Porto seco: como reorganizar a intralogística de armazéns e pátios
Porto seco em resumo: Porto seco, no caso do PDF, é uma operação em retroárea portuária que recebe contêineres, desova cargas importadas, armazena e libera os materiais aos clientes durante a nacionalização, sob vistoria da Receita Federal. A produtividade veio de um plano diretor logístico que integrou pátio e armazéns, do WMS e de estruturas drive-thru.
O aumento do comércio internacional elevou a demanda nos portos de Itajaí e Navegantes, em Santa Catarina. Diante disso, um porto seco da região iniciou um projeto para informatizar a gestão, ajustar a estrutura organizacional e melhorar a intralogística.
O desafio era elevar a produtividade dos armazéns e da movimentação nos pátios de contêineres. Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, mostra as soluções adotadas com o apoio da IMAM Consultoria.
O tamanho da operação do porto seco
| Item | Dado do PDF |
|---|---|
| Área total | 436.000 m² |
| Área coberta dos dois principais armazéns | 73.000 m² |
| Pátios de contêineres | 120.000 m² |
| Frota | Mais de 20 empilhadeiras e seis reach stackers |
| Meta de desova | Pelo menos 100 contêineres por dia, ou 160 TEU de 20 pés |
| Paletes por dia | Mais de 2.400 recebidos e a mesma quantidade expedida |
| Portarias | Mais de 300 veículos por dia |
A expedição acontece durante a nacionalização fracionada, ou seja, o cliente retira a carga aos poucos. Por isso, o volume que entra é parecido com o que sai.

Plano diretor logístico: pátio e armazém juntos
A partir de 2008, com revisão no início de 2010, o diagnóstico identificou as necessidades de adequação e propôs um plano diretor logístico. A ideia era integrar e equilibrar as atividades de pátio e as internas dos armazéns, para não criar gargalos sistêmicos.
Entre as primeiras ações, a empresa implantou o WMS (sistema de gerenciamento de armazéns), com coletores de radiofrequência e código de barras.
Processos internos dos armazéns
O projeto definiu novos processos de carga e descarga nas docas e readequou o layout interno. Além disso, revisou os equipamentos de movimentação dos dois armazéns, para atender a demanda sem efeitos indesejados, como a sobreestadia (demurrage).
Havia, porém, uma característica particular: não dá para prever o tipo de carga que vai chegar. Por isso, os sistemas de movimentação e armazenagem precisam ser muito flexíveis. Também é preciso prever vários tipos de estocagem, da simples blocagem até sistemas de alta densidade.
Na desova e no carregamento, os controles precisam de altíssima precisão, porque envolvem as exigências legais da vistoria da Receita Federal. Ao mesmo tempo, o volume é grande e muito fracionado.
Estruturas drive-thru no porto seco
O grande volume desovado pede capacidade volumétrica. Assim, a estrutura drive-thru, de alto adensamento, permite estocar com conforto e qualidade e reduz a necessidade de área de piso, que custaria mais. Como o tempo médio de estocagem é relativamente alto, essa opção atende a maior parte dos casos.
Normalmente, o drive-thru serve para grandes lotes de um mesmo SKU com giro baixo. Aqui, porém, predominam cargas fracionadas dentro dos contêineres. A solução foi dimensionar os vãos da estrutura para o volume de um contêiner. Desse modo, cada vão simula um contêiner dentro do armazém, o que facilita a gestão e o controle e preserva o material.
Um dos armazéns já opera totalmente com drive-thru. O outro, de maior capacidade, combina drive-thru, blocagem com autoempilhamento e racks autoempilháveis.
Logística de pátio no porto seco
Nos pátios, o layout favorece a movimentação e a estocagem sem perder qualidade de serviço. Além disso, o calçamento tem desenho especial, que protege os contêineres e a carga contra impactos. Ele também preserva os reach stackers, com mais durabilidade e menos manutenção.
O WMS também chegou aos pátios. Ele localiza os contêineres por bloco e fileira, o suficiente para identificar cada um rapidamente na vistoria da Receita Federal ou na desova.
Próximos passos do porto seco
O plano diretor prevê ampliar os dois armazéns, os prédios anexos e o pátio. Além disso, numa segunda fase, a empresa pode avaliar automação, com sorters e transportadores contínuos.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
No porto seco, pátio e armazém precisam funcionar como um só sistema. Em resumo, plano diretor, WMS, estruturas flexíveis e drive-thru do tamanho de um contêiner permitiram crescer sem criar gargalos e sem perder o controle exigido pela fiscalização.
Conteúdos complementares recomendados
- Estruturas porta-paletes: Os tipos de estrutura, inclusive as de alta densidade.
- Reach stacker e big truck: Os equipamentos que movimentam contêineres.
- Planejamento intralogístico: Por que planejar antes de investir.
