Lean na logística reversa: o mapa de valor de uma cadeia de doações
Lean na logística reversa em resumo: Lean na logística reversa aplica o mapa de fluxo de valor a fluxos que voltam do consumo, como doações. Numa organização que recicla roupas, a equipe mediu tempos, estoques e lead time e propôs células, 5S, contentores com divisórias e uma linha de lavar e passar. Assim, o lead time cairia de 19,85 dias para cerca de 0,66 dia.
O lean na logística reversa também funciona fora da fábrica. Por exemplo, uma organização sem fins lucrativos de Los Angeles coleta e recicla roupas e utensílios domésticos. Muitos de seus colaboradores enfrentam diversos desafios, e, em vez de reduzir a equipe, a organização busca meios de aumentá-la. Por isso, melhorar o processo significa abrir espaço para mais pessoas.
Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, mostra como uma equipe aplicou o lean nessa cadeia de doações, do mapa da situação atual à proposta futura.
Lean na logística reversa: o fluxo e as unidades de carga
O processo estudado era a coleta de roupas de quatro lojas e de um centro de doações. Para isso, um caminhão fazia uma coleta programada, o milk run, duas vezes ao dia. Assim, ele trazia as roupas que não foram vendidas na semana anterior e que os gerentes achavam que não venderiam.
Nesse fluxo, a capacidade dos contentores definiria como o tempo de processamento vira tempo de ciclo. Na prática, o cálculo é simples: tempo de processamento do lote dividido pelo número de peças do lote. A tabela mostra as unidades usadas.
| Unidade | Peças de roupa | Equivalência citada no PDF |
|---|---|---|
| Caminhão | 1.800 | 9 racks |
| Gaylord (unitizador próprio) | 1.300 | 13 racks ou 2,5 caixas bin |
| Caixa bin | 520 | 5,2 racks |
| Rack | 100 | Unidade básica |

O mapa atual do lean na logística reversa
A primeira questão foi definir o que era um processo. Por exemplo, o supervisor achava que descarregar o caminhão era rápido demais para contar. Porém, a equipe mediu 1,8 hora por caminhão, e a operação entrou no mapa. Além disso, o portão aberto durante a descarga deixava entrar o ar quente de fora.
| Operação | Tempo de processamento | Tempo de ciclo por peça |
|---|---|---|
| Descarregar caminhão | 1,8 h por caminhão | 3,6 s |
| Classificar por tipo | 0,3 h por rack | 10,8 s |
| Inspecionar e classificar | 0,3 h por rack | 10,8 s |
| Embalar fardos para leilão | 0,8 h por gaylord | 2,2 s |
| Etiquetar preço | 0,17 h por rack | 2,6 s |
Antes da classificação havia 367 racks, 22 gaylords e oito contentores, ou seja, 69.460 peças. Assim, divididas pelas 3.600 peças processadas por dia, davam 19,3 dias de trabalho parado. Ao todo, o tempo de ciclo somava 27,8 segundos, e o lead time chegava a 19,85 dias. Portanto, o tempo que agrega valor era uma fração mínima do tempo que a roupa passava na instalação.
A informação já funcionava como kanban
As lojas recebiam 36 racks por dia nos dias úteis e 24 em cada dia do fim de semana. Além disso, a política era devolver a mesma quantidade que as lojas enviavam. Assim, a própria roupa transmitia a informação, quase como um sistema kanban. Por isso, a equipe viu pouco a otimizar no fluxo de informação.
A situação futura com lean na logística reversa
A equipe reuniu ideias básicas do lean: 5S, reorganização das operações em células para eliminar o estoque entre elas e trabalho em equipe. Contudo, a maior oportunidade era contratar mais colaboradores. Na época, os itens eram vendidos por cerca de US$ 1. Então, a ideia foi separar parte das roupas boas, lavar, passar e vender por US$ 3. Se apenas 20% das roupas fossem vendidas pelo triplo, o faturamento cresceria 40%, sem aumentar o estoque processado.
Para isso, lojas e centro de doações separariam as roupas em lotes, com contentores com divisórias projetados em kaizen. Em seguida, o takt time partiu de 3.257 peças por dia em média: 650 para lavar e passar e 2.607 para pendurar e etiquetar. Isso deu takt de 1,44 minuto para as roupas de alto valor e de 0,36 minuto para as demais.
- Lavar: primeiro, um lote de 35 peças em 20 minutos, ou 0,57 minuto por peça.
- Secar: em seguida, 25 minutos por lote, ou 0,71 minuto por peça.
- Passar: depois, um minuto por peça.
- Pendurar e etiquetar: por fim, 2,6 segundos por peça.
- Estoque máximo: além disso, quatro racks antes da linha de lavar e um contentor, de 520 peças, antes das demais.
Desse modo, todos os tempos de ciclo ficariam abaixo do takt de 1,44 minuto, num fluxo uniforme.
| Indicador | Situação atual | Situação futura |
|---|---|---|
| Lead time total | 19,85 dias | 0,66028 dia |
| Tempo de ciclo total | 27,8 s | 139,6 s, já com lavar, secar e passar |
| Valor agregado sobre lead time | Fração mínima | 0,73%, um aumento de 146 vezes segundo o PDF |
O conceito por trás do lean na logística reversa
Tradicionalmente, a logística estuda o fluxo direto, das matérias-primas ao consumidor final. Por isso, os fluxos reversos de pós-venda e pós-consumo ficavam de fora. Segundo o PDF, a logística reversa é a área que planeja, opera e controla o fluxo e as informações do retorno desses bens ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo. Assim, foi com esse conceito, e com o milk run, que a organização montou o seu fluxo reverso de roupas e utensílios.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
O caso mostra que o lean na logística reversa funciona fora da manufatura. Medir cada operação, inclusive as que parecem rápidas, revela estoques parados de semanas. Em seguida, células, fluxo puxado e um produto de maior valor reduzem o lead time e, neste caso, ainda abrem espaço para mais colaboradores.
Conteúdos complementares recomendados
- Mapa de fluxo de valor: A ferramenta usada para enxergar o processo.
- Logística reversa: O fluxo de volta ao ciclo produtivo em detalhe.
- Milk run: A coleta programada que alimenta o processo.
