Matriz de transportes no Brasil: a situação de cada modal
Matriz de transportes em resumo: Matriz de transportes é a distribuição dos volumes transportados entre os modais. No Brasil, o rodoviário leva 59% da carga, o ferroviário 24% e o aquaviário 13%. O problema não é só o desequilíbrio, mas o uso do modal errado para cada carga, como grãos levados de caminhão por longas distâncias até os portos.
Muita gente opina sobre logística e infraestrutura no Brasil. Por isso, vale olhar a matriz de transportes com uma visão mais técnica. Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, dá um panorama geral dos modais de transporte de cargas e da infraestrutura do País.
O ponto de partida é a matriz de transportes, ou seja, a distribuição dos volumes transportados entre os diversos modais. Em seguida, analisamos a situação de cada um deles.
O que a matriz de transportes mostra
Segundo a federação das indústrias paulista, a matriz de transportes do Brasil e do Estado de São Paulo mostra um desequilíbrio entre os modais. Esse quadro aponta a necessidade de ajustes que tragam mais competitividade e desenvolvimento econômico sustentável.
| Modal | Brasil (%) | São Paulo (%) |
|---|---|---|
| Rodoviário | 59,0 | 93,1 |
| Ferroviário | 24,0 | 5,3 |
| Aquaviário | 13,0 | 0,5 |
| Aeroviário | 0,3 | 0,3 |
| Dutoviário | 3,7 | 0,8 |
Os dados da tabela são da FIESP, de 2011. Porém, o desequilíbrio em si não é o problema. O que pesa é a grande diferença de custos e a adequação de cada carga ao modal certo.
Cada carga no seu modal
Veja o caso da safra de grãos de 2013, prevista pela Conab em 184 milhões de toneladas, 10,8% maior que a anterior. Para essa carga, os modais mais adequados são o ferroviário e o aquaviário, que inclui o marítimo, a cabotagem e o hidroviário. Afinal, eles servem para grandes volumes, longas distâncias e baixo valor agregado.
Já o transporte rodoviário de cargas, o TRC, é adequado para produtos de médio e alto valor agregado, em médias e curtas distâncias, e para operações porta a porta.

Os modais terrestres
Rodoviário na matriz de transportes
O TRC é de longe o modal mais usado, com 59% do volume. Ele é bom em custo e agilidade nas operações porta a porta. Entretanto, há grandes distorções, como o transporte de grãos do Mato Grosso até os portos de Santos e Paranaguá.
Além disso, o TRC sofre com a infraestrutura. Em grande parte do País, as estradas estão em péssimo estado, com buracos e acostamentos ruins. Já nas estradas boas, os pedágios são considerados elevados.
A Lei 12.619/12, que regulamenta a jornada de trabalho, trouxe outro desafio. Por um lado, ela eleva a segurança nas estradas. Por outro, causa apreensão pela falta de locais adequados para o repouso e pelo provável aumento dos fretes, já que a ocupação dos veículos diminui.
Ferroviário na matriz de transportes
O ferroviário responde por apenas 24% do volume. Contudo, o País é grande e transporta muitos produtos agrícolas e minérios, de baixo e médio valor, por longas distâncias. Por isso, esse percentual deveria ser no mínimo o dobro. Assim, os custos de transporte cairiam, a exportação ficaria mais competitiva e a balança comercial teria saldo maior.
Há grandes projetos em andamento, como as ferrovias Norte-Sul e de Integração Centro-Oeste. No entanto, o ritmo está muito abaixo das necessidades, com registros de enormes atrasos.
Aquaviário, aéreo e dutoviário na matriz de transportes
O aquaviário representa 13% do volume. Pelos mesmos motivos do ferroviário, esse número deveria ser bem maior, sobretudo com a cabotagem, o transporte marítimo pela costa. Afinal, cerca de 60% da economia do Brasil está a menos de 250 km do litoral.
Mesmo assim, o modal tem dois pontos críticos:
- Infraestrutura portuária: é insuficiente e inadequada para as necessidades do País.
- Legislação: somada à deficiência dos órgãos de fiscalização, forma um gargalo grave.
O aeroviário tem impacto muito pequeno no transporte de cargas. Ele só é relevante para produtos de altíssimo valor agregado e cargas expressas. Por fim, o dutoviário leva principalmente derivados de petróleo e poderia crescer, mas depende de projetos específicos.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
A matriz de transportes brasileira depende demais do caminhão, inclusive para cargas que deveriam seguir por trilhos ou pela água. Em resumo, o desafio é levar cada carga ao modal certo e destravar a infraestrutura de ferrovias e portos. Assim, o País reduz o custo logístico e ganha competitividade.
Conteúdos complementares recomendados
- Modais de transporte: As vantagens e os desafios de cada modal.
- Critérios para escolher o modal: Como decidir o modal de cada carga.
- Equilíbrio no uso dos modais: Outra visão sobre o desequilíbrio entre os modais.

