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IMAM Blog Supply Chain e Logística Evolução dos modais de transporte no Brasil: o dilema da matriz e as perspectivas

Supply Chain e Logística

Evolução dos modais de transporte no Brasil: o dilema da matriz e as perspectivas

  • Por Antonio Rezende
  • Publicado em 29/10/2020
  • Atualizado em 15/10/2026
  • 10 min de leitura
Modais de Transporte
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Sumário executivo

Evolução dos modais de transporte em resumo: A evolução dos modais de transporte no Brasil esbarra na concentração do rodoviário, com cerca de 60% do total, adequado até 400 a 500 km. Além disso, ferrovias e aquaviário custam de 20% a 30% menos para grandes volumes. Por isso, o autor via em projetos como o Arco Norte e o BR do Mar uma perspectiva de melhoria.

O Brasil continua com o mesmo dilema na área de transportes, ou seja, a falta de disponibilidade de modais mais adequados a cada tipo de produto, seu valor/custo, distância, tempo disponível para o transporte, etc.

Em primeiro lugar os autodenominados “especialistas” que clamam pelo aumento das ferrovias deveriam entender que, sim seria importante a ampliação , da malha, porém deveriam avaliar as características, a importância e a necessidade específica de cada modal, por exemplo: o custo do transporte dos produtos agrícolas “in-natura” (grãos sem processamento) de baixo valor agregado, deslocados por longa distância (Mato Grosso até Santos, entre outros) por rodovias. E por que este exemplo? Simples: porque o saldo da balança comercial depende muito dos produtos agrícolas e quando maior a eficiência da logística maior será a competitividade e lucratividade (não que os outros produtos não sejam importantes).

O exemplo descrito acima reforça a “máxima” que com a sua alta produtividade agrícola e logística inadequada o “Brasil é muito eficiente da porteira para dentro e péssimo da porteira para fora” e que poderia sim ser muito mais competitivo se a logística fosse mais eficiente.

Pois bem, atualmente existe uma boa perspectiva de melhoria, pois além das ações da iniciativa privada o ministério da infraestrutura entendeu o problema e está tomando medidas para melhorias, algumas no âmbito do próprio ministério ou enviando projetos de lei (PL´s) para o congresso (nota: favor considerar que esta é uma interpretação técnica do autor, sem nem um viés político).

Vamos tratar a seguir, mesmo que superficialmente a situação atual e a expectativa relativa aos diversos modais:

O principal modal continua sendo o rodoviário:

Seu uso pode ser considerado adequado para distâncias de até 400km a 500km, porém atualmente como não há disponibilidade dos outros modais de transporte, são realizadas viagens por todo o País o que implica no excesso de concentração deste modal, com aproximadamente 60% sobre o total e que representa uma preocupação devido custo maior que dos outros modais (transportadores querendo cobrar mais e os embarcadores menos), os questionamentos do tabelamento, potencial de greve, etc. Porém e obviamente não podemos desconsiderar a sua importância devido a possibilidade operações porta-a-porta, circulação em áreas urbanas e a transferência de/para origens/destinos aos terminais portuários e ferroviários.

Outros agravantes estão relacionados a infraestrutura rodoviária e a elevada idade de boa parte da frota (~15% a 20% maior que 20 anos), além da segurança devido aos  dois fatores citados neste parágrafo e ao tempo excessivo de trabalho dos motoristas, por falta de fiscalização ou locais adequados para descanso na maioria das rodovias.

Apesar de ser o modal mais importante ainda carece de melhorias na infraestrutura ou asfaltamento em diversas regiões do País, como da BR 163 que ligará MS e MT com o “Arco Norte” (ver a seguir) para melhorar/baratear as exportações.

O modal ferroviário:

Com a chamada privatização das ferrovias na década de 1990 houve uma melhoria, entretanto naquela época os contratos previam a “concessão do direito de uso”, ou seja, as empresas concessionárias ficaram com a responsabilidade de modernizar a infraestrutura (dormentes, trilhos, sinalização, etc.), reduzir o número de acidentes e aumentar a ocupação/rentabilidade dos ativos, porém não estava prevista a ampliação da malha, o que tem sido contemplado mais recentemente com as parcerias público-privadas (PPI).

Este modal representa uma economia entre ~20% a 30% no custo de transporte e apesar do maior transit-time (tempo da origem até os terminais e até o destino, mais as esperas) é bom para grandes volumes/pesos, produtos de médio e baixo valor agregado e distancias acima 40okm a 500km e está relativamente adequado para mineração e siderurgia e podemos citar percursos modernos para como aCarajás até São Luis (MA) porto da Madeira, ou a chamada Ferrovia do Aço de Itabirito (MG) até Volta Redonda (RJ), com extensão até São Paulo.

Apesar de ser muito bom/competitivo para produtos de médio e baixo valor agregado está aumentado o uso para contêineres, o que caracteriza o transporte de produtos de médio/alto valor agregado.

Atualmente representa aproximadamente 20% a 25% do total transportado, mas vale destacar que está prevista a privatização de diversos novos  trechos (~R$13 bilhões), com destaque para a interligação das ferrovias “centro-Oeste” com a “Norte-Sul” para facilitar o escoamento da produção agrícola para o “Arco Norte” (ver abaixo), com vistas a exportação.

O modal aquaviário:

Este modal representa uma economia entre ~20% a 30% no custo de transporte e apesar do maior transit-time (tempo da origem até os terminais e até o destino, mais as esperas) etem duas vertentes que veremos a seguir e que representam aproximadamente 14% do total transportado e assim como o ferroviário é bom para grandes volumes/pesos, produtos de médio e baixo valor agregado e distancias acima 40okm a 500km.

Para o modal hidroviário(hidrovias/rios navegáveis) o destaque é o transporte de produtos agrícolas “in-natura” (grãos sem processamento) de baixo valor agregadoe neste caso existe um projeto em andamento denominado de “Arco Norte” que é a implantação de sete terminais/ portos privados ou públicos nos rios Tapajós, Madeira e Amazonas e que terão por objetivo receber a safra da região centro-oeste, com um percurso muito menor que o transporte para o sudeste (Santos) com significativa economia de custo e prazo, entretanto para ser eficiente dependerá das interligações  rodoviárias e ferroviárias.

Para a cabotagem(transporte marítimo na costa do país)o destaque é para o transporte de insumos e produtos industriais de médio e alto valor agregado, que atualmente vão de caminhão para as longas distâncias e poderiam ser transportados por contêiner em navios.

Este modal tem alguns pontos negativos, a saber: como tem baixo volume (o armador reclama que não tem carga e o embarcador que não tem navio) e escalas intermediárias, apesar do custo sensivelmente menor tem um maior transit-time (tempo da origem até os terminais e até o destino, mais as esperas) e o embarcador acaba optando pelo TRC. 

O Brasil tem ~8.000km de costa que poderia ser mais bem aproveitado, principalmente porque os principais polos industriais estão a até ~300km da  costa e mesmo considerando o transporte até os terminais, esperas e finalmente para o destino será possível significativa economia de custo.

Atualmente está no Congresso o PL BR do Mar que tem como finalidade estimular o transporte de cabotagem, ou seja: o aumento da frota e a criação de portos específicos para a cabotagem, cujas cargas atualmente competem com as cargas internacionais que tem grandes volumes e condições de segurança muito maiores.

Os aspectos acima possibilitarão redução de custos e agilização nos portos com a consequente redução do transit-time.

Os demais modais:

O transporte aeroviário de cargas interno representa menos que 1% e com custo bem maior, entretanto muito bom para itens de alto valor agregado, pequeno porte/peso, perecíveis e urgentes

E o dutoviáriorepresenta ~3% a 4% (petróleo, combustíveis, gás, etc) e depende de projetos específicos e grandes investimentos, porém com custo operacional extremamente competitivo.

Veja também: É a Vez dos Profissionais de Logística

O que podemos concluir:

Reiterando o que comentamos acima existe uma perspectiva de melhoria, pois além das ações da iniciativa privada o ministério da infraestrutura entendeu o problema da logística e está tomando medidas para melhorias, algumas no âmbito do próprio ministério ou enviando projetos de lei (PL´s) para o congresso (nota: favor considerar que esta é uma interpretação técnica do autor, sem nem um viés político). Como a infraestrutura logística, principalmente ferroviária e cabotagem, tem resultados/implantação de médio e longo prazo (2 a 5 anos) dá para acreditar que estamos “vendo uma luz no final do túnel”, acompanhar e acreditar na melhoria da logística e consequente aumento da competitividade das empresas e do País.

Antonio Carlos da Silva Rezende é engenheiro mecânico e de segurança no trabalho, qualificação em mestrado pela Escola Politécnica da Universidade São Paulo e gerente da divisão de logística do IMAM, entidade dedicada ao treinamento, publicações e consultoria.

Participação e uso de cada modal segundo o autor

Em resumo, os números e usos citados no post, na época da publicação:

ModalParticipação citadaUso adequado
RodoviárioCerca de 60%Até 400 a 500 km, porta a porta, áreas urbanas e ligação com portos e ferrovias
Ferroviário20% a 25%Grandes volumes, produtos de médio e baixo valor agregado, acima de 400 a 500 km
Aquaviário (hidrovias e cabotagem)Cerca de 14%Grãos pelas hidrovias e produtos industriais em contêiner pela costa
Dutoviário3% a 4%Petróleo, combustíveis e gás, com custo operacional muito competitivo
AeroviárioMenos de 1%Itens de alto valor, pequeno porte, perecíveis e urgentes

Perguntas frequentes sobre os modais de transporte no Brasil

Quais são os principais tipos de transporte (modais)?

Os modais são o rodoviário, o ferroviário, o aquaviário, que inclui o hidroviário em rios e a cabotagem na costa, o aeroviário e o dutoviário. Na época do artigo, o autor estimava no Brasil cerca de 60% do total no rodoviário, 20% a 25% no ferroviário, 14% no aquaviário, 3% a 4% no dutoviário e menos de 1% no aéreo.

Por que o transporte rodoviário predomina no Brasil?

Porque faltam outros modais disponíveis. O caminhão é adequado para distâncias de até 400 a 500 km, mas acaba fazendo viagens por todo o país. Isso gera custo maior que o dos outros modais, risco de greve e problemas com infraestrutura e frota envelhecida. Ainda assim, ele é essencial para operações porta a porta, áreas urbanas e ligação com portos e ferrovias.

Quando o transporte ferroviário é mais indicado?

Para grandes volumes e pesos, produtos de médio e baixo valor agregado e distâncias acima de 400 a 500 km, como na mineração e na siderurgia. Segundo o autor, o modal traz economia de cerca de 20% a 30% no custo de transporte, apesar do transit time maior, e vem sendo usado cada vez mais para contêineres.

O que é o projeto Arco Norte?

É a implantação de sete terminais ou portos, privados ou públicos, nos rios Tapajós, Madeira e Amazonas para receber a safra do Centro-Oeste. O percurso é muito menor que o transporte até Santos, com economia de custo e prazo nas exportações, mas para ser eficiente depende de interligações rodoviárias, como a BR 163, e ferroviárias.

Por que a cabotagem é pouco usada no Brasil?

Porque tem baixo volume, com o armador reclamando que falta carga e o embarcador que falta navio, além de escalas intermediárias e transit time maior. Por isso, apesar do custo menor, o embarcador acaba optando pelo rodoviário. Com cerca de 8.000 km de costa e polos industriais a até 300 km do mar, o potencial é grande; na época do artigo, o PL BR do Mar buscava estimular o modal.

Conteúdos complementares recomendados

  • Modais de transporte: As características de cada modal.
  • Matriz de transportes no Brasil: O desequilíbrio entre os modais.
  • Evolução da cabotagem: O transporte marítimo pela costa.

Por

Antonio Rezende

Gerente da Divisão de Logística da IMAM Consultoria

Gerente da Divisão de Logística da IMAM Consultoria. Atua há mais de 20 anos na IMAM, com mais de 300 projetos realizados. No Blog IMAM, escreve sobre transporte rodoviário de cargas, redução de custos de transporte, modais e cabotagem, terceirização…

134 visualizações
Tags: cabotagem, grandes volumes, modais de transporte

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