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Desenvolvimento Organizacional

Kaizen e a Incrível Diversidade Humana

Por Eduardo Banzato em 30 de março de 2020 • Atualizado em 24 de julho de 2026
kaizen
10 minutos para ler
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Fazer
escolhas faz parte da natureza humana e nós, seres humanos que somos,
interpretamos estas escolhas das mais diferentes formas e por isso não tenho a
pretensão aqui de estar certo ou errado, ou seja, apenas quero registrar
algumas de minhas experiências e observações em mais de 30 anos de vida
profissional.

Em
minhas primeiras missões de estudos ao Japão, eu tinha um interesse pessoal:

identificar
como os japoneses administravam a melhoria contínua e compreender qual era a
influência da cultura popular na efetividade da aplicação de conceitos como o
Kaizen.

Obviamente
que, após mais de 600 visitas em empresas japonesas e mais de 1.500 projetos,
aqui no Brasil, envolvendo justamente processos de melhoria, nossa opinião fica
influenciada por estas experiências, diferente por exemplo das experiências de
vários colegas que se dedicaram ao modelo americano e/ou europeu etc., mas que
também são absolutamente válidos.

Para
simplificar um pequeno espectro desta visão, observe a matriz que apresenta, de
forma lúdica, alguns perfis profissionais que já encontramos pelas empresas
aqui no Brasil e que, se não forem bem administrados por uma metodologia de
implementação, podem implicar em um programa não sustentável no longo prazo.

A
matriz de perfil profissional é dividida em 4 quadrantes, determinados pelo
nível de CONHECIMENTO, bem como da positividade das ATITUDES profissionais em
relação à Melhoria Contínua.

QUADRANTE
1: ELIMINAR OU CONSCIENTIZAR

Apesar
destes perfis profissionais serem em menor número em uma organização, são
muitas vezes difíceis de localizar e podem facilmente interromper a jornada da
empresa rumo a Melhoria Contínua. Vamos a eles:

1.
Intelectuais de Escritório:
 Sabem tudo de Kaizen, usam os
termos corretos, já leram todos os livros sobre o tema, insistem sobre a forma “correta”
de se implementar, mas não gostam muito de estar no “gemba” (onde as coisas
efetivamente acontecem);

2.
Fantasmas com Conteúdo:
 Estes, apesar de saberem muito,
se “escondem” e não participam de reuniões, não apoiam projetos, nunca têm
tempo e assim acabam não assumindo responsabilidades. Mas certamente farão as
críticas àqueles que fazem acontecer;

3.
Chefe, não Líder:
 Já é um conhecido tradicional de
muitas empresas, são aqueles que não dão muita atenção às ideias simples dos
funcionários, pois estão realizando tarefas “mais importantes”, cancelam e nem
dão “feedback” quando percebem que a ideia será muito complexa de se
implementar, etc.

4. A
“Turma do Contra”: 
Estava eu falando com um integrante
desta turma certa vez e eles me disseram… “Banzato, entenda, nós somos contra
por princípio e se percebermos que essas ideias podem gerar demissão, a linha
de produção vai parar!”. E não é que eles tinham razão… infelizmente a
empresa deixou de produzir lá no ABC – mas enfim, ao invés de se conscientizarem
por amor, vão se conscientizando pela dor;

5.
Negociadores e Sabotadores:
 Negociam ideias em troca de
dinheiro e sabotam ideias que podem não impactar em ganhos pessoais. Ex.: Se
sou da engenharia e a empresa não paga prêmio pela minha ideia, então vou até a
produção e negocio a minha ideia com algum operador e rachamos o prêmio…

QUADRANTE
2: CONSCIENTIZAR E TREINAR

Para
muitas empresas no Brasil, este quadrante ainda representa uma grande parcela
dos profissionais, participam de forma absolutamente descompromissada de ações
e programas de melhoria e, pelo fato de não existir nenhuma rotina que os
comprometa com a melhoria contínua, vão levando o dia a dia “na boa”. Vamos a
eles:

6.
Alienados e Manipulados:
 Não sabem o que está acontecendo
e não se esforçam em saber. Assim, são facilmente manipulados pelos integrantes
do quadrante 1. Muitos acreditam que melhoria contínua não faz parte da sua
função, que é trabalho adicional e não estão sendo remunerados para isso;

7.
Fantasmas sem Conteúdo:
 Não querem se comprometer com
mais trabalho, vivem se “escondendo” e não participam de reuniões, não apoiam
os colegas e assim acabam não assumindo mais responsabilidades. Não vão
criticar ninguém… aliás, desaparecem de fato ou ficam no banheiro (ex.: vendo
“Whatsapp”);

8.
Largados e Folgados:
 Geralmente são funcionários
ligados aos chefes que não são líderes e por isso ficam largados, esperando
ordens. Se não chegar, melhor. Este perfil profissional gosta do conceito
“menos é mais – menos trabalho é mais folga…”;

9.
Vou Perder o Emprego: 
O fato de não saberem o que está
acontecendo, ficam sempre na expectativa de serem demitidos. Se algum
supervisor chama para conversar, já pensam no “pior” que, dependendo do caso,
para muitos, ainda é o “melhor”, pois é exatamente isto que buscavam (os seus
“direitos”);

10.
Tudo é Piada:
 Kkkkkkk… Esse pessoal é assim!
O foco é zoar, contar piada, compartilhar conteúdo “raso”. Em salas de
treinamento, não focam muito no conteúdo a ser apresentado, mas mais no amigo a
ser zoado e geralmente se posicionam no fundão. Mas se sentem bem assim, pois
as piadas compensam o ambiente corporativo, que muitas vezes não é saudável;

QUADRANTE
3: TREINAR E VALORIZAR

Tem
empresas que podem nunca terem ouvido falar em Kaizen, mas possuem verdadeiros
heróis que fazem com que a mesma prospere a duras penas. Ainda existem empresas
no Brasil com muitos profissionais com esta característica e é importante
valorizar e envolver esses profissionais adequadamente em uma implementação
para que eles se tornem aliados e não inimigos do modelo de gestão da Melhoria
Contínua. Vamos a eles:

11.
Missão Dada é Missão Cumprida:
 Não
sabem bem porque executam uma determinada tarefa e são muito dependente das
ordens, mas quanto a execução, podem ficar tranquilo… Fazem acontecer
independentemente dos desafios que encontram pela frente!;

12.
Herói de Processos Ruins:
 Ninguém supera o seu esforço
descomunal e não poupa esforços para alcançar as metas. Mesmo completamente
arrebentado, sente orgulho por ter ajudado a empresa e não se importa com a
falta de apoio dos colegas. É um orgulho servir!;

13.
Esforço sem conteúdo:
 O fato de não terem nenhum
conhecimento sobre Melhoria Contínua leva muitos profissionais a se matarem
pela “Eficiência”, mas perderem o foco da “Eficácia”. Assim, apesar do esforço,
a empresa não está tendo bons resultados;

14.
No limite da saúde:
 Empresas que não investem em
planejamento adequado dos recursos levam seus funcionários para os hospitais.
Profissionais que não possuem conhecimento para questionar o processo e são
absolutamente comprometidos com a empresa, podem acabar em uma cama de hospital
ou…;

15.
Aprendendo a Aprender:
 O profissional comprometido, que
tem a chance de estudar, começa também a visualizar a passagem que leva do
Quadrante 3 para o Quadrante 4. Mais importante que estudar é aprender a
aprender… Isso faz manter em movimento o ciclo da Melhoria Contínua;

QUADRANTE
4: RECONHECER E APRIMORAR

As
empresas no Brasil que conseguiram criar um ambiente favorável a Melhoria
Contínua (e são centenas) já possuem muitos profissionais neste 4º quadrante.
Obviamente, existem muitas formas de visualizar a Melhoria Contínua (ex.:
Operacional, Tática e Estratégica – abordagem IMAM, similar a de Masaaki Imai,
“pai” do Kaizen) e assim, a definição dos perfis profissionais deste
quadrante varia conforme metodologia de implementação. Vamos a eles:

16.
Caçador de Resultados:
 Especialistas em melhoria
contínua, com formação técnica especializada em ferramentas específicas (ex.:
análises estatísticas), programação, etc. Possuem consciência e conhecimento de
como podem dedicar seu tempo e retornar resultados financeiros para a empresa
e, consequentemente, para si próprio;

17.
Criativo e Econômico:
 Além do conhecimento e capacidade
analítica, possui criatividade e se desafia continuamente para criar soluções
de baixo investimento e alto retorno. Sim, se sua empresa tem poucos
profissionais com estas características, invista e vá atrás;

18.
Kaizen é Amor ao Próximo:
 Kai –> Mudar e Zen –>
Melhor… a partir de muitas observações e comportamentos voltados a melhoria
contínua, percebemos que o ciclo contínuo de mudar para melhor tem uma visão
mais ampla e que envolve o AMOR na visão de Cristo, onde fazer o bem olhando
apenas o próximo tem um grande poder multiplicador;

19.
É Dando que se Recebe:
 Se você ainda não percebeu a
força de princípios básicos, tais como: “gentileza gera gentileza”, melhorar o
processo para o seu próximo sem pensar no retorno, mudar para melhor como um
modo de vida… Pare e avalie! Por exemplo, eu, compartilhando estas minhas
experiências não espero absolutamente nenhum retorno, mas sei que posso ajudar
muita gente que, assim como eu, fui e continuo sendo ajudado;

20.
Protagonistas da Melhoria Contínua:
 E
você? Também é protagonista da Melhoria Contínua? Interage com pessoas? Passa
seus conhecimento? Senta na primeira fila para aprender? Implementa as
melhorias para o próximo? Comemora e reconhece os esforços? Siga em frente!

Para
refletirmos…

Avançar
com uma estratégia de implementação da Melhoria Contínua não é algo tão
simples. A diversidade humana é complexa o suficiente para demandar atenção
específica em pontos que ainda não foi possível colocar em algoritmos, livros
e/ou artigos como este.

Somente
o verdadeiro respeito profissional entre os integrantes de um time que irá se
sobrepor a qualquer diferença conceitual, ideológica, social… Ouça de fato os
conhecimentos dos profissionais de Recursos Humanos, interprete o que os
líderes desejam para o negócio, dê atenção aqueles que estão no
“gemba” e fazem acontecer. Apoie as lideranças, equipes técnicas,
analistas… não esqueça de envolver ninguém!

O curso de especialização LEAN, é muito abrangente e é detalhado o uso de kaizen nas empresas.

https://www.imam.com.br/cursos2/especializacaolean/

Sucesso
a todos!

FAQ – Perguntas Frequentes

O que é Kaizen?

Kaizen é uma filosofia japonesa de melhoria contínua, cujo nome significa literalmente “mudança para melhor”, aplicada para eliminar desperdícios, melhorar processos e envolver todos os níveis da organização.

Qual a origem do Kaizen?

O Kaizen surgiu no Japão pós‑Segunda Guerra Mundial, a partir de conceitos americanos de controle da qualidade, e foi formalizado por Masaaki Imai para aplicar a melhoria contínua no Sistema Toyota de Produção.

Quais são os principais benefícios do Kaizen?

Ele promove redução de desperdícios, aumento de produtividade, melhoria da qualidade, engajamento dos colaboradores e cultura de inovação sustentável.

Quais são os pilares ou fundamentos do Kaizen?

Entre os pilares estão: envolvimento de todos, melhoria contínua, eliminação de desperdícios, trabalho em equipe e uso de ferramentas como PDCA, 5S e Ishikawa.

Como o Kaizen é aplicado na prática?

Na prática, usa-se o ciclo PDCA (Planejar, Fazer, Verificar, Agir), pequenas melhorias diárias, análise de causas com 5 porquês ou espinha‑de‑peixe, e participação ativa de todos os colaboradores.

O que é Gemba Kaizen?

Gemba Kaizen foca em aplicar melhorias diretamente no “Gemba” (local onde o trabalho acontece, ex: chão de fábrica), apontando para o aprimoramento contínuo no dia a dia operacional.

Quem deve participar do Kaizen?

Todos os colaboradores devem participar, do CEO ao operador de linha, pois a filosofia se baseia no envolvimento coletivo para identificar e implementar melhorias.

Quais desafios surgem ao implementar Kaizen?

Desafios incluem resistência cultural, falta de capacitação, integração com sistemas legados e manter o compromisso contínuo das equipes e da liderança.

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