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IMAM Blog Supply Chain e Logística Modais de transporte no Brasil: o caminho para o equilíbrio da matriz

Supply Chain e Logística

Modais de transporte no Brasil: o caminho para o equilíbrio da matriz

  • Por Antonio Rezende
  • Publicado em 24/02/2022
  • Atualizado em 15/10/2026
  • 10 min de leitura
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Modais de transporte em resumo: Os modais de transporte no Brasil ainda estão desequilibrados: o rodoviário concentra cerca de 60% do total, embora seja mais adequado a distâncias de até 400 a 500 km. Ferroviário e aquaviário servem a grandes volumes e longas distâncias, com economia de 20% a 30%. Por isso, o autor via melhorias em 2 a 5 anos.

Durante as duas últimas décadas foram feitos artigos e pesquisas sobre a importância do equilíbrio dos modais na “matriz de transportes” no Brasil, até que recentemente foi possível visualizar “uma luz no final do túnel” e possibilita esperar que as recentes ações comessem e se concretizar a médio prazo, 2 a 5 anos, com aumento da eficiência e redução de custos.

Quando avaliamos a utilização dos diversos modais não podemos simplificar as ações a tomar, mas avaliar a disponibilidade (ou falta) de infraestrutura e/ou equipamentos dos modais mais adequados a cada tipo de produto (valor agregado, volumes e distâncias a percorrer).

A seguir faremos um breve resumo sobre a situação dos diversos modais:

Rodoviário – Continua Sendo o Principal Modal:

Seu uso é adequado para distâncias de até 400km a 500km, porém como não há disponibilidade dos outros modais são realizadas viagens por todo o País o que implica no excesso de concentração neste modal (~60% do total), cujo custo (R$/t/km) é maior que dos outros modais;

O destaque é a disponibilidade para operações porta-a-porta, apesar dos custos e da infraestrutura deficiente (grande parte das rodovias inadequadas e parte dos veículos com idade além da razoável), tem destacada participação nas distancias menores, transferências e na chamada “última milha” (“last mail”), porém apresenta algumas inseguranças (pouco respeito ao limite regulamentar de horas trabalhadas, transportadores querendo cobrar mais e os embarcadores pagar menos, questionamentos do tabelamento, potencial de greve, roubo de cargas, etc.).

Resumindo: o transporte rodoviário será sempre muito importante para curtas e médias distâncias, devendo apenas rever os aspectos negativos citados acima. 

Aquaviário (Hidroviário, Marítimo, Cabotagem) – Grande Potencial para Transportes ao Longo da Costa:

Este modal de transporte representa aproximadamente 14% do total transportado e assim como o ferroviário é bom para grandes volumes/pesos, produtos de médio e baixo valor agregado e distancias acima 400km a 500km, com economia entre ~20% a 30% no custo, apesar do maior transit-time (tempo da origem => terminais => destino, mais as esperas).

Para o hidroviário (hidrovias/rios navegáveis) o destaque é o transporte de produtos agrícolas “in natura” de baixo valor agregado e está em andamento um projeto denominado de “Arco Norte” que é a implantação de 7 terminais privados ou públicos nos rios Tapajós, Madeira e Amazonas, com objetivo receber a safra da região centro-oeste, principalmente para exportação, com significativa economia de custo e prazo devido ao percurso muito menor se comparado com o sudeste (Santos), porém dependerá das interligações rodoviárias e ferroviárias.

A implantação de uma hidrovia depende do calado (profundidade) e desnível do rio, o que poderá demandar a construção de eclusas (normalmente representam grandes investimentos).

Quando falamos de marítimo o destaque é para o transporte internacional, que depende muito da eficiência dos nossos portos (infraestrutura e burocracia alfandegária, fiscalização e vigilância sanitária) que é razoável quando comparado com os demais modais e depende de algumas melhorias.  

A cabotagem (transporte marítimo na costa) representa ~11% da matriz. O Brasil tem ~8.000km de costa que deveria ser melhor aproveitado, porém depende de transbordo dos polos industriais que estão a até ~300km da costa) com potencial economia de custo, entre 20% a 30%.

O destaque é para o transporte de petroquímicos, produtos agrícolas e industriais, que atualmente em grande parte vão de caminhão e poderiam ser transportados a granel ou por contêiner.

Pontos negativos: baixo volume de cargas (o armador reclama que não tem carga e o embarcador que não tem navio) e muitas escalas intermediárias, o custo é sensivelmente menor, porém tem maior transit-time o que leva o embarcador a optar pelo TRC. 

A novidade é projeto de lei 4199/2020, conhecido como “BR do MAR” que tem como objetivo aumentar a oferta da cabotagem e principalmente reduzir custos, prevendo ampliar o volume de contêineres, de 1,2 milhão de TEU´s em 2019, para 2 milhões de TEU´s, em 2022 (+66%), podendo melhorar o equilíbrio da matriz de transporte.  O programa foca em 4 eixos: Aumentar Disponibilidade da Frota: estimular que Empresas Brasileiras de Navegação (EBN`s) possam realizar afretamentos a tempo (navio é afretado com a bandeira estrangeira, para diminuir custos operacionais) para substituir embarcações que estiverem em reparo, ou construção;  Indústria Naval: fomentar o segmento de manutenção e reparos em estaleiros brasileiros, que hoje utilizam estaleiros estrangeiros;  Custos: ações para viabilizar o aumento da competitividade da cabotagem, reduzindo burocracias que sobrecarregam as operações;  Portos: permissão do uso de contratos temporários para movimentação de cargas e agilizando a operação de terminais dedicados à cabotagem;

Em 16/ 12/ 2021 a câmara concluiu a aprovação “BR do MAR”, cujo texto seguiu para sanção.

Recomendações relativas à Cabotagem: Em função do exposto as empresas que já tentaram operar com este modal sem sucesso, principalmente devido à baixa frequência (espera no porto), e grande “transit-time”, devem ficar atentas às mudanças que deverão ocorrem em 1 a 3 anos.

Ferroviário – Bom Potencial para Produtos: 1º) De Baixo Valor e Grandes Distâncias e 2º) Médio Valor:

Em primeiro lugar devemos destacar que os autodenominados “especialistas” que clamam pelo aumento do transporte ferroviário deveriam entender que, sim seria importante a ampliação, porém devem ser avaliadas algumas restrições que serão relacionadas a seguir:

Atualmente representa aproximadamente 20% a 25% do total transportado e assim como o marítimo é bom para grandes volumes/pesos, produtos de médio e baixo valor agregado e distancias acima 400km a 500km, com economia entre ~20% a 30% no custo, apesar do maior transit-time (tempo da origem => terminais => destino, mais as esperas).

Na década de 1990, devido a dificuldades econômicas foi iniciado o processo de concessões, que só previam melhorias na infraestrutura (dormentes, trilhos, sinalização, etc.) e novo material rodante, para reduzir o número de acidentes e aumentar a ocupação/rentabilidade dos ativos, porém não previa a ampliação da malha, o que tem sido contemplado mais recentemente com as parcerias público-privadas (PPI).

Apesar de ser muito bom/competitivo para produtos de médio e baixo valor agregado, será importante o aumentado do uso para contêineres, o que caracteriza o transporte de produtos de médio/alto valor agregado.

Está prevista a privatização (não confundir com concessão) de diversos novos trechos (~R$13 bilhões), com destaque para a interligação das ferrovias “centro-Oeste” com a “Norte-Sul” para facilitar o escoamento da produção agrícola para o “Arco Norte”, com vistas a exportação.

Recomendações Relativas ao Transporte Ferroviário: Em função do exposto as empresas que já tentaram operar com este modal sem sucesso, principalmente devido à baixa disponibilidade (infraestrutura deficiente que dificulta a velocidade e falta de equipamentos rodantes), devem ficar atentas às mudanças que deverão ocorrem em 2 a 5 anos.

Os demais modais:

O transporte aeroviário de cargas interno representa menos que 1% e com custo bem maior, entretanto muito bom para itens de alto valor agregado, pequeno porte/peso, perecíveis e urgentes

E o dutoviário representa ~3% a 4% (petróleo, combustíveis, gás, etc) e depende de projetos específicos e grandes investimentos, porém com custo operacional extremamente competitivo.

O que podemos concluir:

Reiterando o que comentamos acima existe uma perspectiva de melhoria a médio e longo prazos, (2 a 5 anos) pois além das ações da iniciativa privada o ministério da infraestrutura entendeu o problema da logística e está tomando medidas para melhorias, algumas no próprio ministério ou enviando projetos de lei (PL´s) para o congresso (nota: favor considerar que esta é uma interpretação técnica do autor, sem nem um viés político).

Autor: Antonio Carlos da Silva Rezende é engenheiro mecânico e de segurança no trabalho pela FEI, extensão pela FGV, qualificação em mestrado pela Escola Politécnica da Universidade São Paulo e gerente da divisão de logística do IMAM, entidade dedicada ao treinamento, publicações e consultoria. antonio.rezende@imam.com.br

Veja também: A Safra Surpresa

A participação dos modais na matriz de transportes

Em resumo, os números e usos indicados no post:

ModalParticipaçãoUso mais adequado
RodoviárioCerca de 60%Curtas e médias distâncias, até 400 a 500 km, e operações porta a porta
Ferroviário20% a 25%Grandes volumes, produtos de médio e baixo valor e distâncias acima de 400 a 500 km
AquaviárioCerca de 14% (cabotagem, cerca de 11%)Grandes volumes, médio e baixo valor e longas distâncias, com maior transit time
AeroviárioMenos de 1%Itens de alto valor, pequeno porte, perecíveis e urgentes
DutoviárioCerca de 3% a 4%Petróleo, combustíveis e gás, com custo operacional muito competitivo

Perguntas frequentes sobre modais de transporte no Brasil

O que quer dizer modais de transporte?

Modais são os modos de transporte usados para levar cargas e pessoas, como o rodoviário, o ferroviário e o aquaviário, que inclui hidrovias, transporte marítimo e cabotagem. Segundo o autor, a escolha do modal depende da infraestrutura disponível e do tipo de produto, considerando valor agregado, volume e distância.

Por que o transporte rodoviário concentra a matriz brasileira?

Porque faltam outros modais disponíveis, então se fazem viagens de caminhão por todo o país, mesmo acima dos 400 a 500 km para os quais o modal é adequado. Ele responde por cerca de 60% do total e se destaca no porta a porta, mas sofre com rodovias ruins, frota envelhecida, roubo de cargas e risco de greve.

Quando a ferrovia e a cabotagem são indicadas?

Segundo o post, para grandes volumes e pesos, produtos de médio e baixo valor agregado e distâncias acima de 400 a 500 km, com economia de cerca de 20% a 30% no custo, apesar do maior tempo de trânsito. O autor destaca ainda a importância de ampliar o uso de contêineres, que levam produtos de maior valor.

O que é a BR do Mar?

É o projeto de lei 4199/2020, que busca aumentar a oferta da cabotagem e reduzir custos, ampliando o volume de contêineres de 1,2 milhão de TEUs em 2019 para 2 milhões em 2022. Foca em frota, indústria naval, custos e portos. Na data do post, a Câmara havia concluído a aprovação em dezembro de 2021 e o texto seguia para sanção.

O que é o projeto Arco Norte?

É a implantação de sete terminais, privados ou públicos, nos rios Tapajós, Madeira e Amazonas para receber a safra do Centro-Oeste, principalmente para exportação, com economia de custo e prazo em relação ao Sudeste. Segundo o autor, o projeto depende das interligações rodoviárias e ferroviárias.

Conteúdos complementares recomendados

  • Evolução da cabotagem: Além disso, o modal costeiro em detalhe.
  • Critérios para escolher o modal: Como decidir entre os modais.
  • Matriz de transportes no Brasil: Por fim, outro olhar sobre a matriz.

Por

Antonio Rezende

Gerente da Divisão de Logística da IMAM Consultoria

Gerente da Divisão de Logística da IMAM Consultoria. Atua há mais de 20 anos na IMAM, com mais de 300 projetos realizados. No Blog IMAM, escreve sobre transporte rodoviário de cargas, redução de custos de transporte, modais e cabotagem, terceirização…

59 visualizações
Tags: cabotagem, economia, Modais, modal transporte

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