Gestão de estoques hospitalar: o caso de um hospital oncológico
Gestão de estoques hospitalar em resumo: Gestão de estoques hospitalar exige processos sólidos, porque falhas nos medicamentos afetam o funcionamento do hospital. Em um hospital de câncer do interior paulista, o projeto estruturou três almoxarifados: medicamentos, quimioterápicos em temperatura controlada e geral. Ele incluiu diagnóstico, arquitetura organizacional, comitê de acuracidade, ferramentas e indicadores.
A gestão de estoques hospitalar tem um peso especial. Afinal, num hospital, a falta de um medicamento afeta diretamente o paciente. Este artigo mostra como um hospital de referência no tratamento do câncer, no interior de São Paulo, estruturou seus estoques com apoio da IMAM.
Atualmente, o hospital atende mais de 3.500 pacientes por dia e tem 200 leitos de internação só na cidade, sem contar outras unidades. Parte dos quimioterápicos vem do Ministério da Saúde, mas a maioria é comprada pelo próprio hospital.
Por que investir na gestão de estoques hospitalar
Vários motivos levaram o hospital a investir em logística. No passado, a liderança teve dificuldade de fazer o projeto sozinha, porque a formação técnica da equipe não incluía logística. Além disso, as ineficiências na gestão dos estoques, sobretudo de medicamentos, afetavam o funcionamento do hospital.
Os recursos também são apertados, pois há subsídios do SUS, mas eles ficam sempre aquém das necessidades, já que a quimioterapia consome muitos recursos. Então, a primeira saída foi terceirizar a operação logística e o abastecimento dos almoxarifados. Contudo, o resultado não correspondeu às expectativas.
Por isso, com as lições aprendidas, o hospital decidiu buscar apoio para estruturar a área e formar uma equipe própria, alinhada aos objetivos estratégicos.

Os três almoxarifados do projeto
O projeto estruturou e implantou um modelo de gestão de estoques em três almoxarifados. Contudo, cada um tem uma exigência diferente:
| Almoxarifado | O que guarda | Exigência citada |
|---|---|---|
| Medicamentos | Medicamentos em geral | Foco das maiores ineficiências do passado |
| Quimioterápicos | Apenas medicamentos quimioterápicos | Precisam ser manipulados e exigem ambiente com temperatura controlada |
| Geral | Demais materiais do hospital | Integra o mesmo modelo de gestão |
Como foi a gestão de estoques hospitalar no projeto
A assessoria seguiu um roteiro em etapas. Assim, o hospital passou do diagnóstico à operação com uma equipe própria:
- Diagnóstico da situação atual.
- Arquitetura organizacional da gestão da cadeia de suprimentos.
- Formação de um comitê de acuracidade e de outros comitês.
- Implantação de estratégias, ferramentas e indicadores de desempenho (KPIs).
- Formação de uma equipe do hospital de alto desempenho em suprimentos e logística.
O modelo foi desenhado com um propósito claro: dar o melhor atendimento aos pacientes, com eficiência na cadeia de suprimentos. Em outras palavras, a melhoria na gestão de suprimentos impacta diretamente a recuperação dos pacientes.
A logística das unidades móveis
O hospital também fabrica e monta unidades móveis em ônibus e caminhões, num barracão de 4 mil m². Assim, elas levam prevenção a quem não tem acesso. Por exemplo, um dos modelos atende pele, próstata, mama e colo do útero, faz pequenas cirurgias e recebe 210 pacientes por dia.
Outro é um ônibus de 4,1 m de altura, o máximo permitido nas estradas, com estrutura que evita trepidações. Além disso, ele tem ar-condicionado, elevador interno, adaptação para cadeirantes e um mamógrafo digital que examina 70 mulheres por dia. Por fim, para funcionar, o ônibus é ligado a um ponto de energia, como os veículos refrigerados.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
A gestão de estoques hospitalar não se resolve só com terceirização. Pelo contrário, o caso mostra a força de um modelo próprio, com diagnóstico, comitê de acuracidade, indicadores e equipe treinada. Desse modo, a logística passa a trabalhar a favor do paciente.
Conteúdos complementares recomendados
- Logística e saúde: Outros desafios logísticos do setor de saúde.
- Almoxarifado: Como organizar e controlar o almoxarifado.
- Acuracidade de estoque: O tema do comitê criado no hospital.

