Put away: como endereçar os itens no estoque do armazém
Put away em resumo: Put away é o envio do material liberado no recebimento para o local de estoque. Ele define onde cada item fica para otimizar a movimentação e o uso do espaço. Feito com critérios como giro, popularidade, volume e densidade de separação, coloca os itens mais pedidos na zona de ouro e reduz o tempo de trajeto.
Depois que o material passa pela conferência física e fiscal no recebimento, a próxima etapa é o put away, isto é, o envio para o estoque. Endereçar para estoque não é esconder. O objetivo é que o item seja fácil de localizar quando chegar a hora de separar.
Alguns materiais têm destino óbvio: líquidos e gases vão para tanques, e tambores com inflamáveis vão para galpões ventilados. Para os demais, é preciso um critério. Além disso, todos os materiais devem seguir a lógica FEFO, em que os primeiros que vencem são os primeiros a sair. Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, mostra esses critérios.
Por que o put away importa
O endereçamento coloca o produto na instalação de forma a otimizar a movimentação de materiais e a eficiência do espaço. Assim, os itens de giro rápido ficam acessíveis, sem grandes caminhadas para separá-los. Esse processo afeta muitos indicadores de desempenho do CD:
- Produtividade.
- Acurácia dos embarques e do estoque.
- Tempo da doca até o estoque.
- Tempo de ciclo dos pedidos.
- Densidade de estocagem e nível de automação.
Mesmo assim, muitos armazéns ainda endereçam mal. Em geral, menos de 15% dos itens de um armazém típico estão no endereço correto. Por isso, a maioria dos armazéns gasta de 10% a 30% a mais do que deveria por ano.

Tempo de trajeto e critérios de put away
No armazém tradicional, o trabalho produtivo, como descarga, estocagem, separação e carga, representa de 70% a 80% das atividades com mão de obra direta. O restante vai para o trajeto. Quando bem feito, o endereçamento reduz esse trajeto de ponto a ponto.
O ponto de partida é analisar a atividade por SKU e por pedido. Essa análise mostra onde estocar cada item, qual método usar e quanto guardar. As principais medidas estão na tabela.
| Medida | O que indica |
|---|---|
| Giro | A velocidade de saída do produto |
| Popularidade | Quantas vezes o SKU é solicitado em um período |
| Volume | O volume cúbico do SKU embarcado por período |
| Cubagem por pedido | Tamanho do produto, demanda diária e volume médio por pedido |
| Densidade de separação | Número de solicitações em relação ao volume do SKU |
Com essas medidas, a empresa usa a zona de ouro: os SKUs com maior frequência de separação ficam nos locais mais acessíveis. Por exemplo, um CD de chocolates com três câmaras frigorificadas guarda os itens de maior giro na primeira câmara, os de giro médio na segunda e os de menor giro na terceira, sempre respeitando o FEFO.
O endereçamento também conversa com os princípios enxutos. Na verdade, ao adotar o kanban na distribuição, a empresa está lidando com endereçamento.

Endereçamento e reendereçamento
Na maioria dos armazéns, o endereçamento completo acontece só duas vezes: na partida do CD e em um grande rearranjo físico ou na chegada de um sistema automatizado. Porém, manter o endereço correto é crucial para preservar os ganhos. Por isso, a empresa deve definir regras que indiquem quando um item precisa mudar de lugar.
Três componentes de um put away eficaz
- Previsão de demanda combinada: as regras por SKU valem pouco sem uma previsão confiável. Para produtos novos, a previsão usa o histórico de itens similares e as promoções planejadas.
- Regras multivariáveis: a velocidade não é o único critério. Materiais perigosos, outras classificações e o tamanho dos itens também contam.
- Integração com a mão de obra: só vale reendereçar os itens que dão o maior retorno sobre o investimento, em mudanças regulares e incrementais.

Put away manual ou automatizado
Poucos CDs usam software de otimização do endereçamento. Ainda assim, quem usa relata redução média de 15% nas horas de mão de obra em relação ao método manual. Hoje, o método mais comum continua sendo a designação manual, apoiada por planilha, com base em características físicas e unidade de medida.
Nem toda operação precisa de ferramenta sofisticada. Um CD pequeno com base de SKUs estável, ou um grande CD em que 60% a 80% dos produtos fluem direto para as lojas, não precisa reendereçar. Por outro lado, quanto maior e mais complexa a operação, mais sofisticado deve ser o método. Afinal, sazonalidade, ciclos de vida curtos e promoções mudam rápido a posição ideal de cada SKU.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
O put away decide quanto o armazém vai caminhar, errar e gastar. Em resumo, medir a atividade por SKU, usar a zona de ouro e revisar os endereços com regras claras transforma o estoque em vantagem.
Conteúdos complementares recomendados
- Endereçamento de estoque: Códigos, etiquetas e formas de endereçar.
- Kanban: O sistema puxado que conversa com o endereçamento.
- Acuracidade de estoque: Como manter o estoque físico igual ao sistema.
