Princípios da produção sincronizada: os 10 fundamentos
Produção sincronizada em resumo: A produção sincronizada é uma filosofia de manufatura com princípios e técnicas coerentes para que cada ação seja avaliada pelo atendimento da demanda. O Kanban, do Sistema Toyota de Produção, e o tambor-pulmão-corda, da teoria das restrições, são métodos de controle dela. Dez princípios orientam a aplicação, sobretudo sobre gargalos, lotes e capacidade.
A produção sincronizada é uma filosofia de manufatura. Ela reúne um conjunto coerente de princípios e técnicas para que cada ação seja avaliada em termos do atendimento da demanda. Em outras palavras, o que importa não é o desempenho isolado de cada recurso, mas o resultado do sistema.
Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, apresenta os dez princípios e os dois métodos de controle que o texto original cita.
Kanban e tambor-pulmão-corda na produção sincronizada
Segundo o artigo, duas técnicas representam métodos de controle da produção sincronizada. O Kanban faz parte do Sistema Toyota de Produção. Já o tambor-pulmão-corda faz parte da teoria das restrições. Ou seja, abordagens de origens diferentes servem ao mesmo objetivo de sincronizar a produção com a demanda.

Os 10 princípios da produção sincronizada
O artigo lista dez dicas. A tabela traz cada princípio com uma leitura curta do que ele diz.
| # | Princípio | O que significa |
|---|---|---|
| 1 | A utilização de um recurso não gargalo não é determinada por sua própria capacidade, mas pela restrição do sistema | Quem dita o ritmo é a restrição, e não a capacidade de cada recurso |
| 2 | A ativação de um recurso não é sinônimo de sua utilização | Manter um recurso ligado não quer dizer que ele contribui para o sistema |
| 3 | Uma hora perdida em um gargalo é uma hora perdida por todo o sistema | Como o gargalo limita o todo, sua perda vale para o todo |
| 4 | Uma hora economizada em um recurso não gargalo é irrelevante para o sistema | Ganhar tempo onde não há restrição não aumenta o resultado |
| 5 | O lote de transferência não pode e, muitas vezes, não deve ser igual ao lote do processo | A quantidade que segue para a etapa seguinte pode ser menor que a processada |
| 6 | O tamanho do lote do processo deve ser variável e não fixo | O lote se ajusta à situação, em vez de seguir um número único |
| 7 | A capacidade e a prioridade precisam ser analisadas simultaneamente e não sequencialmente | Programar sem olhar a capacidade ao mesmo tempo gera planos irreais |
| 8 | Murphy existe, mas seus danos podem ser minimizados | Problemas acontecem; o planejamento deve reduzir o impacto deles |
| 9 | A capacidade da fábrica não deve ser balanceada | Igualar a capacidade de todos os recursos não é o objetivo |
| 10 | O ótimo local não implica necessariamente ótimo global | Melhorar um setor isolado não garante melhorar a empresa |
Princípios da produção sincronizada sobre gargalos
Os quatro primeiros princípios giram em torno do gargalo. Primeiramente, a restrição define a utilização dos demais recursos. Além disso, ativar não é utilizar. Por isso, uma hora perdida no gargalo pesa no sistema inteiro, enquanto uma hora ganha fora dele não muda o resultado.
Princípios sobre lotes e capacidade
Os princípios 5 a 7 tratam de lotes e de programação. Assim, o lote de transferência pode ser diferente do lote do processo, e este deve variar. Da mesma forma, capacidade e prioridade entram juntas na análise, e não uma depois da outra.
Princípios sobre o sistema como um todo
Por fim, os princípios 8 a 10 olham para o conjunto. Imprevistos existem, mas seus danos podem ser minimizados. Em contrapartida, balancear a capacidade da fábrica não é o objetivo. Afinal, a soma de ótimos locais não garante o ótimo global.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
A produção sincronizada pede uma mudança de olhar: avaliar cada ação pelo atendimento da demanda, e não pela eficiência isolada de cada recurso. Desse modo, os dez princípios servem como guia para decidir onde agir, com o Kanban e o tambor-pulmão-corda como métodos de controle.
Conteúdos complementares recomendados
- Teoria das restrições: A origem do tambor-pulmão-corda.
- Sistema Toyota de Produção: A origem do Kanban.
- Kanban: Como funciona o método de controle puxado.
