Ponte rolante: como escolher o tipo, a capacidade e o sistema de controle
Escolha da ponte rolante em resumo: A ponte rolante certa depende primeiro do local: prédio novo, prédio existente, lado externo de um prédio ou área aberta. Depois, a aplicação define a carga de trabalho nominal, as velocidades da talha e do percurso e o tipo de controle. Ambiente, energia, batentes, anticolisão e acesso para manutenção completam a decisão.
A escolha do tipo de ponte rolante depende muito do local onde ela será instalada. Existem quatro situações principais. Primeiro, a ponte interna num prédio novo. Depois, a ponte interna num prédio já existente. Em seguida, a ponte externa ao longo de um lado do prédio. Por fim, a ponte externa numa área aberta.
Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, analisa cada situação e, em seguida, os fatores da aplicação que definem o equipamento.
Ponte rolante interna em prédio novo
Se a ponte rolante precisa atravessar toda a largura de um prédio novo, a opção mais provável é a ponte de pórtico apoiado. Nesse caso, o pórtico pode fazer parte da própria estrutura do prédio.
Se ela atravessa apenas parte da largura, há outras opções:
- Ponte de pórtico suspenso, que corre sobre trilhos suspensos a partir do prédio e mantém o piso livre de apoios extras.
- Semi-ponte rolante, adequada só quando o vão livre precisa atingir um único lado do prédio.
- Semi-pórtico rolante, que obstrui parte do piso, mas pode servir para trajetos curtos.
Nas opções com perna e trilho no piso, é preciso avaliar os riscos que eles criam. Além disso, a decisão deve sair logo no início do projeto do prédio. Assim, o projeto já prevê capacidade, vão livre, altura de elevação e trajeto. As cargas que a ponte impõe ao prédio, ao pórtico e ao piso também entram no cálculo.
O projeto do prédio precisa conhecer a ponte
O projetista do prédio deve conhecer estruturas para pontes rolantes. O projeto precisa permitir ajustar com precisão a linha, o nível e o vão dos trilhos, porque muitos prédios se movimentam com o tempo. Ademais, prédios de estrutura pré-fabricada podem flexionar com o vento e com cargas como caixas d’água. Isso pode gerar uma variação inaceitável do vão livre. Amarrações limitam o efeito, de preferência ainda na etapa de projeto.

Ponte rolante interna em prédio existente
Aqui, tudo depende do projeto do prédio e de já existir um pórtico. Se existir, é preciso estabelecer a sua capacidade de carga e conferir o alinhamento. Em qualquer caso, quatro dimensões críticas precisam de medição:
- O vão livre entre as linhas de centro dos trilhos do pórtico.
- A distância entre a linha de centro do trilho e cada lado do prédio.
- A altura livre acima do trilho do pórtico.
- A altura do piso até o topo do trilho do pórtico.
Meça essas dimensões em vários pontos, sobretudo onde o prédio ou o pórtico foi estendido. No entanto, se o prédio não foi projetado para uma ponte rolante, dificilmente resistirá sem reforço considerável ou sem um pórtico independente sobre novas fundações. A altura livre também pode limitar a capacidade possível.

Ponte rolante externa
Ao longo de um lado do prédio, as opções principais são o semi-pórtico apoiado e o semi-pórtico isolado. A decisão depende de o prédio suportar um pórtico nesse lado e da extensão do trajeto. Ou seja, é preciso balancear o custo do semi-pórtico, mais caro, com o do pórtico ao nível do piso, mais barato. Já numa área aberta, a opção real é um pórtico apoiado com estrutura independente. Em ambos os casos, as pernas e os trilhos no piso trazem riscos que devem ser avaliados.

Como a aplicação define a ponte rolante
Depois de escolher o tipo adequado ao local, é hora de olhar a aplicação. Ela determina três aspectos: a carga de trabalho nominal, as velocidades da talha e do percurso e o tipo de sistema de controle.
Carga de trabalho nominal
A carga de trabalho nominal mede a frequência de uso e o peso que a ponte levanta em relação à capacidade máxima. Por exemplo, uma ponte que ergue a carga máxima o tempo todo, em turno de 24 horas, trabalha muito mais que outra usada poucas vezes ao dia. Se a ponte trabalhar acima do previsto, perde segurança e confiabilidade, pede mais inspeções e dura menos. Portanto, analise as cargas atuais e futuras.
Velocidades e sistema de controle
Para posicionar a carga com precisão, a ponte precisa de velocidade variável ou baixa. Por outro lado, em elevações altas ou percursos longos, a produtividade pode exigir alta velocidade. Há opções que combinam as duas coisas.
O controle depende de onde o operador fica e de quanto ele anda. Para trajetos longos e frequentes, a cabine pode ser a melhor opção. Já o controle remoto serve a quem precisa de visão ampla ou opera em níveis diferentes. Por fim, o controle suspenso atende quem também prende as cargas e quer o comando ao alcance da mão.
Elevação em tandem
Às vezes, duas pontes dividem a mesma carga em operação sincronizada. Nesse caso, cada uma deve ter carga de trabalho segura igual ou maior que a sua parte, e as velocidades devem ser compatíveis. Na compra de duas pontes novas para isso, trate-as como um equipamento único, com uma só estação e um só conjunto de controles. Assim, os sistemas se comunicam e executam o mesmo movimento. Mesmo assim, elas podem continuar operando de forma independente.
Ambiente, energia, segurança e manutenção
Informe ao fornecedor qualquer condição ambiental excepcional. Pontes para uso ao ar livre têm proteção contra intempéries, materiais resistentes à corrosão e chumbadores especiais contra o vento. Considere esses pontos também ao comprar uma ponte usada para uso externo.
Na alimentação elétrica de pontes em nível alto, o comum é um sistema fechado de condutores. Para curtas extensões, porém, servem a cortina de cabos ou o tambor de enrolamento. Além disso, todo pórtico ou trilho deve ter fins de curso ou batentes, e os sistemas modernos de controle podem incluir recursos anticolisão. Por fim, a manutenção e a inspeção exigem acesso a todas as partes da ponte. Quando não há passarela, uma plataforma elevatória móvel ou um andaime portátil pode resolver.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
Escolher uma ponte rolante começa pelo prédio e termina na rotina de manutenção. Em resumo, decidir cedo, medir com cuidado e dimensionar pela carga real evita reforços caros e garante uma operação segura.
Conteúdos complementares recomendados
- NR-11: A norma de movimentação e manuseio de materiais.
- Compra de equipamentos: Cuidados ao especificar e comprar equipamentos de movimentação.
- Manutenção preventiva: Como planejar a inspeção e a manutenção dos equipamentos.
