Gestão global de estoques: quanto estocar ao longo da cadeia
Gestão global de estoques em resumo: Gestão global de estoques é calcular de uma só vez quanto e onde manter estoque em toda a cadeia de abastecimento, assim como o financeiro gerencia o caixa da empresa inteira. Em vez de políticas locais em cada instalação, ela considera a variabilidade da demanda e dos fornecedores e evita proteções redundantes, faltas e estoques obsoletos.
A gestão global de estoques responde a um velho dilema. Há muito tempo se fala do estoque just-in-time: a quantidade certa de cada item, no local certo e no momento exato. A ideia ainda é boa. Porém, virou pesadelo para gerentes que lidam com fornecedores que só enviam caminhão cheio e com transportadores que não viajam sem carga completa, por causa do custo do diesel.
Isso influencia as estruturas internas e externas de um centro de distribuição. Afinal, manter estoque reserva é o melhor modo de prevenir a falta? E faz sentido econômico? Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, mostra por que a visão global responde melhor a essas perguntas.
Métodos comuns versus gestão global de estoques
Uma abordagem comum é o lote econômico, que equilibra o custo de aquisição e o de transporte. No entanto, ela fracassa por algumas razões:
- Primeiro, a empresa costuma subestimar os custos de transporte e avaliar mal os de aquisição.
- Além disso, supõe que todo o estoque será vendido e não considera o impacto da falta.
- Por fim, ajusta os estoques de segurança de forma arbitrária, por tentativa e erro. Quando altos demais, eles pressionam os recursos financeiros sem necessidade.
Outra abordagem é deixar a decisão com o software. Nesse caso, sistemas ERP e de planejamento das necessidades de distribuição (DRP) seguem seus parâmetros e muitas vezes geram informação a partir de dados incorretos. Por isso, esse método exige cuidado, porque o sistema age conforme foi programado.

O estoque como ele deveria ser
Uma abordagem mais adequada é dimensionar os estoques como eles deveriam ser. Ou seja, considera a precisão da previsão, o nível de serviço exigido, os tempos de reposição, a confiabilidade dos fornecedores e a capacidade disponível na cadeia. Além disso, os modelos de gestão comparam o ideal com o atual, apontam problemas e permitem simular cenários do tipo o que aconteceria se.
Em resumo, há duas razões principais para usar esses modelos: entender os fatores que influenciam o investimento em estoques e focar a redução do capital de giro imobilizado. Contudo, eles não são eficientes quando a causa do excesso já é conhecida.

A lógica da gestão global de estoques
Nenhum gerente financeiro imagina gerenciar o caixa separadamente em cada unidade de negócio. Afinal, isso criaria proteções de caixa desnecessárias em cada local. Na cadeia de abastecimento, porém, políticas locais de estoque têm sido a norma, e cada instalação cria a sua própria proteção.
A gestão global de estoques funciona como a gestão global de caixa. Assim, ela cria políticas que minimizam faltas e evitam estoques redundantes. Segundo o PDF, as empresas que a adotam conseguem remover vários dias de estoque e consideram a iniciativa uma das menos perturbadoras e de melhor retorno sobre o investimento. Assim, os interesses do diretor financeiro e do gerente da cadeia ficam alinhados.
Seis razões para repensar os estoques
| Razão | O que pressiona |
|---|---|
| 1 | Pressão para reduzir o ciclo cash-to-cash |
| 2 | Necessidade de caixa livre para outros investimentos |
| 3 | Redução de preço ferindo as margens |
| 4 | Proliferação de SKUs aumentando a complexidade e os custos |
| 5 | Clientes insatisfeitos com o nível de serviço, apesar do alto investimento em estoques |
| 6 | Materiais sujeitos à obsolescência |
Tecnologia multiescalão na gestão global de estoques
Métodos tradicionais, como os do ERP ou do planejamento avançado (APS), não dão uma visão de ponta a ponta do estoque. Na melhor das hipóteses, eles programam o estoque nível a nível, dos armazéns locais aos CDs regionais. Além disso, tratam as variáveis como se tivessem uma distribuição média. Consequentemente, essas falhas aumentam com a terceirização e o fornecimento global, que trazem prazos mais longos e fornecedores mais variáveis.
A ferramenta que viabiliza a gestão global é a otimização de estoques multiescalão. Ela permite três ações que os sistemas anteriores não faziam:
- Primeiro, calcular de forma global onde e quanto manter de estoque nas fábricas, montagens, expedições, CDs e armazéns locais.
- Depois, considerar a flutuação da demanda, os atrasos de fornecedores, os prazos de expedição, as taxas de produção e a sazonalidade.
- Por fim, fazer o investimento render mais com estratégias como antecipação, balanceamento de riscos e ajuste do mix aos níveis de serviço.
Giro, última milha e gestão global de estoques
Na prática, para reduzir estoques, comece separando o que gira devagar do que gira rápido. Afinal, um SKU parado no fundo do armazém custa dinheiro, porque é capital de giro imobilizado. Às vezes, o melhor a fazer é limpar o estoque. Além disso, outra estratégia é contratar terceiros especializados na última milha, a entrega na porta do cliente. Em resumo, a janela de trabalho fica entre o pedido e a entrega, e a análise deve começar pela manufatura.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
A gestão global de estoques troca as proteções locais por um cálculo único da cadeia. Com isso, a empresa reduz faltas, excessos e obsoletos e libera capital de giro. Em resumo, o estoque passa a ser tratado como o caixa: com visibilidade de ponta a ponta e uma política única para todos.
Conteúdos complementares recomendados
- Gestão de estoques: Os conceitos básicos do controle de estoques.
- Estoque de segurança: Como dimensionar a proteção contra a falta.
- Princípios fundamentais: As bases de qualquer política de estoque.

