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IMAM Blog Estratégias e operações Cabotagem no Brasil: a evolução do modal na matriz de transportes

Estratégias e operações

Cabotagem no Brasil: a evolução do modal na matriz de transportes

  • Por Antonio Rezende
  • Publicado em 13/10/2021
  • Atualizado em 15/10/2026
  • 6 min de leitura
cabotagem
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Sumário executivo

Cabotagem em resumo: A cabotagem integra o transporte aquaviário e representa cerca de 11% do total transportado no Brasil. Ela é competitiva para distâncias acima de 800 a 1.000 km, grandes volumes e produtos de baixo e médio valor, com economia de 20% a 30%. Por isso, com a BR do Mar, o autor previa mais competitividade em 2 a 5 anos.

Cabotagem – Parte da Trilogia dos Principais Modais de Transportes no Brasil

A importância do uso adequado dos modais de transportes num País com “dimensões continentais”

Nos artigos anteriores comentamos sobre a adequação de cada modal no contexto do equilíbrio da matriz de transportes e a sua adequação em função das distancias e percorrer, volumes/pesos e valor agregado.

Inicialmente comentamos sobre o rodoviário, com excessiva concentração (~60% do total transportado) que representa riscos de gargalos e paralizações, seria adequado para distâncias de até 400km a 500km, médio e alto valor, entretanto supre a falta de disponibilidade dos demais modais, devido a sua flexibilidade (porta a porta), porém com impacto nos custos logísticos e acidentes nas estradas brasileiras.

O ferroviário representa atualmente ~24% do total transportado, sendo adequada para distâncias maiores que 500/700km, grandes volumes/pesos e produtos de baixo e médio valor, podendo representar uma economia de 20% a 30%. Passou por melhorias na malha existente com a chamada “privatização” na década de 1990, porém a ampliação somente foi contemplada recentemente com as parcerias público-privadas (PPI), o que irá possibilitar um aumento efetivo da capacidade e disponibilidade, devendo representar até 35% a 40% da matriz de transporte.

A Cabotagem:

Este modal representa atualmente ~11% do total transportado, está no grupo do “transporte aquaviário” que inclui o marítimo (internacional) e o hidroviário, sendo competitivo para distâncias maiores que 800/1000km, grandes volumes/pesos e produtos de baixo e médio valor, podendo representar uma economia de 20% a 30%, lembrando que o Brasil tem ~8.000km de costa e conta com inúmeros portos.

A novidade é projeto de lei 4199/2020, conhecido como “Programa BR do MAR” que tem como objetivo aumentar a oferta da cabotagem e principalmente reduzir custos, possibilitando ampliar o volume de contêineres transportados, de 1,2 milhão de TEU´s em 2019, para 2 milhões de TEU´s, em 2022 (~66%), podendo melhorar o equilíbrio da matriz de transporte. 

O programa foca em quatro eixos principais:

  • Frota: Estimular que as Empresas Brasileiras de Navegação (EBNs) possam realizar afretamentos a tempo (navio é afretado com a bandeira estrangeira, para diminuir custos operacionais) para substituir embarcações que estiverem em reparo, ou construção;
  • Indústria Naval: Fomentar o segmento de manutenção e reparos em estaleiros brasileiros, que hoje utilizam estaleiros na Europa e até na China;
  • Custos: Ações para viabilizar o aumento da competitividade da cabotagem, reduzindo burocracias que sobrecarregam as operações;
  • Portos: Permissão do uso de contratos temporários para movimentação de cargas e agilizando a operação de terminais dedicados à cabotagem;

Já foram arrendadas 14 áreas portuárias e outras 14 estão sendo arrendadas, além de 33 terminais de uso privado e inclusão de novos investimentos em contratos já existentes.

Veja também: O Dilema da Necessidade da Evolução da Matriz de Modais de Transportes. Será que Agora Vai?

Os quatro eixos do programa BR do Mar

Em resumo, os eixos descritos no post:

EixoObjetivo
FrotaPermitir que as EBNs façam afretamentos a tempo para substituir embarcações em reparo ou construção
Indústria navalFomentar manutenção e reparos em estaleiros brasileiros
CustosReduzir burocracias e aumentar a competitividade da cabotagem
PortosPermitir contratos temporários e agilizar terminais dedicados à cabotagem

Perguntas frequentes sobre cabotagem no Brasil

O que é cabotagem na logística?

Cabotagem é o transporte marítimo de cargas entre portos do mesmo país, feito ao longo da costa. Faz parte do transporte aquaviário, ao lado do marítimo internacional e do hidroviário, e, segundo o post, responde por cerca de 11% do total transportado no Brasil, que tem cerca de 8.000 km de costa e inúmeros portos.

Quando a cabotagem é competitiva?

Segundo o post, para distâncias maiores que 800 a 1.000 km, grandes volumes e pesos e produtos de baixo e médio valor, com economia que pode chegar a 20% a 30%. Com a melhoria da infraestrutura e a redução da burocracia, o autor espera que ela fique mais competitiva em 2 a 5 anos.

Como a cabotagem se compara ao rodoviário e ao ferroviário?

O rodoviário concentra cerca de 60% do total e seria adequado até 400 a 500 km, mas supre a falta dos outros modais pela flexibilidade do porta a porta. O ferroviário tem cerca de 24% e serve a distâncias acima de 500 a 700 km. A cabotagem, com cerca de 11%, é competitiva acima de 800 a 1.000 km.

O que é o programa BR do Mar?

É o projeto de lei 4199/2020, que busca aumentar a oferta da cabotagem e reduzir custos, ampliando o volume de contêineres transportados de 1,2 milhão de TEUs em 2019 para 2 milhões de TEUs em 2022. Com isso, pode melhorar o equilíbrio da matriz de transporte do país.

Quais são os eixos do programa BR do Mar?

São quatro: frota, estimulando as Empresas Brasileiras de Navegação a afretar navios a tempo para substituir embarcações em reparo ou construção; indústria naval, fomentando reparos em estaleiros brasileiros; custos, reduzindo burocracias; e portos, com contratos temporários e terminais dedicados à cabotagem mais ágeis.

Conteúdos complementares recomendados

  • Equilíbrio no uso dos modais: Além disso, o panorama de todos os modais.
  • Evolução dos modais de transporte: O dilema da matriz de modais.
  • Critérios para escolher o modal: Por fim, como decidir entre os modais.

Conclusão:

Com a melhoria da infraestrutura e da redução de burocracia a Cabotagem ficará mais competitiva a médio e longo prazo (2 a 5 anos) podendo equilibra a matriz de transportes e reduzir os custos logísticos do Brasil com consequente aumento da competitividade.

Antonio Carlos da Silva Rezende é engenheiro mecânico e de segurança no trabalho pela FEI, qualificação em mestrado pela Escola Politécnica da Universidade São Paulo e gerente da divisão de logística do IMAM, entidade dedicada ao treinamento, publicações e consultoria.

Por

Antonio Rezende

Gerente da Divisão de Logística da IMAM Consultoria

Gerente da Divisão de Logística da IMAM Consultoria. Atua há mais de 20 anos na IMAM, com mais de 300 projetos realizados. No Blog IMAM, escreve sobre transporte rodoviário de cargas, redução de custos de transporte, modais e cabotagem, terceirização…

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Tags: cabotagem

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