LOGÍSTICA: Como sua profissão está mudando e qual será seu papel nos próximos 10 anos?
Durante décadas, a carreira em Logística foi construída sobre três pilares fundamentais: planejamento, execução e controle.
Os profissionais que dominavam processos, conheciam operações e conseguiam coordenar recursos de forma eficiente tornavam-se referências em suas organizações.
Mas o que mudou?
A combinação entre Inteligência Artificial, automação, robótica, análise avançada de dados e sistemas cada vez mais integrados está transformando profundamente o mundo das operações.
E qual será o papel do profissional neste novo cenário?
A resposta passa por três grandes áreas que estão evoluindo simultaneamente: Supply Chain, Logística e Intralogística.
- Supply Chain: do planejador para o orquestrador inteligente
Nos últimos anos, o profissional de Supply Chain dedicou grande parte do seu tempo à coleta de informações, consolidação de dados, construção de planilhas e geração de previsões.
Muitos ainda estão aguardando os fatos, mas outros já iniciaram a automação de boa parte dessas atividades que já estão sendo executadas por sistemas inteligentes, acelerados principalmente pela inteligência artificial.
A IA já é capaz de analisar milhares de variáveis simultaneamente, identificar padrões de comportamento, prever demandas, antecipar rupturas e recomendar ações de forma praticamente instantânea.
Isso não significa que o profissional de Supply Chain perderá relevância.
Seu papel migrará da geração de informações para a tomada de decisões estratégicas.
O profissional de Supply Chain será cada vez mais responsável por:
- definir cenários futuros;
- avaliar riscos e oportunidades;
- alinhar estratégia e operação;
- conduzir decisões complexas;
- integrar áreas internas e parceiros externos.
Em outras palavras, deixará de ser apenas um planejador para se tornar um orquestrador de ecossistemas.
- Logística: dos processos para os fluxos digitais
A Logística sempre teve a missão associada ao fluxo de materiais, informações e financeiro da forma mais eficiente possível.
O que muda nesta realidade são as ferramentas disponíveis.
Veículos autônomos, estocagem automática, rastreamento em tempo real, torres de controle digitais, Inteligência Artificial aplicada à roteirização, sistemas autônomos e plataformas colaborativas estão criando uma nova geração de operações logísticas.
O “novo” profissional precisa compreender cada vez mais:
- análise de dados com apoio de sistemas inteligentes;
- integração de sistemas;
- automação de processos;
- gestão de indicadores em tempo real;
- tecnologias digitais aplicadas à operação.
A eficiência continuará sendo importante, mas a qualidade da informação e a velocidade da mesma ganham relevância.
Empresas que antes revisavam seus planos semanalmente passarão a tomar decisões em ciclos de horas ou até minutos, apoiada não mais por gestores experientes (“donos dos conhecimentos”), mas por sistemas conectados.
Nesse ambiente, o profissional de logística começa a atuar como um gestor de fluxos digitais e não apenas como um gestor de movimentações físicas.
- Intralogística: a integração entre pessoas, automação e excelência operacional
Talvez seja dentro das operações – armazéns, centros de distribuição, terminais, fábricas que a transformação seja mais visível.
AMRs, AGVs, sistemas AS/RS, sorters, cobots, drones, visão computacional e, logo mais, até humanoides em determinadas operações, passarão a fazer parte da rotina operacional.
No entanto, existe um equívoco muito comum, onde muitos acreditam que a automação eliminará a necessidade das pessoas. A realidade dos países mais desenvolvidos já aponta para uma direção diferente.
As empresas mais produtivas serão aquelas capazes de integrar pessoas e tecnologia de forma inteligente, onde a a excelência operacional continuará sendo um diferencial competitivo.
Hoje, estas empresas já demandam profissionais capazes de:
- entender e não apenas mapear processos;
- eliminar e não apenas identificar desperdícios;
- resolver problemas complexos e não apenas saber suas causas;
- liderar equipes híbridas e não se submeter ao SIMPLES, sendo que o COMPLEXO pode fazer diferença;
- coordenar operações compostas por pessoas e tecnologia.
Assim:
O operador do futuro não será apenas um executor (“menos braço e mais cabeça”).
O supervisor do futuro não será apenas um controlador (“mais líder e menos chefe”).
O gestor do futuro não será apenas um administrador (“menos planejador e mais orquestrador”).
Todos precisarão desenvolver competências analíticas, tecnológicas e humanas simultaneamente. Inovações e kaizens mais tecnológicos farão cada vez mais diferença.
O profissional que continuará relevante
Ao observarmos os próximos dez anos, uma conclusão se torna evidente.
A tecnologia substituirá muitas atividades.
Mas não substituirá a capacidade humana de interpretar contextos, liderar transformações, tomar decisões complexas e mobilizar pessoas.
As empresas continuarão investindo em digitalização e automação.
Continuarão investindo em Inteligência Artificial.
Mas, acima de tudo, precisarão investir na formação de profissionais capazes de transformar a tecnologia em resultados e competitividade.
O futuro não pertence ao profissional que compete com as máquinas.
Pertence ao profissional que aprende a trabalhar melhor com elas.
E essa talvez seja a maior oportunidade da história para os Profissionais de Logística.
