Implantação do Bloco K: o cadastro de itens e os pontos de controle
Implantação do Bloco K em resumo: Implantação do Bloco K exige escriturar todo mês a entrada, a saída e os saldos de matéria-prima, embalagens, produtos em processo e acabados. Por isso, envolve ao menos seis áreas da empresa. O ponto crítico é o cadastro de itens no sistema: tipo do item, NCM, unidade de medida, ficha técnica e ordens de produção.
A implantação do Bloco K tornou digital uma obrigação antiga. Afinal, o Bloco K é a escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque na Escrituração Fiscal Digital, dentro do SPED. Na verdade, esse livro, em versão física, já estava previsto na legislação fiscal desde a década de 1970. Por sua vez, o PDF, de 2015, tratava da preparação das primeiras empresas obrigadas.
Até então, os projetos do SPED envolviam sobretudo contabilidade, área fiscal e TI. No entanto, com o Bloco K, outras áreas passam a ter responsabilidade tão grande quanto essas. Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, reúne os pontos de atenção dessa mudança.
O que muda com a implantação do Bloco K
Em primeiro lugar, no Bloco K passa a ser obrigatório escriturar, todo mês, a entrada e a saída de matéria-prima, embalagens, produtos em processo, produto acabado, subproduto, produto intermediário e outros insumos, além dos saldos.
Por isso, no mínimo seis departamentos participam do projeto, do cadastro de itens à produção. Além da contabilidade e do fiscal, entram compras, almoxarifado, PCP e produção. Juntos, eles garantem a acuracidade dos níveis de estoque.

Pontos de controle no cadastro de itens
O momento da implantação no software é crucial, porque o cadastro básico de itens direciona todas as demais ações. Veja os pontos que merecem atenção:
- Tipo do item: revise os códigos já atribuídos. Por exemplo, um item de uso e consumo (código 07) não tem saldo apurado, enquanto a matéria-prima (código 01) tem.
- NCM: além disso, o produto precisa do enquadramento correto na Nomenclatura Comum do Mercosul, coerente com o CNAE da empresa.
- Unidade de medida: também confira se é a mesma usada pelo fornecedor na entrega; caso contrário, será preciso converter.
- Ficha técnica: a empresa informa quais itens e em que quantidades compõem cada produto. Ou seja, ela se refere só aos insumos, sem tecnologia, forma ou mão de obra. Por isso, foi o ponto mais polêmico.
- Ordens de produção: elas, ou um controle equivalente, passam a ser documentos importantes para controlar a matéria-prima. Assim, perdas, refugos e materiais de teste, pesquisa ou promoção devem ser rigidamente comprovados.
- Informação às áreas fiscal e contábil: por fim, processos antes despercebidos precisam ser sistematizados, por exemplo para o estorno de crédito tributário.
Tipos de item na implantação do Bloco K
Além disso, no sistema ERP, cada produto recebe um código de tipo no cadastro. A tabela mostra a lista do PDF:
| Código | Tipo de item | Observação do PDF |
|---|---|---|
| 00 | Mercadoria para revenda | Adquirida para comercialização |
| 01 | Matéria-prima | Compõe física ou quimicamente o produto e não vem do processo produtivo; mercadoria recebida para industrialização também é tipo 01 |
| 02 | Embalagem | Sem detalhamento no PDF |
| 03 | Produto em processo | Nasce e é consumido no processo; não está pronto para venda |
| 04 | Produto acabado | Resultado final da atividade, pronto para venda |
| 05 | Subproduto | Nasce no processo, mas não é o objeto principal; pode ter aproveitamento econômico |
| 06 | Produto intermediário | Consumido na industrialização sem integrar o produto, como lixa, broca e serra; não entra na ficha técnica |
| 07 | Material de uso e consumo | Consumido na produção sem medição diária, como estopas; não entra no estoque escriturado |
| 08 | Ativo imobilizado | Sem detalhamento no PDF |
| 09 | Serviços | Sem detalhamento no PDF |
| 10 | Outros insumos | Sem detalhamento no PDF |
| 99 | Outras | Sem detalhamento no PDF |
Por que se antecipar
A complexidade de detalhes e de processos integrados é imensa. Por isso, a comunicação entre as áreas é decisiva. Além disso, as empresas devem se antecipar, porque a preparação é tão importante quanto a operação.
Por exemplo, simulações e auditorias ajudam a prever incorreções. Afinal, as multas são pesadas quando o fisco encontra diferenças sem justificativa plausível. Segundo o PDF, algumas empresas cogitavam até medidas cautelares para não revelar a fórmula dos produtos, que faz parte do seu conhecimento próprio.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
A implantação do Bloco K começa no cadastro de itens e depende de várias áreas trabalhando juntas. Em resumo, revise tipos, NCM, unidades e fichas técnicas, documente perdas e simule antes de entregar a obrigação.
Conteúdos complementares recomendados
- Dificuldades e ganhos da implementação: O que as empresas viveram depois da obrigação.
- Acuracidade de estoque: Por que o saldo precisa bater com o físico.
- PPCP: O planejamento que alimenta as ordens de produção.

