Condomínio logístico: como planejar em terreno difícil
Condomínio logístico em resumo: Um condomínio logístico reúne galpões de uma ou mais empresas em um mesmo terreno, com áreas e serviços comuns. No projeto descrito pela IMAM, o plano diretor transformou um terreno acidentado de cerca de 240 mil m² em três edifícios com pé-direito útil de 14 m, mais de 30 docas e pátio externo.
Quando surge a oportunidade de crescer, nem um terreno difícil precisa travar o projeto. Este estudo de caso mostra como a IMAM elaborou o plano diretor de um condomínio logístico para um grupo varejista do Espírito Santo, em um terreno acidentado às margens de uma rodovia federal.
Na época, o grupo atuava com lojas de departamento e com um home center de materiais de construção. Até então, porém, operava três armazéns em pontos diferentes do estado. Por isso, o novo condomínio deveria concentrar as operações e ainda abrigar outra empresa como locatária.
Por que mudar para um condomínio logístico
As operações antigas enfrentavam vários problemas. Em síntese, a lista abaixo resume o que a empresa relatou:
- Localização central, de difícil acesso para veículos de grande porte e cercada de comércios.
- Estrutura antiga, fora dos padrões de mercado.
- Área de armazenagem incompatível com a demanda.
- Falta de pátio para caminhões e de apoio aos motoristas.
- Falta de estrutura para os colaboradores, além de questões de segurança.
Além disso, a localização do novo terreno era estratégica. Afinal, ele liga o sul e o norte do estado e dá acesso a Minas Gerais, mercados onde o grupo já atuava e queria crescer. Outro fator decisivo foi a facilidade de acesso, com duas entradas possíveis a partir da rodovia.

O desafio do terreno do condomínio logístico
O terreno tem cerca de 240 mil m², mas era disforme, tinha dois morros e exigia terraplenagem. Além disso, havia restrições ambientais por causa de uma represa. Mesmo assim, a equipe da IMAM elaborou o layout do condomínio com previsão de crescimento de cinco anos.
| Elemento do projeto | Solução adotada |
|---|---|
| Edifícios | Três edifícios logísticos, com cerca de 100.000 m² no total e pé-direito útil de 14 m |
| Prédio 1 | 38.000 m² para o home center |
| Prédio 2 | 22.500 m² para as lojas de departamento |
| Prédio 3 | 10.000 m² para uma rede de calçados locatária |
| Estacionamento | Antes da entrada, com 120 vagas para espera de até quatro horas |
| Apoio | Sala de espera para clientes e sala de descanso para caminhoneiros |
| Docas | Mais de 30, por causa da variedade de produtos |
O estacionamento antes da entrada evita problemas com os vizinhos. Por sua vez, o número de docas leva em conta produtos muito diferentes: calçados, itens de departamento e material de construção.

Do plano diretor ao projeto de intralogística
Logo após o layout, a equipe dimensionou as necessidades das operações, considerou o crescimento previsto e estudou o layout interno de cada uma. Em seguida, fez o projeto de intralogística das duas empresas, levando em conta equipamentos e operações distintos. Assim, no total, os projetos levaram seis meses.
A operação da locatária
A rede de calçados locatária tinha planos de quase dobrar o número de lojas, e o CD antigo não suportava essa projeção. Por isso, no condomínio, ela ocuparia inicialmente 6 mil m², com 12 m de pé-direito e possibilidade de ampliação. Além disso, o estudo propôs mudanças para dar velocidade ao atendimento das lojas. Por exemplo, a operação, que usava 100% de crossdocking, passaria a combinar crossdocking e separação de pedidos.
Além disso, o novo CD previa um estoque regulador para melhorar o nível de serviço da rede. Para que isso aconteça, a proposta usa porta-paletes convencionais e empilhadeiras elétricas de mastro retrátil, adequadas a pé-direito elevado. Enquanto isso, a separação continua com coletores de radiofrequência e WMS integrado ao ERP.

Benefícios do condomínio logístico
Para quem ocupa o espaço, o modelo traz vantagens claras. Em primeiro lugar, os custos de manutenção, limpeza e jardinagem das áreas comuns diminuem. Em segundo lugar, há rateio dos custos de segurança e portaria. Por fim, os condôminos usam áreas de apoio, como restaurante, salas de reunião e de treinamento e ambulatório, e podem expandir a operação sem mudar de endereço.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
Um terreno acidentado pode virar oportunidade quando o plano diretor considera acesso, crescimento, meio ambiente e operação desde o início. Assim, o condomínio logístico passa a sustentar a estratégia de crescimento das empresas que o ocupam.
Conteúdos complementares recomendados
- Projetando um novo centro de distribuição: As etapas do projeto de um CD.
- Localização do CD: Como escolher onde instalar a operação.
- Crossdocking: A passagem direta de mercadorias pelo armazém.
