Engenharia de Produção e Operações
Logística de peças de reposição: do fluxo tradicional ao pedido direto
Sumário executivoLogística de peças de reposição em resumo: Na logística de peças de reposição tradicional, a concessionária pede à montadora, que compra, armazena e distribui com base em previsões. Por isso, surgem back-orders, pedidos emergenciais e o efeito chicote. Assim, algumas montadoras já permitem que as concessionárias peçam direto aos fornecedores, num fluxo mais enxuto e quase sem perdas.
Existia no passado, um paradigma nas montadoras para o abastecimento de peças de reposição:
“que os pedidos só poderiam ser feitos diretamente à montadora, e que essa era responsável
pela compra, armazenagem e distribuição às concessionárias”.
Este processo, baseado em previsões de vendas, é longo e, sob a ótica do gerenciamento da
cadeia de abastecimento, é repleto de perdas (atividades que nada agregam de valor ao cliente).
O processo que parecia óbvio, somente agora começa a ser redesenhado para que os fabricantes
entreguem diretamente às concessionárias, e com embalagem padronizada.

Fluxo tradicional
Neste ambiente, as concessionárias fazem um pedido programado por mês, baseado em previsões, dados históricos, tendências, promoções etc. A montadora recebe e acumula estes pedidos e convida os fornecedores para uma tomada de preço (cotação, leilão etc.). Assim, a montadora irá atender aquilo que ela tem em estoque, isto é, adquiriu no passado com base em sua previsão.

Os itens que retirar do estoque serão atendidos conforme pedido programado. O restante permanecerá em “back-order”‘ para quando os itens chegarem. Se os saldos atingirem um valor mínimo para faturamento, serão faturados. Caso contrário, continuarão em “back-order”. Na falta de itens críticos, as concessionárias emitem pedidos emergenciais, veículo parado etc., o que torna o sistema crítico. Para evitar futuras faltas, as concessionárias geralmente selecionam uma margem de segurança para os próximos pedidos, propiciando, assim, o efeito chicote ou ampliação dinâmica. Esta é uma das razões da falta de peças em concessionárias – você já deve ter enfrentado isso quando procura uma peça batizada de “original”. Porém, você sabe que se for até um distribuidor facilmente encontrará aquela peça do mesmo fabricante e, portanto, não deixará de ser original, já que tem o nome do fornecedor, número de série e data de fabricação, entre outras características, além de outras peças de fontes “primárias”, ou seja, a decisão pela escolha é do usuário. Do ponto de vista de “turismo de material”, o maior absurdo é uma peça sair da fábrica do fornecedor da cidade “A”, ir para o armazém da montadora na cidade “B” e depois voltar para uma concessionária localizada na cidade “A”, a poucos quilômetros do fabricante original. Você deve estar se perguntando: como isto tudo é possível? É um ambiente repleto de atrasos, de desperdícios e perdas e que o cliente não vê sob a forma de valor, mas pagará sob a forma de custos agregados. Isto é uma das razões que faz com que o usuário evite uma concessionária, principalmente se o seu veículo estiver fora do período de garantia.

Após inúmeras discussões nas associações de revendedores de cada montadora, onde estes e outros paradigmas estão sendo eliminados, algumas montadoras já estão permitindo que as concessionárias possam fazer seus pedidos diretamente aos fornecedores, desde que elas saibam a quantidade. É evidente que este fluxo é mais enxuto (quase sem perdas) e corrige todos aqueles absurdos do ambiente tradicional.

Fluxo tradicional e fluxo direto de peças de reposição
Em resumo, a comparação feita no post:
| Aspecto | Fluxo tradicional | Fluxo direto |
|---|---|---|
| Quem recebe o pedido | A montadora, que acumula os pedidos e cota com os fornecedores | O fornecedor, direto da concessionária |
| Base do abastecimento | Previsões, dados históricos, tendências e promoções | Quantidade conhecida pela concessionária |
| Falta de itens | Back-order, pedidos emergenciais e margem de segurança | Fluxo mais enxuto, quase sem perdas |
| Transporte | A peça pode ir da cidade A à montadora na cidade B e voltar à cidade A | O fabricante entrega direto à concessionária, com embalagem padronizada |
Perguntas frequentes sobre logística de peças de reposição
No fluxo tradicional, as concessionárias fazem um pedido programado por mês, baseado em previsões, histórico, tendências e promoções. A montadora acumula os pedidos, cota com os fornecedores e atende o que tem em estoque, comprado no passado pela própria previsão. O restante fica em back-order até os itens chegarem.
Back-order são os itens do pedido programado que a montadora não tem em estoque no momento. Eles ficam pendentes até chegarem e só são faturados quando os saldos atingem um valor mínimo para faturamento. Se não atingirem esse valor, continuam em back-order, o que ajuda a explicar a falta de peças nas concessionárias.
Porque, para evitar novas faltas, as concessionárias costumam incluir uma margem de segurança nos pedidos seguintes. Somada aos pedidos emergenciais por veículo parado, essa ampliação torna o sistema crítico. O autor chama esse fenômeno de efeito chicote ou ampliação dinâmica, em que pequenas variações da demanda crescem ao longo da cadeia.
Turismo de material é o deslocamento que não agrega valor ao cliente. O exemplo do post é a peça que sai do fornecedor na cidade A, vai para o armazém da montadora na cidade B e volta para uma concessionária na cidade A, a poucos quilômetros do fabricante original. O cliente não vê valor nisso, mas paga em custos.
Sim, quando é do mesmo fabricante que fornece a montadora. Segundo o autor, essa peça traz o nome do fornecedor, o número de série e a data de fabricação, entre outras características, e por isso não deixa de ser original. A escolha entre concessionária e distribuidor fica com o usuário.
Conteúdos complementares recomendados
- Estoque de peças de reposição: Além disso, como dimensionar o estoque dessas peças.
- Efeito chicote: o que é e quais as causas: Ou seja, o fenômeno que o autor cita.
- Entrega direta às lojas: Por fim, outro caso de entrega direta do fornecedor.

