Como Deve Ser a Cultura Organizacional de Uma Empresa? Saiba Aqui!
Cultura organizacional é o conjunto de pressupostos que um grupo aprendeu a usar para resolver seus problemas e que passou a ensinar aos novos integrantes como a maneira correta de agir. A definição parece abstrata e tem uma consequência bem concreta: cultura não é o que está escrito no quadro da recepção, é o que acontece quando ninguém está olhando e alguém precisa decidir rápido. Numa operação industrial ou logística, ela aparece em coisas verificáveis: se o operador para a linha ao identificar um defeito ou empurra adiante, se o quase acidente é reportado ou abafado, se o inventário divergente é investigado ou ajustado no sistema.
Por isso mudar cultura por comunicado não funciona. O que sustenta o comportamento é o que a empresa efetivamente reconhece, cobra e tolera, e nada disso muda por cartaz. Muda pelo que a liderança faz na exceção, pelo critério de promoção, pelo que entra na avaliação e pelo treinamento que ensina não só a tarefa, mas o porquê dela. Treinamento, aliás, é a alavanca mais subestimada: ele é o único momento estruturado em que a empresa explicita para o time como as coisas devem ser feitas e por quê.
A cultura organizacional de uma empresa é um conjunto de princípios e crenças que ditam o comportamento dos colaboradores, o que impacta na sua produtividade, no relacionamento com os clientes, na retenção de talentos e mais. Por isso que investir em treinamentos que a fortaleçam é fundamental para o sucesso da organização. Diante da importância do assunto, elaboramos este artigo em que explicamos como deve ser uma cultura organizacional, como os treinamentos auxiliam na sua intensificação, quais são os tipos de treinamentos que influenciam no objetivo e quando aplicá-los. Confira!Como investir em treinamentos fortalece a cultura organizacional de uma empresa?
Toda organização tem uma cultura organizacional, independentemente de os gestores terem construído uma, já que ela é o reflexo do ambiente corporativo. Assim, devem ser tomadas medidas para que seja desenvolvida da forma mais vantajosa possível ao negócio. Essa cultura pode ser estabelecida por diferentes formas, como por um Culture Code (código cultural), um regimento interno, ritos padronizados etc. O importante é que ela seja direcionada à inovação, à transparência, à melhoria contínua e à manutenção de um clima agradável. Porém, não basta redigir os documentos para que os colaboradores transformem seu comportamento. É preciso treiná-los para reforçar a missão e a visão, bem como para exaltar seus valores. Isso garantirá amplos benefícios à organização, como:- alinhamento das ações dos profissionais com as práticas desejadas;
- melhor comunicação e engajamento do pessoal;
- retenção dos talentos, que são os profissionais com perfil ideal para a empresa;
- melhoria contínua e incentivo ao crescimento profissional.
Quais são os tipos de treinamentos e quando realizá-los na empresa?
O gestor deve escolher um tipo de treinamento de capacitação que incentivem práticas que estejam alinhadas à cultura corporativa, bem como para maximizar os resultados. Confira alguns tipos abaixo!Presencial orientado por um instrutor
Os treinamentos presenciais são os mais utilizados pelas empresas, pois são considerados mais eficientes. Na prática, eles são similares a outros ministrados em ambientes educacionais: especialistas no assunto preparam uma aula, geralmente em estilo de palestra, vão até a organização e apresentam o conteúdo presencialmente à equipe. Também é possível que eles façam treinamentos de outras formas, com a simulação de situações com clientes e com o ensinamento acerca de como os colaboradores devem agir, orientando sobre relações interpessoais etc. Essa modalidade pode ser usada sempre que a empresa pretende desenvolver sua cultura organizacional, alterá-la ou reforçá-la ao pessoal. Além disso, ela garante benefícios em relação a outras, como:- interação pessoal;
- interação dos profissionais com os instrutores;
- vivência de experiências práticas.
Orientações
São treinamentos preparados pela equipe de Recursos Humanos (RH) da empresa e fornecidos para os novos colaboradores. O treinamento é direcionado a um único colaborador e é aplicado quando nos seus primeiros dias na empresa, ele engloba a cultura corporativa, os procedimentos administrativos, as políticas corporativas, a introdução ao restante da equipe e aos líderes etc.Onboarding
São estratégias que objetivam preparar os novos funcionários para desempenharem suas funções com plenitude. O momento de sua aplicação é imediatamente após a contratação de um novo colaborador. Nele são transmitidas todas as informações necessárias para que eles trabalhem com eficiência e engajem-se com a equipe rapidamente.Desenvolvimento de habilidades
O objetivo, aqui, é suprir dificuldades e fraquezas de determinados colaboradores. Há duas categorias de habilidades que podem ser desenvolvidas nesse treinamento:- hard skills (habilidades técnicas): são as capacidades para realizar atividades técnicas, como uso de softwares, utilização de maquinário etc.;
- soft skills (habilidades interpessoais): representam o aperfeiçoamento de habilidades de comunicação, resolução de conflitos, inteligência emocional, treinamento de liderança etc.
O modelo mais usado para enxergar isso é o de Edgar Schein, apresentado em Organizational Culture and Leadership, de 1985. Ele separa a cultura em três níveis. O primeiro é o dos artefatos: o que se vê e se ouve, como layout, uniforme, rituais, linguagem e organização do posto de trabalho. É o nível mais fácil de observar e o mais difícil de interpretar, porque a mesma prática pode ter significados opostos em duas empresas. O segundo é o dos valores assumidos: o que a organização declara acreditar, o discurso oficial, o código de conduta. O terceiro é o dos pressupostos básicos: as crenças tão consolidadas que ninguém discute mais, e que são as que realmente governam a decisão do dia a dia. A distância entre o segundo e o terceiro nível é o diagnóstico mais útil que uma empresa pode fazer sobre si mesma: quando o valor declarado é segurança e o pressuposto real é que entregar no prazo vem primeiro, é o pressuposto que vence, todos os dias.
Os três níveis da cultura, aplicados à operação
| Nível | O que é | Como aparece na operação | Como observar | Como se muda |
|---|---|---|---|---|
| Artefatos | O visível: layout, rituais, linguagem, sinalização | Organização do posto, quadro de indicadores atualizado ou não, estado das ferramentas | Caminhada pela operação, sem aviso prévio | Rápido, e sozinho não sustenta mudança |
| Valores assumidos | O declarado: missão, código de conduta, política | Cartazes de segurança, metas divulgadas, treinamento de integração | Leitura dos documentos e do discurso da liderança | Por decisão, com efeito limitado se não chegar ao terceiro nível |
| Pressupostos básicos | O que ninguém discute mais e governa a decisão | O que acontece quando prazo e segurança entram em conflito | Observação da exceção: o que se faz quando o plano falha | Devagar, pelo que a liderança reconhece, cobra e tolera |
É o conjunto de pressupostos que um grupo aprendeu a usar para resolver seus problemas e passou a ensinar aos novos integrantes como a forma correta de agir. Na prática, é o que acontece quando ninguém está olhando e alguém precisa decidir rápido, e não o que está escrito no quadro da recepção.
Segundo o modelo de Edgar Schein, apresentado em Organizational Culture and Leadership, de 1985, são os artefatos, que é o visível, como layout, rituais e linguagem; os valores assumidos, que é o declarado, como missão e código de conduta; e os pressupostos básicos, que são as crenças tão consolidadas que ninguém discute e que governam a decisão do dia a dia.
Observando a exceção, não a rotina. A cultura declarada aparece nos documentos; a real aparece no que se faz quando o plano falha e dois valores entram em conflito, tipicamente prazo e segurança, ou custo e qualidade. Quem decide o que fazer nesse momento, e o que a empresa faz com essa decisão depois, revela o pressuposto que governa de fato.
Em comportamentos verificáveis: se o operador para a linha ao identificar um defeito ou empurra adiante; se o quase acidente é reportado ou abafado; se o inventário divergente é investigado ou apenas ajustado no sistema; se o quadro de indicadores está atualizado ou parou em um mês qualquer. Cada um desses é uma resposta prática à pergunta sobre o que a empresa realmente cobra.
Porque comunicado atua no nível dos valores declarados, e o comportamento é governado pelos pressupostos básicos. Enquanto o critério de promoção, o que entra na avaliação e o que a liderança tolera na exceção continuarem os mesmos, o pressuposto antigo permanece intacto, e a distância entre discurso e prática aumenta, o que costuma piorar a credibilidade da mensagem.
Treinamento é o momento estruturado em que a empresa explicita como as coisas devem ser feitas e por quê, e por isso é uma das poucas alavancas que alcançam os três níveis ao mesmo tempo. Ele funciona quando ensina o critério por trás do procedimento, e não apenas o passo a passo: quem entende a razão da regra sabe decidir na situação que o procedimento não previu, e é ali que a cultura se manifesta.
Desenvolvimento de Gestores
Coordenadores e Supervisores
Capacitação prática com especialistas de mercado
VER DETALHES DO CURSO →Por: IMAM

