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IMAM Blog Engenharia de Produção e Operações Fornecedor único: os riscos de depender de uma só fonte de suprimento

Engenharia de Produção e Operações

Fornecedor único: os riscos de depender de uma só fonte de suprimento

  • Por Reinaldo Moura
  • Publicado em 05/11/2021
  • Atualizado em 15/10/2026
  • 5 min de leitura
fornecedor
Sumário executivo

Fornecedor único em resumo: Ter fornecedor único aumenta o risco de desabastecimento caso esse fornecedor sofra um acidente que comprometa a operação. A prática ganhou força com o just-in-time e a Qualidade Total, mas os atentados de 2001 nos Estados Unidos, o Katrina e os tsunamis na Tailândia e no Japão mudaram a lógica. Por isso, o autor defende manter duas ou mais fontes.

Empresas passam a trabalhar com mais de um fornecedor para evitar o desabastecimento.

Até meados dos anos 1980, qualquer empresa mantinha dois ou mais fornecedores para cada item com­prado. Com isso, os compradores tinham como principal objetivo mostrar aos fornecedores mês a mês que estavam comprando daquele com menor preço.

Porém, foi só surgir o just-in-time e a Qua­lidade Total (TQC/TQM), que seus seguidores passaram a exigir fornecedores únicos, acredi­tando que essa estratégia fosse uma vantagem competitiva.

E essa foi a regra do jogo até o setembro de 2001 com os atentados terroristas nos Estados Unidos, que mostraram aos profissionais de logística o perigo do desabastecimento caso o fornecedor sofra um acidente que compro­meta sua operação.

Mesmo assim muitos apostaram que os atentados contra os EUA eram um fato isolado. Porém, logo depois vieram os efeitos do Katrina, um fenômeno natural, os tsunamis na Tailândia e agora no Japão. Epa! Novo alerta!

Manter mais de um fornecedor é hoje mais que uma alternativa ou plano B. É evitar o risco de desabastecimento.

Muitos gerentes de logística recebem a ordem: “Compre a qualquer preço, mas mantenha as fábricas abastecidas!” Isso significa que algumas empresas passaram a exigir multifábricas de qualquer fornecedor, porém, é lógico, pagando o mesmo preço pelos produtos.

O Japão e a Alemanha são bons exemplos de usuários dessas  estratégias, aprendidas com as guerras, pois se determinada fábrica tinha uma única instalação e o inimigo a bombardeasse, essa fábrica estaria eliminada. Por isso, as empresas desses países têm diversas fábricas, em diversos locais, para que “just-in-case” (caso aconteça algo) os clientes se mantenham abastecidos.

Agora com o recente fenômeno que aconteceu no Japão, o risco de desabastecimento tornou-se maior. Uma volta às origens: manter duas ou mais fontes para cada necessidade de fornecimento. E isso vale para tudo, não apenas manufaturados como commodities, sejam minerais, petróleo, ce­reais ou produtos de baixo valor agregado.

Situação parecida aconteceu com o pe­tróleo.

Duas crises do petróleo só serviram para uma mudança do gap tecnológico entre as nações. Todos procuraram fontes alterna­tivas de energia, inclusive o Brasil, que, de importador, passou a exportador e promete uma revolução com o Pré-sal.

O que tudo isso significa? Adeus à centraliza­ção!

Pense em descentralização até que chegue o próximo gerente de logística e diga: “vamos estu­dar o inverso a favor da segurança”. Mas lembre-se: é melhor mais fontes do que apenas uma.

* Reinaldo Moura: Criador e Fundador do Grupo IMAM em 1979 (Instituto IMAM, IMAM Editora e IMAM Consultoria) e Diretor Técnico das Missões de Estudo ao Japão. 50 anos de experiência profissional, em mais de 100 empresas. Pioneiro na introdução conceitos no Brasil, tais como: MAM, Intralogística, Kanban, Housekeeping/5S, TPS/JIT/Lean/Toc – Treinamento e Assessoria. Publisher da Revista LOGÍSTICA desde 1980 (300 edições). Formado em Engenharia Industrial (FEI), em Engenharia de Segurança do Trabalho (FEI) e mestrado em Engenharia de Produção (Poli-USP). Ex-professor universitário: FEI, UMC, Mackenzie, Mauá etc.

Como a estratégia de fornecimento mudou

Em resumo, a evolução descrita no post:

PeríodoEstratégia de fornecimento
Até meados dos anos 1980Dois ou mais fornecedores por item, com foco em comprar do menor preço
Just-in-time e Qualidade TotalFornecedor único visto como vantagem competitiva
Após 2001 e os desastres naturaisDuas ou mais fontes por necessidade e exigência de multifábricas, no conceito just-in-case

Perguntas frequentes sobre os riscos do fornecedor único

Por que depender de um fornecedor único é arriscado?

Porque, se esse fornecedor sofrer um acidente ou for atingido por uma catástrofe que comprometa sua operação, a empresa fica desabastecida. Manter mais de um fornecedor deixou de ser apenas um plano B e passou a ser a forma de evitar o risco de desabastecimento das fábricas.

Por que as empresas passaram a trabalhar com fornecedor único?

Até meados dos anos 1980, as empresas mantinham dois ou mais fornecedores para cada item comprado. Com o surgimento do just-in-time e da Qualidade Total (TQC/TQM), seus seguidores passaram a exigir fornecedores únicos, acreditando que essa estratégia fosse uma vantagem competitiva.

O que mudou a visão sobre o fornecedor único?

Os atentados de setembro de 2001 nos Estados Unidos mostraram aos profissionais de logística o perigo do desabastecimento. Muitos acharam que fosse um fato isolado, mas depois vieram os efeitos do furacão Katrina, os tsunamis na Tailândia e, na época do artigo, o do Japão, que reforçaram o alerta e levaram de volta à prática de ter duas ou mais fontes.

O que é a estratégia just-in-case?

É manter diversas fábricas em diversos locais para que, caso aconteça algo, os clientes continuem abastecidos. Japão e Alemanha aprenderam essa estratégia com as guerras, quando uma fábrica com instalação única podia ser eliminada por um bombardeio. Algumas empresas passaram a exigir de seus fornecedores várias fábricas, pagando o mesmo preço.

Ter mais de um fornecedor vale também para commodities?

Sim. Manter duas ou mais fontes para cada necessidade de fornecimento vale para tudo, não apenas para manufaturados, mas também para commodities, como minerais, petróleo, cereais e produtos de baixo valor agregado. O autor lembra que as crises do petróleo levaram os países a buscar fontes alternativas de energia.

Conteúdos complementares recomendados

  • Risco de fornecedores: cinco fatores: Como avaliar o risco de cada fonte.
  • Avaliação e desenvolvimento de fornecedores: Como qualificar novas fontes.
  • Just in case: A estratégia que protege a produção.

Por

Reinaldo Moura

Fundador e presidente do Conselho do Grupo IMAM

Fundador do Grupo IMAM em 1979 (Instituto IMAM, IMAM Editora e IMAM Consultoria) e Diretor Técnico das Missões de Estudo da IMAM. 50 anos de experiência profissional, em mais de 100 empresas. Pioneiro na introdução conceitos no Brasil, tais como:…

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