Cadeia de suprimentos ágil na moda: projeto, produção e rede
Cadeia de suprimentos ágil em resumo: Cadeia de suprimentos ágil, na moda, é a que se reinventa a cada temporada sem faltar produto nem acumular estoque. Uma grande grife consegue isso com três fatores: projeto do produto flexível, planejamento da produção que adia as etapas finais e uma rede de fornecedores próxima, flexível e artesanal.
Uma cadeia de suprimentos ágil é questão de sobrevivência na moda. Afinal, as empresas do setor precisam se reinventar a cada temporada e renovar a maior parte da linha. Este artigo mostra como uma grande grife organiza essa agilidade, com base no acervo da IMAM.
Por que a moda precisa de uma cadeia de suprimentos ágil
A agilidade evita faltas de estoque e, ao mesmo tempo, ajuda a obter reduções de preço. Contudo, a manufatura não pode ser planejada em detalhes, porque só uma pequena parte da produção são clássicos com histórico de vendas. Por isso, é arriscado produzir grandes lotes de itens novos, já que linhas, cores e acabamentos podem vender bem diferente do previsto.
Além disso, o lead time da produção é maior que o prazo do cliente. Assim, as empresas comprometem cedo, com base em previsões, os clássicos mais confiáveis e adiam os itens mais específicos até chegarem os pedidos. Segundo o PDF, três fatores definem essa agilidade: o projeto do produto, o planejamento da produção e a rede de abastecimento.

Projeto do produto
A agilidade no projeto é a capacidade de mudar o produto com frequência e flexibilidade. Por isso, cresce o uso de sistemas CAD dedicados. Além de apoiar o desenho, eles geram as listas de materiais e definem o corte dos tecidos. Em seguida, quando a coleção passa de protótipo a amostra e a item final, a lista é recalculada para cada tamanho.
Na grife citada, em cerca de um mês a empresa vai dos desenhos da nova coleção às amostras do desfile, com lista de materiais, ciclo de fabricação e lista de preço de custo. Depois da apresentação, há uma semana de ajuste fino: alguns itens saem, outros mudam e a lista de preços definitiva fica pronta.
Um banco de dados flexível também ajuda. Por exemplo, o mesmo código de um jeans pode mudar a cada temporada, ou até dentro dela, se mudar um acessório ou acabamento. Da mesma forma, parte da produção pode ser feita na Itália e parte na China, mas, aos olhos do cliente, é o mesmo artigo.

Planejamento da produção na cadeia de suprimentos ágil
A agilidade no planejamento é a capacidade de mudar o programa de produção com frequência e adiar ao máximo as etapas finais e de acabamento. No começo, o plano parte das metas do orçamento da temporada. Assim, gera as compras iniciais de fios e tecidos, feitas no escuro, com base em previsões, que podem chegar a 30 a 40% das necessidades.
Já os itens e as cores mais extravagantes só são comprados após os pedidos. Durante a campanha de vendas, a empresa atualiza toda semana a projeção do resultado e, com isso, o plano de produção. No fim da campanha, a carteira de pedidos vira a base das compras finais.
Na grife, um sistema MRP roda a cada duas semanas e gerencia toda a produção externa, do curtimento do couro aos acessórios metálicos. Antes, uma simulação de pré-produção verifica componentes e tempos nos fornecedores. Depois, a carga nos fornecedores ainda pode mudar cerca de 15%. Além disso, a empresa compra os materiais e os envia aos fornecedores, mantendo a propriedade.
O ponto de desacoplamento do pedido
Por trás do planejamento ágil está a postergação do ponto de desacoplamento do pedido do cliente (CODP). Ele é o ponto em que a produção deixa de ser genérica e passa a ser dedicada a um cliente.
| Regime | Posição do CODP | Uso citado no PDF |
|---|---|---|
| Fabricação sob pedido | Antes do primeiro processo de transformação | Regime mais popular para itens da moda, porque limita o estoque que não vende |
| Fabricação para estoque | Depois do último processo de transformação | Forma como se produz até o CODP na postergação |
| Postergação | Na etapa do produto semiacabado | Montagem final, etiqueta ou embalagem especial após a confirmação do pedido |
A maioria das empresas usa um sistema híbrido entre postergação e fabricação sob pedido. Por isso, o software precisa aceitar configurações diferentes do CODP. A postergação vale sobretudo para os clássicos, quando tecidos ou malhas podem ser tingidos depois do CODP.
O documento central é a lista, uma projeção do andamento da produção. Ela reúne as peças acabadas ou em processo de cada pedido, por data e prioridade. Em geral, é atualizada toda noite. Assim, a empresa informa aos clientes a data esperada de conclusão.
Rede de abastecimento da cadeia de suprimentos ágil
Por fim, a agilidade na rede é a capacidade de mudar os planos de produção e equilibrar os altos e baixos dos clientes. Os fornecedores, em geral pequenas e médias empresas, desenvolvem essa capacidade com horário flexível e como rede. Afinal, cada um foca uma ou duas operações da cadeia de valor.
A rede da grife tem mais de 660 empresas e cerca de 4 mil colaboradores, em dois níveis: 70 fornecedores de primeiro nível e de 500 a 600 de segundo. Embora os contratos sejam formais, há também cooperação informal. Por exemplo, a empresa se reúne com os parceiros pelo menos duas vezes por ano para explicar as metas da temporada seguinte.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
Uma cadeia de suprimentos ágil combina três frentes: produto fácil de mudar, produção que adia a diferenciação até o pedido e rede de fornecedores próxima e flexível. Em resumo, é assim que as coleções chegam às lojas no tempo certo, sem faltas e sem estoque encalhado.
Conteúdos complementares recomendados
- Logística da moda: A demanda turbulenta das coleções.
- Postponement: A estratégia de adiar a diferenciação do produto.
- MRP e MRP II: O sistema que planeja a produção da grife.

