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IMAM Blog Engenharia de Produção e Operações Desindustrialização no Brasil: a questionável perda de espaço da indústria

Engenharia de Produção e Operações

Desindustrialização no Brasil: a questionável perda de espaço da indústria

  • Por Reinaldo Moura
  • Publicado em 24/11/2021
  • Atualizado em 15/10/2026
  • 5 min de leitura
desindustrialização
Sumário executivo

Desindustrialização em resumo: Segundo o autor, a indústria nacional, que já representou quase 30% do PIB, caiu para apenas 14%. Além disso, a supervalorização do real impulsiona importações, sobretudo da China, e substitui a produção doméstica sem que a indústria se modernize. Por isso, o post conclui que o Brasil vive uma desindustrialização, agravada pela tributação e pela falta de mão de obra.

A indústria nacional, que já representou quase 30% do PIB, vem tendo sua participação reduzida ao longo dos últimos anos para apenas 14%.

Muitos setores da economia reclamam da onda de importação de produtos, sobretudo da China, impulsionada pela supervalorização do real. A situação é semelhante à vivenciada no País na década de 1990, quando ocorreu a cha­mada “farra” dos importados. A desculpa é manter a inflação sob controle, algo, porém, impossível de se conseguir por muito tempo.

O setor de máquinas é um dos mais prejudi­cados com essa política, inclusive os fabricantes nacionais de equipamentos de movimentação e armazenagem. Raros são os sobreviventes.

Apesar de outros setores estarem se be­neficiando – lei da oferta e da procura – essa desenfreada importação, aliada à timidez da exportação de bens com valor agregado, coloca o Brasil em situação delicada.

Além desse descompasso, a elevada tributa­ção e a falta de mão de obra qualificada são os principais desafios para a competitividade do País. Para efeito de comparação, na última dé­cada o PIB da China cresceu 44%, o da Índia 30% e o Brasil não ultrapassou 20% de crescimento nesse período, ou seja, estamos crescendo, mas outros países crescem mais.

Por um lado, o câmbio atual barateia os produtos brasileiros ao reduzir o preço dos in­sumos mas pode favorecer a modernização de nosso parque industrial, já que fica mais barata a importação de máquinas. Mas não estamos aproveitando esse lado da moeda. Não há país de­senvolvido sem uma indústria de bens de capital forte; nosso foco deveria ser a produtividade.

O que estamos vivenciando é uma desin­dustrialização.

A valorização do dólar substitui a produção doméstica e acaba provocando um sucateamento da indústria, já que não estamos fazendo investimentos em sua modernização.

Em resumo, o aumento desmedido das impor­tações tem impacto direto sobre o setor produ­tivo. Agrava o processo de desindustrialização, cujos efeitos reais são sentidos no cotidiano das pessoas em termos de riqueza não produzida.

A indústria nacional, que já representou quase 30% do PIB, vem tendo sua participação reduzida ao longo dos últimos anos para apenas 14%.

Houve progressos expressivos na economia brasileira nos últimos anos, como em quesitos da sofisticação do mundo empresarial, desenvolvi­mento do mercado financeiro, etc. No entanto, continuamos a registrar um desempenho pífio em aspectos cruciais, como infraestrutura logística, tributação, regulamentação governamental, di­mensão dos gastos do governo e confiança nos políticos e na Justiça.

* Reinaldo Moura: Criador e Fundador do Grupo IMAM em 1979 (Instituto IMAM, IMAM Editora e IMAM Consultoria) e Diretor Técnico das Missões de Estudo ao Japão. 50 anos de experiência profissional, em mais de 100 empresas. Pioneiro na introdução conceitos no Brasil, tais como: MAM, Intralogística, Kanban, Housekeeping/5S, TPS/JIT/Lean/Toc – Treinamento e Assessoria. Publisher da Revista LOGÍSTICA desde 1980 (300 edições). Formado em Engenharia Industrial (FEI), em Engenharia de Segurança do Trabalho (FEI) e mestrado em Engenharia de Produção (Poli-USP). Ex-professor universitário: FEI, UMC, Mackenzie, Mauá etc.

O que o post aponta como causas e efeitos

Em resumo, os pontos levantados pelo autor:

PontoO que o post afirma
Peso da indústriaDe quase 30% para apenas 14% do PIB
ImportaçõesImpulsionadas pela supervalorização do real, sobretudo da China
Setores atingidosMáquinas, inclusive equipamentos de movimentação e armazenagem
CompetitividadeElevada tributação e falta de mão de obra qualificada
Oportunidade perdidaCâmbio que baratearia a modernização do parque industrial

Perguntas frequentes sobre desindustrialização no Brasil

O que significa desindustrialização?

Desindustrialização é a perda de participação da indústria na economia de um país, com a produção doméstica sendo substituída por importações. Segundo o autor, seus efeitos reais aparecem no cotidiano das pessoas em termos de riqueza não produzida.

O Brasil se desindustrializou?

Para o autor, sim. Na época do post, a indústria nacional, que já havia representado quase 30% do PIB, tinha caído para apenas 14%, com a produção doméstica substituída por importações e sem investimentos na modernização do parque industrial, o que leva ao sucateamento da indústria.

Qual o papel do câmbio na desindustrialização?

A supervalorização do real impulsiona a importação de produtos, sobretudo da China, situação que o autor compara à farra dos importados da década de 1990. Por outro lado, o câmbio poderia baratear a importação de máquinas e favorecer a modernização, lado que, segundo ele, não estava sendo aproveitado.

Quais setores são mais prejudicados?

O setor de máquinas é um dos mais prejudicados, inclusive os fabricantes nacionais de equipamentos de movimentação e armazenagem, dos quais, segundo o autor, raros são os sobreviventes. Para ele, não há país desenvolvido sem uma indústria de bens de capital forte.

Quais os principais desafios para a competitividade do país?

O post cita a elevada tributação e a falta de mão de obra qualificada. Também aponta desempenho fraco em infraestrutura logística, regulamentação governamental, dimensão dos gastos do governo e confiança nos políticos e na Justiça, e defende o foco na produtividade.

Conteúdos complementares recomendados

  • O que é competitividade: Além disso, o conceito por trás do debate.
  • Engenharia industrial: história e papel: Ou seja, o papel da indústria na produtividade.
  • Infraestrutura rodoviária no Brasil: Por fim, um dos gargalos citados no post.

Por

Reinaldo Moura

Fundador e presidente do Conselho do Grupo IMAM

Fundador do Grupo IMAM em 1979 (Instituto IMAM, IMAM Editora e IMAM Consultoria) e Diretor Técnico das Missões de Estudo da IMAM. 50 anos de experiência profissional, em mais de 100 empresas. Pioneiro na introdução conceitos no Brasil, tais como:…

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