são relativamente baratos. Por isso, construir em grandes alturas vira segunda opção.
Na Europa, ao contrário, os terrenos grandes são caros, o que força a verticalização. Para chegar a 30 m ou até 40 m de altura, pilares de concreto exigiriam seções enormes. Assim, a alternativa mais racional são as próprias colunas da estrutura de estocagem.
Um dos fabricantes estima que os autoportantes respondem por 3% a 18% dos novos projetos de estocagem, conforme o país. O Brasil fica abaixo da Europa. Além disso, antigos receios estão sendo vencidos: os preços, antes elevados, ficaram mais atrativos, e um fabricante aponta confiabilidade de 98% nesse tipo de sistema.

Como calcular o custo-benefício do armazém autoportante
A avaliação deve comparar as diversas soluções construtivas. Porém, não deve ficar só no custo. O prazo de execução também conta: mesmo que o autoportante seja mais caro, ele pode compensar se ficar pronto antes, porque o cliente começa a ter retorno mais cedo. Além disso, menos empresas participam das interfaces do projeto, o que facilita o gerenciamento.
| Lado do investimento | Lado da economia |
|---|---|
| Custo do terreno | Economia em mão de obra |
| Custo da obra civil | Economia em empilhadeiras e racks |
| Custo do armazém | Menos acidentes e menos roubos |
| Aumento de produtividade e outros ganhos intangíveis |
Fatores técnicos a favor
A partir de 15 m de pé-direito, as características do aço são mais adequadas do que a alvenaria em concreto. Além disso, a boa distribuição das cargas no piso permite otimizar os custos de fundação e de piso. Outro ponto é a previsibilidade: a obra é muito pré-industrializada e depende menos do clima na montagem. Por fim, na mesma área, a capacidade de estocagem pode ser quadruplicada.

Quando o armazém autoportante não se justifica
Segundo os fabricantes, as restrições são poucas, e o principal fator é o custo-benefício. A tabela resume os casos citados.
| Situação | Por que pesa contra |
|---|---|
| Altura abaixo de 10 m | O investimento só se viabiliza acima dessa altura |
| Operação pequena, como 5.000 posições-palete e 100 paletes por dia | O volume não paga o investimento |
| Proximidade de aeroportos | Limita a altura do prédio |
| Solo instável | Exige avaliação cuidadosa da fundação |

Cuidados para o projeto dar certo
- Planeje e gerencie bem a obra, com profissionais qualificados e visão sistêmica de todas as interfaces.
- Tenha um bom gestor de contrato, com escopo, valores e penalidades de cada fornecedor.
- Faça um estudo prévio e escolha empresas com experiência em projetos desse porte.
- Dimensione e integre os fluxos de materiais e o sistema de movimentação já na fase de projeto.
- Prefira concentrar máquinas, estantes e software num mesmo fornecedor, porque a maioria dos problemas surge nas interfaces.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
O armazém autoportante não é para toda operação. Em resumo, ele compensa em grandes alturas e volumes, quando o terreno é caro ou o prazo importa. Para decidir, some terreno, obra e armazém e compare com a economia na operação, sem esquecer o tempo até o retorno.
Conteúdos complementares recomendados
- Estrutura autoportante ou convencional: A comparação técnica entre os dois sistemas.
- Quando automatizar a estocagem: Os critérios para ir além do armazém convencional.
- Tecnologias do armazém automático: Os equipamentos que operam em grandes alturas.
