Rastreabilidade de alimentos: código DataBar e lições da lei americana
Rastreabilidade de alimentos em resumo: Rastreabilidade de alimentos é saber, em tempo real, por onde o produto passou na cadeia de suprimentos. Para isso, todos os elos precisam de um padrão comum para identificar, capturar e compartilhar dados. No varejo de alimentos, o código GS1 DataBar guarda lote e data de validade em um espaço menor que o código tradicional.
A rastreabilidade de alimentos ficou mais difícil. Afinal, o caminho de um produto de uma ponta a outra da cadeia de suprimentos é cada vez mais longo e global. Além disso, produção em larga escala, grandes distâncias e novas tecnologias aumentam essa complexidade.
Ao mesmo tempo, os consumidores estão mais conscientes das suas escolhas. Assim, eles veem a confiabilidade do produto como diferencial. Por isso, ter um sistema de rastreabilidade virou essencial para conhecer em tempo real o fluxo de produtos e tomar decisões que gerem valor.
Por que a rastreabilidade de alimentos importa
- Protege o consumidor, porque autentica o produto e garante a origem.
- Combate a falsificação, já que confirma a autenticidade do produto.
- Dá mais visibilidade aos processos, porque mostra o fluxo em toda a cadeia.
- Ajuda a cumprir as leis e regulamentações em vigor, principalmente no setor de alimentos.
Para tanto, é preciso um padrão que todos os elos da cadeia usem para identificar, capturar e compartilhar informações. No mundo, a GS1 responde pelo padrão global de identificação de produtos (código de barras e EPC/RFID) e de comunicação (EDI e GDSN). Assim, ela atende mais de 1,4 milhão de empresas em cerca de 150 países. No Brasil, por sua vez, a GS1 Brasil tem mais de 55 mil associados.

Rastreabilidade de alimentos com o código DataBar
Para o varejo de alimentos, um dos sistemas propostos é o GS1 DataBar. Ele permite identificar e gerir a data de validade dos produtos. Em outras palavras, os símbolos formam uma família de códigos que podem ser lidos no próprio ponto de venda.
Em comparação com o código EAN/UPC tradicional, o DataBar carrega mais informações, como número serial, lote e validade, em um espaço menor. Por isso, ele abre espaço para codificar itens de frutas, legumes e verduras e de pesos variáveis, como carne, aves, peixes, padaria, embutidos e frios.
Vantagens do DataBar na rastreabilidade de alimentos
- Os perecíveis manipulados no supermercado já precisam de etiqueta com a validade; assim, o código traz essa data na mesma etiqueta.
- O investimento em automação é preservado, porque basta instalar alguns módulos de software e hardware para imprimir e ler o código.
- O prazo de adoção dado pela GS1 Brasil, de 2010 a 2014, permitiu aos varejistas adaptar softwares, leitores e coletores, sobretudo para ler lote e validade.
Onde o Brasil está em segurança alimentar
O Brasil ocupava o 31º lugar no ranking mundial de segurança alimentar da Economist Intelligence Unit, entre 105 países. Contudo, apesar da posição mediana, o relatório mostra que os líderes estão muito à frente em disponibilidade, acessibilidade, qualidade e segurança dos alimentos.
| Posição | País | Pontos |
|---|---|---|
| 1º | Estados Unidos | 89,6 |
| 2º | Noruega | 88,6 |
| 3º | Dinamarca | 87,9 |
| 26º | Chile | 69,1 |
| 29º | México | 67,5 |
| 31º | Brasil | 66,5 |
| 33º | Uruguai | 63,3 |
| 35º | Argentina | 63,1 |
As cinco áreas da lei americana
Nos EUA, em janeiro de 2011, foi assinado o Food Safety Modernization Act. Em linhas gerais, a lei aumenta o poder de fiscalização do órgão federal de alimentos e medicamentos (FDA). Além disso, ela se divide em cinco áreas:
- Controles preventivos: pela primeira vez, o órgão pode exigir controles baseados em prevenção em toda a cadeia alimentar.
- Inspeção e governança: a lei define com que frequência os produtores devem ser inspecionados, sobretudo com foco no risco.
- Alimentos importados: os importadores devem verificar se os fornecedores do exterior têm controles preventivos adequados; além disso, auditores externos podem ser credenciados.
- Responsabilidade: o órgão passa a ter autoridade para ordenar o recall de alimentos.
- Parcerias reforçadas: a lei reforça a colaboração entre as agências de segurança alimentar de todos os níveis, porque o objetivo é a saúde pública.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
A rastreabilidade de alimentos depende de tecnologia, como o código DataBar, mas não só dela. A exemplo dos EUA, para o Brasil avançar em segurança alimentar, é preciso engajamento e compromisso legal de todos os elos da cadeia de suprimentos.
Conteúdos complementares recomendados
- Rastreabilidade na malha logística: Como rastrear o produto ao longo da rede.
- Visibilidade da cadeia de suprimentos: Por que enxergar o fluxo de ponta a ponta.
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