WMS no setor automotivo: crossdocking, sequenciamento e kits
WMS no setor automotivo em resumo: O WMS no setor automotivo dá visibilidade do estoque e organiza a entrega de itens às linhas de montagem. Além das funções básicas de receber, guardar, estocar, separar e embalar, ele apoia o crossdocking, a separação em lotes, o sequenciamento, a montagem de kits e a rastreabilidade por código de barras, integrado a pedidos, previsões e transportes.
O WMS no setor automotivo cuida de uma parte que muita gente esquece. Desde a primeira linha de produção em massa, a indústria automotiva enxerga os processos de fabricação como a chave do sucesso. Por isso, a logística, e em especial a armazenagem, ficou em segundo plano. No entanto, sem uma boa operação de armazém, montadoras e fornecedores não saberiam quanto estoque têm, onde os itens estão nem como levá-los à linha de produção.
Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, mostra o papel do sistema, as formas de separação que ele apoia e os cuidados com custos e integração.
Por que o WMS no setor automotivo é essencial
Sem visibilidade do estoque e sem os processos certos para estocar, separar e entregar itens às linhas de montagem, a produção caminharia para um colapso muito caro. Por isso, uma boa organização do armazém sustenta a operação automotiva inteira, e a empresa precisa implantar um sistema de gerenciamento de armazém apropriado.
Há vários fornecedores de WMS no mercado. Ainda assim, como os sistemas adequados nem sempre estão disponíveis, muitas montadoras, fornecedores e operadores logísticos desenvolvem o próprio software. Além disso, empresas que implantam sistemas conforme crescem acabam usando muitos sistemas discrepantes.
Todo WMS tem as mesmas funções básicas: receber, enviar ao estoque, estocar, separar e embalar. Contudo, cada setor e cada empresa preferem variações. Na guarda, por exemplo, a operação pode levar os itens a granel para racks altos ou deixar os componentes mais usados perto do fim dos corredores. Já os componentes pequenos costumam ir para racks mais baixos.

Crossdocking e entregas fracionadas
O crossdocking é cada vez mais popular, e o WMS deve apoiá-lo. Quando o operador escaneia as mercadorias no recebimento, o software reconhece para onde devem ir: para a posição no estoque ou para a área de baldeação. Na montagem da entrega, o operador escaneia os itens de novo, e o sistema alerta se alguém colocou algo no palete ou na caixa errada.
O WMS também controla ritmos diferentes de recebimento e entrega. Por exemplo, o armazém pode receber cintos de segurança em lotes uma vez por semana e entregá-los à fábrica duas vezes ao dia. Nesse caso, o sistema avisa que a próxima entrega sai em uma hora ou que o estoque não é suficiente para completar as entregas do dia.

Formas de separação no WMS no setor automotivo
Uma separação rápida depende de um WMS que sabe onde estão as mercadorias e otimiza as rotas, como um roteirizador faz com os motoristas. Afinal, diz-se que um trabalhador de armazém percorre de 5 a 10 km por dia. A tabela resume as formas de separação descritas no PDF.
| Forma de separação | Como funciona |
|---|---|
| Em lotes | O sistema manda separar, por exemplo, 500 para-choques; depois a equipe divide o lote entre as fábricas que vão recebê-los |
| Por pedido | Adaptada a itens de rotina e de revenda, com demanda menos previsível ao abastecer revendas |
| Sequenciamento (build to order) | Cada palete ou rack fica acoplado à linha, e o operador retira o próximo componente do topo; o WMS dá as instruções na mesma sequência do pedido do cliente |
| Kits | A equipe coleta e entrega juntos os componentes de um mesmo veículo; o sistema precisa saber o que vai em cada contentor, para qual montadora e quando |
| Estoque gerenciado pelo fornecedor | Mesmos princípios de guarda e separação; o fornecedor acompanha o estoque consultando o WMS da montadora ou do operador |
Quando o caminhão deixa a fábrica, a empresa comunica automaticamente ao ERP do cliente quanto material foi usado. Assim, mantém o controle dos níveis de estoque e gera a informação para a fatura.
Código de barras, RFID e outras tecnologias
Nenhum desses processos funciona sem o escaneamento por código de barras. Ligado a coletores manuais, ele guia o operador passo a passo e detecta erros, como itens fora da sequência ou misturados no mesmo contentor. O sistema pode até bloquear o coletor se o usuário escanear o componente errado três vezes seguidas. Além disso, o escaneamento dá rastreabilidade: se um componente tiver defeito ou uma remessa vier incompleta, fica fácil descobrir o que deu errado.
Já o RFID ainda não tinha grande impacto no WMS na época do artigo. Ele só é interessante em ambiente padronizado; se a montadora não tem RFID, a identificação vira transtorno. Ainda assim, em um caso como localizar alguns motores entre 400 unidades vermelhas e parecidas, etiquetas de RFID mostram na tela onde cada motor está. Por fim, a separação por luz garante kits corretos, e a separação por voz começava a ser usada, mas ainda sofria com o ruído do ambiente.
Custos e integração do WMS no setor automotivo
Separação por luz, por voz e RFID exigem investimentos robustos e só fazem sentido em ambiente estável. Além disso, é preciso configurar o software para a forma de trabalhar de cada usuário. Para ser efetivo, o WMS deve se integrar a pedidos, previsões e transportes. Integrado à previsão de produção, ele sabe quais componentes esperar; integrado aos pedidos, garante que tudo seja atendido corretamente.
A integração também dá visibilidade de vários armazéns. Assim, se o armazém mais próximo não consegue atender um pedido urgente, o fornecedor encontra o local mais próximo com estoque. Da mesma forma, a montadora acha o componente em um armazém vizinho para manter a linha rodando.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
O WMS no setor automotivo torna o armazém visível. Ele apoia o crossdocking, o sequenciamento e os kits, controla erros por código de barras e dá rastreabilidade. Em resumo, a chave de uma operação eficiente é um sistema de armazém integrado e transparente, que conversa com pedidos, previsões e transportes.
Conteúdos complementares recomendados
- O que é WMS na logística: As funções do sistema de gerenciamento de armazém.
- Integração entre armazém e transporte: Como os dois sistemas trabalham juntos.
- Separação por luz: A tecnologia que garante kits corretos.
