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Série Armazenagem

Armazém Inteligente

Por IMAM em 19 de agosto de 2020 • Atualizado em 22 de setembro de 2026
52
10 minutos para ler

Introdução

No contexto da cadeia de abastecimento, uma importante função para atender com efetividade a sua gestão é a armazenagem.

Armazém inteligente é aquele em que as decisões operacionais são tomadas a partir de dado capturado na própria operação, e não da memória de quem trabalha nele. Não se trata de um patamar único de tecnologia: é um caminho com etapas, e a primeira delas não custa caro. Ela consiste em parar de digitar o que a operação pode ler: recebimento, endereçamento, separação e inventário passando por leitura de código em vez de anotação e digitação posterior. Sem isso, qualquer camada acrescida acima processa um dado que já nasceu atrasado e com erro.

A ordem importa mais do que a escolha de fornecedor, e ela é contraintuitiva para quem está sob pressão de resultado: organizar, depois medir, depois automatizar. Automatizar antes de organizar entrega um equipamento caro executando mais rápido um processo que não deveria existir, e o desperdício, que antes era visível, passa a ficar embutido no ciclo da máquina. É por isso que projetos de armazém inteligente que começam pelo equipamento costumam entregar menos do que prometeram, enquanto os que começam pelo endereçamento e pela acuracidade entregam ganho antes mesmo de comprar qualquer coisa.

Sua importância dá-se pelo fato de que a mesma constitui um sistema de abastecimento, em relação ao fluxo logístico, que serve de guia para a uniformidade e a continuidade deste, assegurando um adequado nível de serviço ao consumidor final.

Neste sentido, o processo de armazenagem é visto mais como um prestador de serviços do que uma função que agrega valor ao produto, ou seja, a armazenagem não agrega valor ao produto e sim custos. Assim sendo podemos considerar que a mesma caracteriza-se como um mal necessário para as organizações conduzirem adequadamente os seus processos logísticos.

Desta forma, podemos caracterizar a missão da armazenagem como sendo um processo de gestão do fluxo de materiais quando o mesmo assume velocidade zero, assegurando o nível de serviço ao consumidor final, bem como maximizando a produtividade operacional através do melhor aproveitamento dos recursos (espaço, tempo, pessoas, equipamentos, etc.).

WMS, Warehouse Management System (Sistema de Gerenciamento de Armazém)

Um WMS pode ser definido como a integração de software, hardware e equipamentos periféricos para gerenciar estoque, espaço, equipamentos e mão-de-obra nas atividades de armazenagem, objetivando atender a missão da armazenagem.

Em linhas gerais, um WMS é um Sistema de Gestão (software) que melhora a operacionalidade da armazenagem pelo eficiente gerenciamento de informações e dos recursos operacionais do mesmo.

As informações utilizadas pelo WMS podem ser provenientes de empresas de transporte, da produção, do sistema corporativo (ERP), dos recursos operacionais de um armazém (pessoas, equipamentos, etc.), dos clientes e/ou fornecedores, entre outros. O WMS utiliza estas informações para receber, inspecionar, estocar, separar, embalar e expedir mercadorias da forma mais otimizada possível.

Tecnologia da informação aplicada à armazenagem

Os sistemas de informação para aplicações em armazéns foram desenvolvidos para atender às necessidades específicas de armazenagem que não eram atendidas pelos sistemas corporativos até então existentes.

Logo, precisamos deixar claro que os sistemas de gerenciamento de armazéns (WMS) que estamos abordando nesta série são apenas uma parte dos sistemas de informação voltados à armazenagem, que compreendem, também o DRP (“Distribution Requirements Planning”, Planejamento das Necessidades de Distribuição), TMS (“Transportation Management Systems”, Sistemas de Gerenciamento de Transportes), EDI (“Electronic Data Interchange”, Intercâmbio Eletrônico de Dados), Auto ID (“Automatic Identification”, Identificação Automática), RFDC (“Radio Frequency Data Collection”, Coleta de Dados por Radiofreqüência), entre outros mais específicos e customizados, que garantem qualidade e velocidade de informações, racionalizando e otimizando a logística de armazenagem.

A figura ilustra como se interrelacionam todos os Sistemas de Informações voltados à armazenagem, visando a melhoria das empresas quanto à competitividade.

Conforme podemos notar, sistemas de informação para a armazenagem devem prover rapidamente, informações de qualidade. Informações rápidas e de qualidade são a base da eficiência das operações de armazenagem.

Soluções de mercado

O que é visto no mercado, é a oferta de um número cada vez maior de soluções WMS, flexíveis e configuráveis, que já passaram por alterações durante o seu processo de desenvolvimento e implementação em empresas dos mais variados segmentos.

Estas soluções WMS, denominadas de “pacotes ou módulos de um ERP” estão disponíveis no mercado e possuem as mais diversas características operacionais e funcionais, possibilitando a sua utilização em qualquer ambiente logístico.

A escolha da melhor solução é feita através de uma criteriosa análise de diversos parâmetros, dos quais podemos citar como principais: a adequação da solução (características operacionais e funcionais) ao processo de armazenagem (EAR, Estrutura Analítica das Rotinas), que é fruto da estratégia logística adotada pela empresa, bem como a análise do melhor fornecedor do sistema.

Mas como escolher o melhor fornecedor?

Antes de escolher a melhor solução, sua empresa precisará refletir sobre qual estratégia irá adotar em relação à tecnologia da informação, pois poderá investir no desenvolvimento interno de uma solução para deter domínio sobre a tecnologia WMS ou investir num parceiro tecnológico que se encarregará de implementar e aprimorar constantemente sua logística de armazenagem.

A partir desta decisão estratégica, a escolha de uma possível solução ou parceiro de tecnologia adquire um aspecto mais abrangente do que a simples avaliação da solução.

Características do parceiro, tais como porte da empresa, capacidade de atualização, ética profissional, assistência técnica, riscos, entre outros fatores sobressaem-se na decisão da melhor solução de mercado.

4.5

Conclusão

A tecnologia de WMS encontra-se em franca expansão, tornando-se literalmente o sistema central de informações das operações de armazenagem e distribuição.

À medida que a tecnologia avança, o que foi pensado como solução customizada, será no futuro, considerado como padrão.

Logo, é importante que se faça uma ampla e abrangente análise das necessidades de operacionalidade e funcionalidade para o futuro sistema.

A solução escolhida precisa satisfazer as necessidades do processo logístico de armazenagem e não o inverso, como em muitas empresas acontece, ou seja, as necessidades oriundas do processo ficam comprometidas, ou melhor, não são plenamente atendidas, em função de restrições impostas pelo software. A necessidade de integração, comentada anteriormente, aliada a crescente necessidade de velocidade e qualidade de informações são os propulsores de novos conceitos de planejamento e gestão.

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Antes de automatizar, é preciso saber de onde se está partindo, e existe referência pública para isso. O WERC (Warehousing Education and Research Council) publica, no relatório DC Measures, os patamares de desempenho que servem de linha de base para decidir e para comparar. Três deles bastam antes de qualquer projeto: a acuracidade de separação, cuja mediana fica em torno de 99,30% com o patamar de melhor da classe a partir de 99,9%, o tempo de doca a estoque e a acuracidade de contagem de inventário. Medir esses três antes de qualquer projeto tem duas funções. A primeira é decidir: um armazém com acuracidade de separação bem abaixo da mediana tem problema de processo e de endereçamento, e automatizar nesse estado é comprar velocidade para o erro. A segunda é provar: sem a medição anterior, qualquer ganho depois da automação vira discussão de opinião, e o investimento fica sem defesa na próxima revisão de orçamento.

Veja também: Armazenagem cresce para prestar um melhor serviço

Os quatro estágios do armazém inteligente

EstágioO que caracterizaInvestimentoO que ganhaPré-requisito
1. OrganizadoEndereçamento físico e cadastro padronizadoBaixoEncontrar sem depender de memóriaDecisão de padronizar
2. MedidoCaptura por código de barras e indicadores acompanhadosBaixo a médioSaber o que acontece no momento em que aconteceEstágio 1 concluído
3. DirigidoWMS orientando tarefa, rota e conferênciaMédioProdutividade e queda de erro na separaçãoCadastro e inventário confiáveis
4. AutomatizadoEquipamento movimentando material com pouca intervençãoAltoEscala e redução de movimentação manualProcesso estável e volume que justifique
O que é um armazém inteligente?

É aquele em que as decisões operacionais são tomadas a partir de dado capturado na própria operação, e não da memória de quem trabalha nele. Não é um patamar único de tecnologia: é um caminho com estágios, que começa por endereçar e padronizar cadastro, passa por capturar o dado por leitura e chega à automação de movimentação.

Por onde começar a tornar um armazém inteligente?

Pelo endereçamento e pelo cadastro. Antes de qualquer sistema, é preciso que cada posição tenha identificação legível e igual à do sistema, e que cada item tenha unidade, embalagem e dimensões corretas. Esse passo custa pouco e é o que torna todos os seguintes possíveis, porque tanto o WMS quanto o equipamento automatizado dependem de saber onde as coisas estão e quanto elas ocupam.

Automatizar sempre melhora a operação?

Não. Automatizar antes de organizar entrega um equipamento caro executando mais rápido um processo que não deveria existir, e o desperdício deixa de ser visível porque passa a estar embutido no ciclo da máquina. A ordem que funciona é organizar, medir e só então automatizar, com a automação aplicada ao processo já simplificado.

Quais indicadores medir antes de investir em automação?

Acuracidade de separação, tempo entre a chegada do material e a disponibilidade dele para uso, e acuracidade de contagem de inventário. O relatório DC Measures, do WERC, acompanha esses três entre os indicadores centrais de armazém, e a acuracidade de separação tem mediana em torno de 99,30%, com melhor da classe a partir de 99,9%. Medir antes serve para decidir e para provar o ganho depois.

A partir de que volume a automação se paga?

O critério não é o faturamento e sim a repetição: número de movimentações por dia, estabilidade do mix e previsibilidade do fluxo. Automação se paga onde o mesmo movimento se repete muitas vezes, com pouca variação. Operação de baixo volume, ou com mix que muda a cada mês, costuma ganhar mais com endereçamento, sistema de execução e organização de posto do que com equipamento.

Armazém inteligente é o mesmo que armazém automatizado?

Não. Automatizado descreve o quarto estágio, o do equipamento que movimenta material com pouca intervenção humana. Inteligente descreve a operação que decide com base em dado, o que já acontece a partir do segundo estágio, quando a captura deixa de ser digitação. Existe armazém automatizado com informação ruim, e ele é caro e continua errando.

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Por: IMAM

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Tags: automatizar, endereçamento
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