Cadeia de abastecimento enxuta: como reprojetar com fornecedores
Cadeia de abastecimento enxuta em resumo: Uma cadeia de abastecimento enxuta elimina etapas sem valor entre fornecedores e chão de fábrica. O reprojeto passa por cinco fases: pré-análise, análise dos dados, reprojeto, estudo de viabilidade e implementação. Usa análise ABC, mapas de valor, kanban com fornecedores-chave e um processo formal de qualificação e certificação de fornecedores.
Como transformar o abastecimento de uma fábrica em uma cadeia de abastecimento enxuta? Este artigo, baseado em um projeto da IMAM Consultoria publicado na revista intraLOGÍSTICA, mostra as fases, as técnicas e as lições de um reprojeto feito em conjunto com o cliente e seus fornecedores, em uma fábrica de bens de capital.
Reprojeto da cadeia de abastecimento enxuta em cinco fases
| Fase | O que acontece |
|---|---|
| 1. Pré-análise | Primeiramente, coleta de dados e identificação das necessidades dos clientes |
| 2. Análise dos dados | Em seguida, treinamento multifuncional e mapeamento de valor dos fluxos físico e de informação |
| 3. Reprojeto | Mapas de como os processos deverão ser, plano de implementação e acordo sobre indicadores |
| 4. Estudo de viabilidade | Técnicas enxutas propostas e cronograma com cliente e fornecedores |
| 5. Implementação | Por fim, execução das atividades e monitoramento dos benefícios |
O que a pré-análise revelou
Logo de início, a equipe descobriu que 20% dos componentes (50 itens) representavam 80% do custo de materiais e do valor do estoque. Além disso, 10% desses componentes respondiam por 90% das rejeições do material em processo. Em seguida, a equipe escolheu 25 dos 150 fornecedores como candidatos a parceiros estratégicos, porque eles produziam a maior parte dos componentes dos dois produtos principais.

Como montar uma cadeia de abastecimento enxuta
Durante três meses, o grupo central coletou dados, mapeou processos e definiu as necessidades dos clientes. Logo apareceu a necessidade de melhorar as habilidades de mapeamento, gestão de projetos e coleta de dados. Por isso, a consultoria apoiou sete frentes:
- Mapas de valor em todos os principais processos da cadeia.
- Análise ABC dos processos, inclusive dos fornecedores aos clientes finais.
- Projeto dos processos como deverão ser.
- Plano para implementar a cadeia enxuta revisada.
- Técnicas enxutas a fim de reduzir tempo de ciclo, estoque e atividades sem valor agregado, sem prejudicar o cliente.
- Indicadores de referência, conforme as melhores práticas.
- Orientação e treinamento do grupo central.
Just-in-time e kanban com fornecedores
A situação inicial mostrava o tamanho do desafio. De fato, a área de material em processo estava congestionada, a matéria-prima girava quatro vezes por ano, o armazém tinha de 50 a 60 dias de estoque e os itens do tipo A tinham 10% de rejeição. Além disso, o recebimento tinha 35 etapas, e só duas agregavam valor. Por outro lado, o chão de fábrica já era limpo, com células e abastecimento no ponto de uso.
Em primeiro lugar, a equipe eliminou áreas de espera, retirou o estoque acima das quantidades de kanban e demarcou no piso espaço para apenas dois dias de produção. Desse modo, o material em excesso ficou retido na doca. Então, dez dos 50 itens principais e cinco fornecedores locais entraram no piloto, com entregas diárias no ponto de uso guiadas por sinais visuais, contentores identificados e regras claras de entrega, devolução e ação corretiva.
Qualificação de fornecedores
Porém, o processo antigo de seleção era ineficiente. Por isso, o novo seguiu seis etapas: revisão da documentação de qualidade; definição de políticas e ferramentas para fortalecer a relação com os fornecedores-chave; comunicação do método a 20 fornecedores em uma conferência de dois dias; avaliação no local dos cinco fornecedores do piloto; sistema de monitoramento de entregas e qualidade; e treinamento contínuo em pensamento enxuto, com simulação de empresa enxuta.
- Processo de qualificação com visão, metas e expectativas mútuas.
- Equipe de certificação multifuncional: suprimentos, qualidade, manufatura e engenharia.
- Sistema de classificação, bem como auditoria e recertificação.
- Indicadores de qualidade, satisfação do cliente e custo total.
- Benefícios documentados, por exemplo troca de informações e engenharia simultânea.
Lições da cadeia de abastecimento enxuta
A análise de seis componentes problemáticos revelou que os fornecedores não usavam os próprios equipamentos de teste, que 72% das rejeições só apareciam no teste final de aplicação e que as especificações e ações corretivas eram fracas. Além disso, envolver os fornecedores cedo no projeto do produto melhorou qualidade, custo e tempo até o mercado. Por isso, ferramentas como FMEA, delineamento de experimentos e projeto para manufatura entraram na lista de oportunidades.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
Uma cadeia de abastecimento enxuta nasce de dados, mapas de valor e parceria com poucos fornecedores-chave. Em resumo, o projeto mostrou que reduzir estoque e rejeições depende tanto do kanban quanto da qualificação dos fornecedores e da qualidade incorporada desde o projeto do produto.
Conteúdos complementares recomendados
- Gestão das restrições na cadeia: Outra abordagem para melhorar o fluxo de abastecimento.
- Avaliação de fornecedores: Como desenvolver a base de fornecedores.
- Mapa de fluxo de valor: A ferramenta usada para enxergar desperdícios.

