CD próprio: caso de centro de distribuição que reduziu custos em 45%
CD próprio em resumo: CD próprio foi a solução de um fabricante de ingredientes alimentícios para sair de um armazém terceirizado defasado. Com 2 mil posições-palete, pé-direito de 12 m, crossdocking diário e WMS, o novo centro reduziu os custos operacionais em 45%, sem contar o transporte, e deve atender ao crescimento da empresa por dez anos.
Projetos simples são cada vez mais necessários nas operações logísticas. Um bom exemplo, que o acervo técnico da IMAM registrou, é o CD próprio que um dos maiores fabricantes de ingredientes alimentícios do mundo inaugurou em 2009 na região metropolitana de São Paulo.
Além disso, o novo centro estoca 300 SKUs e faz crossdocking todos os dias. Também reduziu os custos operacionais em 45%, sem somar o transporte, e deve suportar o crescimento da companhia por dez anos. A seguir, veja como a empresa montou o projeto.
Por que trocar o armazém terceirizado por um CD próprio
A operação antiga era defasada. Ela encarecia o processo, limitava a pulverização dos produtos e gerava perdas. Na época, a distribuição se dividia entre os produtos nacionais, que saíam da própria fábrica no interior paulista, e os importados, que respondiam por 50% dos itens vendidos.
Por isso, o projeto mirou principalmente o custo de locação de posições-palete nos picos de armazenagem, causados pela alta sazonalidade. Além disso, aproveitou a sinergia de centralizar a logística na sede administrativa.

Como foi projetado o CD próprio
A empresa projetou, com a IMAM Consultoria, um CD enxuto, suficiente para os importados e para o crossdocking diário da produção da fábrica, sem formar estoque. Além disso, a empresa ergueu o prédio só para armazenagem, sem escritórios nem mezaninos para outras atividades. Assim, a operação aproveita todo o espaço.
| Item | Dado do projeto |
|---|---|
| Área | 2 mil m², divididos entre câmara fria a 10 ºC e área de produtos secos |
| Capacidade | 2 mil posições-palete, pé-direito de 12 m e oito níveis por estrutura |
| Investimento | R$ 2 milhões, com obra, engenharia, equipamentos e WMS |
| Retorno previsto | Dois anos |
| Prazo de obra | Cerca de sete meses, do fim de janeiro a agosto |
| Ocupação | 65% na época, com previsão de atender por dez anos |
| Equipamentos | Duas empilhadeiras elétricas e dois transpaletes elétricos |
As duas docas ficam em área externa, onde a equipe recebe, separa e encaminha os produtos ao estoque. A mesma área recebe de duas a três cargas de 28 toneladas para o crossdocking, que a equipe faz no fim da madrugada. Dessa forma, ele não conflita com o fluxo dos importados, e o último embarque sai até as 9 h, longe dos congestionamentos da capital.

Pontos fortes do CD próprio
- Terreno próprio: o projeto aproveitou uma área ociosa na sede, o que reduziu custos e aproximou departamentos.
- Retorno rápido: a previsão era recuperar o investimento de R$ 2 milhões em dois anos.
- Sem paredes de alvenaria: chapas isolantes sobre a estrutura pré-moldada mantêm a área seca a até 20 ºC, mesmo sem janelas.
- Crossdocking: substituiu a estocagem dos itens que a fábrica produz no país, com a ajuda das docas externas.
- WMS desde o início: aumentou o controle do estoque e otimizou a movimentação.
O WMS, aliás, foi fundamental para um fluxo enxuto. Primeiro, a equipe mediu a altura de todos os modelos de paletes cheios. Com isso, criou quatro perfis de palete, entre 1 m e 2 m de altura, que definiram a medida dos níveis. Então, ao ler o código de barras do palete, o sistema indica o nível certo.
Além disso, os produtos de menor giro ficam no fundo e nas posições mais altas. Assim, as empilhadeiras e os transpaletes não percorrem grandes trajetos com frequência.

Transporte com uma só transportadora
A estrutura antiga usava duas transportadoras. Com o novo CD, a empresa passou a focar na qualidade da movimentação, da armazenagem e da distribuição, para não elevar o custo com avarias. Por isso, optou por uma única transportadora, com seguro e um só sistema de indenização, o que reduziu o risco de perdas.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
O caso mostra que um CD próprio simples, bem dimensionado e apoiado por crossdocking e WMS pode cortar custos de forma expressiva. Em resumo, o segredo foi construir só o necessário, aproveitar o terreno e organizar o fluxo pelo giro.
Conteúdos complementares recomendados
- Crossdocking: Como funciona a passagem direta pela doca.
- Dez dicas para reduzir custos de armazenagem: Outras formas de cortar gastos no armazém.
- O que é WMS: O sistema que orientou a movimentação.

