Quarteirização na logística: terceiros controlando terceiros
Quarteirização em resumo: Quarteirização é contratar uma empresa especializada para controlar os terceiros que já executam a logística. Depois do transporte e da armazenagem, o próximo passo é terceirizar a gestão das informações: conferência do frete, controle das ocorrências de entrega, documentos fiscais e nível de serviço das transportadoras, com TMS e troca eletrônica de dados.
A logística empresarial evolui na mesma velocidade das transformações da sociedade. Nesse caminho, ficou cada vez mais comum ter terceiros controlando terceiros nas atividades logísticas. É a quarteirização. Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, mostra de onde ela vem e o que resolve.
Da terceirização à quarteirização
Há pouco mais de 20 anos, uma dúvida estratégica ocupava os empresários: frota própria ou terceirizada? O tempo confirmou o que os estudos já apontavam. Administrar frota é assunto para empresas de transporte, e não para a indústria de transformação.
Assim, o mercado terceirizou o transporte intermunicipal e interestadual. As transportadoras se desenvolveram, e os embarcadores focaram seus negócios. Logo depois, no fim do século passado, veio a terceirização da armazenagem.
Até então, os embarcadores achavam que armazenagem era assunto estratégico e que ninguém podia conhecer seus estoques. Contudo, os operadores logísticos surgiram com novas tecnologias. Além disso, mostraram que podiam guardar produtos de vários embarcadores com custo competitivo e sigilo das informações de cada um.
| Fase | O que foi terceirizado | Resultado |
|---|---|---|
| Primeira | Transporte intermunicipal e interestadual | Transportadoras se desenvolveram e embarcadores focaram o próprio negócio |
| Segunda | Armazenagem, com operadores logísticos | Custos competitivos, tecnologia e sigilo das informações |
| Próxima | Gestão do fluxo de informações de transporte | Terceiros controlando terceiros: a quarteirização |
Hoje, o mercado de operadores logísticos no Brasil é adulto. Os melhores usam WMS, que custa caro e exige consultoria para implantar, mas traz alta produtividade, excelente acuracidade dos inventários e confiança em processos como contagem cíclica e coleta de dados por código de barras.

O fluxo de informações ainda pede gestão
Praticamente toda indústria e todo comércio atacadista ou varejista usa operadores, seja para reduzir custos, seja para ganhar expertise. Mas os processos de terceirização se esgotaram? Segundo o PDF, ainda há atividades a terceirizar. Transporte e armazenagem já estão a todo vapor, porém o fluxo de informações precisa ser mais bem gerenciado.
Por que conferir o frete é tão complexo
- A legislação exige que o transportador emita o conhecimento de transporte para cada nota fiscal do embarcador, ou para a junção delas, quando permitido. Isso gera uma quantidade enorme de documentos a conferir e contabilizar.
- Além disso, é nesse documento que se calcula o ICMS do transporte, que o embarcador pode creditar quando opera na modalidade CIF.
- O frete soma muitos componentes, como frete-peso, ad valorem, GRIS, taxa de entrega, de dificuldade de entrega, de restrição de trânsito e de difícil acesso. Por isso, é preciso conferir se a tarifa segue as tabelas negociadas.
- Também é preciso um registro confiável das notas não entregues na primeira tentativa, que pedem renegociação, nova ação ou retorno.
Indicadores de serviço na quarteirização
As transportadoras estão cada vez mais sobrecarregadas, e os clientes, mais exigentes no recebimento. Por isso, medir o nível de serviço do transporte se tornou essencial. Entre os ângulos possíveis estão o percentual de entregas no prazo, o nível de avarias e o nível de extravios e roubo de carga.

Quarteirização com TMS e gestão de informações
Essas atividades exigem sistemas de gerenciamento de transporte, os TMS. Contudo, comprar e implantar um TMS exige investimento alto, tanto no software quanto em muitas horas de consultoria para parametrizar.
Nesse cenário, surgem empresas voltadas à gestão de informações na cadeia logística. Elas ligam embarcadores e transportadoras eletronicamente, para que os dados circulem com agilidade, sem erros e sem interferência humana. Assim, eliminam fraudes de conferências manuais, integram os sistemas das duas partes e evitam erros fiscais.
No modelo descrito no PDF, o embarcador de médio porte paga só custos variáveis, por nota fiscal gerenciada. Além disso, a empresa de gestão não presta serviço de transporte nem tem caminhões. Ou seja, ela é o terceiro que controla os terceiros.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
Depois do transporte e da armazenagem, a gestão das informações é a nova fronteira da terceirização. Em resumo, a quarteirização entrega a um especialista a conferência de fretes, o controle das entregas e a medição do nível de serviço. Assim, o embarcador ganha controle sem investir sozinho em sistemas caros.
Conteúdos complementares recomendados
- Frota própria ou terceirizada: A primeira grande decisão de terceirização.
- O que é TMS: O sistema que apoia a gestão do transporte.
- Operador logístico: O papel dos operadores na armazenagem terceirizada.

