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IMAM Blog Engenharia de Produção e Operações Estudos de tempos e métodos: o que é, como funciona e benefícios

Engenharia de Produção e Operações

Estudos de tempos e métodos: o que é, como funciona e benefícios

  • Por Alessandro Casado
  • Publicado em 30/10/2025
  • Atualizado em 15/10/2026
  • 11 min de leitura
Ilustração sobre a aplicação de estudos de tempos e métodos para aumentar a produtividade.
Sumário executivo

Estudos de tempos e métodos em resumo: Estudo de tempos e métodos, ou ETM, é uma metodologia da engenharia de produção que observa como uma atividade é feita, documenta o que, como, quem, quando e em quanto tempo, analisa e propõe melhorias. O resultado é um método padronizado e um tempo padrão, base para planejar a capacidade, calcular custos e definir metas realistas.

Quanto tempo produtivo é perdido devido a processos mal organizados ou mal executados? Como estamos consumindo nossos recursos diariamente? Essas são questões que buscamos resolver em estudos de tempos e métodos (ETM): entender cada etapa de uma tarefa, enxergar e eliminar desperdícios, otimizar atividades e processos e deixando-os mais eficientes. 

O interessante é que, ao aplicar essa abordagem, você começa a perceber rapidamente onde os gargalos acontecem e como pequenas mudanças podem liberar tempo precioso, e tarefas que antes tomavam muito tempo passam a fluir com agilidade e menos erros.

Quer entender melhor, confira os seguintes tópicos:

  • O que é estudos de tempos e métodos? 
  • Como funciona o estudo de tempos e métodos? 
  • Quais são os principais benefícios do estudo de tempos e métodos?
  • Quais são as ferramentas e exemplos usados em estudos de tempos e métodos?
  • Como aplicar estudos de tempos e métodos na sua rotina?
  • 5 Perguntas frequentes sobre estudos de tempos e métodos (ETM)

O que é estudos de tempos e métodos?

O estudo de tempos e métodos é uma metodologia da engenharia de produção que busca analisar, padronizar e racionalizar tarefas para aumentar a eficiência e eliminar desperdícios.

Em outras palavras, esse conceito significa observar como uma atividade é feita, documentar (o que é feito, como é feito, quem faz, quando faz e quanto tempo leva). analisar e propor melhorias. O objetivo é criar processos mais produtivos, seguros e previsíveis, estabelecendo uma base sólida para o planejamento e controle da produção ou de tarefas diárias.

A metodologia se concentra em alguns pontos-chave para garantir resultados consistentes. A análise detalhada permite a redução de movimentos desnecessários (reduzindo tempo da atividade e o desgaste do operador) enquanto a padronização de operações é fundamental para evitar variações que podem gerar erros e retrabalho.

Com base nessa análise, define-se a operação, o método e o tempo padrão que servirá como referência para o planejamento da capacidade produtiva. O conhecimento dos métodos e dos tempos padrão é fundamental para o cálculo de custos, definição de metas realistas e para a programação das entregas, garantindo mais previsibilidade para o negócio.

Como funciona o estudo de tempos e métodos?

O estudo de tempos e métodos ajuda a identificar gargalos, eliminar desperdícios e aumentar a eficiência de qualquer processo. Ele combina análise detalhada, participação da equipe e ferramentas específicas para criar métodos de trabalho mais produtivos e consistentes.

1. Mapeamento do processo

  • Antes de iniciar qualquer proposta de melhoria é fundamental conhecer a fundo o processo atual (não dá para melhorar o que não conhecemos), para isso é importante registrar cada passo da operação crítica escolhida, suas características, necessidades e restrições. Nesta etapa é importante levantar a fundo o processo, os métodos utilizados e também os tempos atuais, o objetivo é entender o fluxo completo e identificar os pontos de atenção.
  • Indicadores atuais sobre o processo também podem ajudar a encontrar oportunidades e pontos de atenção
  • As principais ferramentas utilizadas para conhecer a fundo os processos, os tempos e os métodos são fluxogramas de processo, VSM, diagramas de movimentos, cronoanálise para determinação correta dos tempos, fluxos de materiais e pessoas sobre layout, etc.

2. Análise detalhada

  • Analisar detalhadamente significa examinar o processo e suas etapas em busca de gargalos, desperdícios (de materiais, movimentos, tempo, etc.) e retrabalhos identificando as oportunidades de melhoria que passam despercebidas no dia a dia. Para isso é necessário criticar cada elemento do processo: Isso realmente é necessário? está sendo da melhor maneira? está sendo feito no momento correto?
  • O conhecimento prévio de indicadores pode ajudar muito nesta etapa, direcionando o estudo para a identificação e eliminação de gargalos (em caso de queda do nível de serviço devido à falta de capacidade), redução de desperdícios e retrabalhos (em caso de elevação de custos), etc.
  • Comece do macro (processo inteiro) para o micro (posto de trabalho), entenda primeiro o todo e depois busque o detalhe,
  • Lembre-se que na maioria das vezes um processo passa por várias etapas em postos ou áreas distintas, por isso também é importante entender a relação cliente/fornecedor entre todas as etapas para evitar que melhorias isoladas tragam prejuízos ao processo como um todo.

3. Redesenho e melhoria do método

  • Após conhecer profundamente o processo e suas restrições (ou dificuldades), chegou a hora de reestruturar o processo com base na análise detalhada realizada, tornando-o mais eficiente e ágil. O objetivo é garantir não só que apenas as tarefas necessárias sejam executas, mas que cada tarefa necessária seja executada de forma otimizada, reduzindo esforço e tempo perdido;
  • Neste ponto podem ser sugeridas melhorias relacionadas as ferramentas, métodos, movimentos (posto ou layout) ou ainda melhorias no próprio produto (falhas de projeto ou despadronizações que impactam negativamente nas operações).
  • Uma dica importante nesta fase é trabalhar com números para evidenciar os ganhos gerados pelas propostas, evite ao máximo análises somente qualitativas como “muito tempo” ou “pouco tempo”, “difícil” ou “fácil” pois são avaliações subjetivas. Sempre que possível utilize as informações quantitativas como, “economia de X minutos por dia que pode gerar um aumento de Y peças por mês”.
  • Para analisar e gerar as melhorias você pode utilizar as mesmas ferramentas que utilizou no levantamento das informações, mas para apresentar utilize também gráficos e recursos visuais (Excel, Power Point, etc.) que facilitem o entendimento das propostas, uma ótima proposta pode morrer se ninguém entender os ganhos gerados.
  • Não esqueça de definir os indicadores que serão utilizados para avaliar o desempenho do processo melhorado.

4. Implementação

  • Infelizmente este é o ponto fraco em muitos estudos de tempos e métodos (e tantos outros), que funcionam por algum tempo, mas depois simplesmente deixam de existir ou não dão mais o resultado esperado.
  • O primeiro ponto fundamental é garantir que todos entendam o novo processo (com as melhorias sugeridas), suas dificuldades e os benefícios esperados, por isso é preciso envolver e treinar as pessoas no novo processo.
  • Neste ponto é fundamental que haja um trabalho padrão definido e documentado, não basta apenas combinar com o operador, é preciso formalizar (documentar) de preferência com ferramentas visuais e simples como LUTs (Lição de Um Tema) ou similares que oriente sobre a sequência e os pontos críticos, esclareçam as principais dúvidas que o operador possa ter durante a execução. Uma cadeia de ajuda também pode ser necessária caso envolva mudanças complexas.
  • Não esqueça de medir os resultados (indicadores), identificar os desvios e corrigir sempre que necessário (PDCA).

Quais são os principais benefícios do estudo de tempos e métodos?

Adotar o estudo de tempos e métodos traz ganhos diretos em produtividade, redução de custos e melhoria do ambiente de trabalho. Com tempos padrão bem definidos, é mais fácil identificar gargalos e agir rapidamente para corrigir desvios na produção.

Além disso, a padronização de processos facilita o treinamento de novas equipes, tornando as rotinas claras e replicáveis, o que acelera a curva de aprendizado e diminui a incidência de erros. A padronização ainda facilita a implementação de automatizações quando oportuno e viável.

A metodologia também fornece uma base sólida para determinação de custos, sistemas de remuneração variável, definição de metas, etc. facilitando a gestão financeira (custos por operação, produto, etc.) e dos recursos (planejado x realizado).

Quais são as ferramentas e análises usados em estudos de tempos e métodos?

O conhecimento dos tempos padrão, desde o levantamento das informações do projeto, passando pelas análises e chegando no redesenhos e geração de novas propostas, é fundamental para a medição e avaliação correta da situação atual e para a geração de propostas, mensurando corretamente os ganhos. A definição dos tempos padrão, na maioria das vezes é obtido pela cronometragem dos tempos (medida realizada por um cronometrista ou um cronoanalista considerando ritmo, fadiga e os demais parâmetros necessários), mas também pode ser obtida por Sistemas de Tempos Pré-Determinados (com MTM ou MOST) ou ainda em casos especiais pelo método de Observações Instantâneas.

Para o levantamento e análise dos processos e métodos, diversas ferramentas podem ser utilizadas, o importante é que você consiga realmente enxergar o processo e todos os aspectos relevantes aos objetivos do seu estudo. Você pode começar com Fluxogramas de Processos ou VSM para ter uma visão completa e ampla do processo que ajudará a encontrar o alvo inicial (encontrar e dar foco na restrição) e depois ferramentas como Diagrama de Movimentos e Análise Bimanual para entender e melhorar os detalhes (métodos, movimentos).

A análise do layout também pode trazer grandes oportunidades de redução de esperas, deslocamentos, estoques em processo, etc.

Como aplicar estudos de tempos e métodos na sua rotina?

O estudo de tempos e métodos não é exclusivo da manufatura. Seus princípios podem ser adaptados para organizar processos administrativos, tarefas diárias, estudos e até rotinas pessoais, trazendo mais foco e menos desperdício de tempo. O primeiro passo é observar e entender como você usa seu tempo atualmente.

Comece listando todas as tarefas que você realiza em um dia típico. Em seguida, observe e registre quanto tempo gasta em cada uma delas, sem julgamentos. O objetivo é apenas coletar dados para uma análise posterior, identificando padrões e atividades que consomem mais energia.

Com os dados em mãos, identifique atividades que podem ser eliminadas, simplificadas ou agrupadas. Muitas vezes, pequenas mudanças, como checar e-mails em blocos de tempo específicos, podem liberar horas produtivas. Defina um tempo padrão para cada tarefa essencial e tente seguir a rotina.

Curso de Engenharia de Tempos e Métodos

Você já parou para pensar quanto tempo se perde todos os dias por desconhecimento de gargalos, processos confusos, tarefas mal organizadas e movimentos desnecessários? Por isso, existem os Estudos de Tempos e Métodos (ETM).

Nesse sentido, o nosso Curso de Engenharia de Tempos e Métodos foi pensado para quem quer transformar processos em resultados. Ele te ensina a identificar perdas, padronizar métodos e otimizar o tempo de execução, tornando sua operação muito mais produtiva.

Portanto, não deixe que a processos e métodos ineficientes roubem seu tempo e seus resultados. Aprenda a dominar os Estudos de Tempos e Métodos e transforme produtividade em vantagem competitiva!

Perguntas frequentes sobre estudos de tempos e métodos

O que é tempo padrão?

Tempo padrão é o tempo de referência para executar uma operação pelo método definido, considerando o ritmo do operador, a fadiga e as tolerâncias necessárias. Ele serve de base para planejar a capacidade produtiva, calcular custos, definir metas realistas e programar entregas com mais previsibilidade.

Como calcular o tempo padrão de produção?

Primeiro, cronometra-se a operação várias vezes e calcula-se o tempo médio. Esse tempo é ajustado pelo ritmo observado do operador, o que gera o tempo normal. Por fim, acrescentam-se as tolerâncias para fadiga, necessidades pessoais e esperas inevitáveis, e o resultado é o tempo padrão. A amostra precisa ser suficiente e o método precisa estar padronizado.

O que é cronoanálise?

Cronoanálise é a medição dos tempos de uma operação com cronômetro, feita por um cronometrista ou cronoanalista, que considera ritmo, fadiga e os demais parâmetros necessários. É a forma mais comum de definir o tempo padrão, e também ajuda a conhecer a fundo o processo atual antes de propor melhorias.

Qual a diferença entre estudo de tempos e estudo de métodos?

O estudo de métodos analisa como a tarefa é feita, para eliminar movimentos desnecessários e padronizar a melhor forma de executá-la. O estudo de tempos mede quanto ela leva para definir o tempo padrão. As duas análises andam juntas: só faz sentido cronometrar uma operação depois de padronizar o método.

O que são sistemas de tempos pré-determinados?

São sistemas que definem o tempo de uma operação somando tempos tabelados para cada movimento básico, sem cronometrar o operador. Os mais conhecidos são o MTM e o MOST. Eles são uma alternativa à cronometragem, assim como o método de observações instantâneas, usado em casos especiais.

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Veja também: A Importância dos Estudos de Tempos

As 4 etapas do estudo de tempos e métodos

Em resumo, como o post descreve cada etapa:

EtapaO que fazer
Mapeamento do processoRegistrar cada passo, os métodos e os tempos atuais da operação crítica
Análise detalhadaBuscar gargalos, desperdícios e retrabalhos, do macro para o micro
Redesenho do métodoReestruturar o processo e mostrar os ganhos em números
ImplementaçãoTreinar, documentar o trabalho padrão e medir os resultados com PDCA

Conteúdos complementares recomendados

  • Cronoanálise: Como medir o tempo padrão.
  • MOST, técnica de medição do trabalho: Um sistema de tempos pré-determinados.
  • Princípios de um bom método de trabalho: Como desenhar o método melhorado.

Por

Alessandro Casado

Gerente de projetos na IMAM Consultoria

Tem 17 anos de experiência em intralogística e produtividade industrial e mais de 60 projetos realizados. No Blog IMAM, escreve sobre eficiência e produtividade, estudo de tempos e métodos, automação de processos administrativos e o papel das pessoas na mudança.

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Tags: eficiência, engenharia de produção, estudo de tempos, estudos de tempos e métodos, otimização de processos, produtividade, tarefa, tarefas

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