Centralizar ou descentralizar a distribuição: como decidir
Centralizar ou descentralizar a distribuição em resumo: Centralizar ou descentralizar a distribuição é uma decisão sem verdade absoluta. Ela exige comparar cenários pelo custo total logístico, num trade-off que inclui armazenagem, transporte, estoques, impostos e nível de serviço, além de fatores difíceis de medir. Poucas variáveis relevantes, poucos cenários e uma implantação que não prejudique o cliente são essenciais.
Entre os grandes dilemas da logística, decidir se vale centralizar ou descentralizar a distribuição é dos mais frequentes. O tema volta de tempos em tempos à pauta dos gestores, inclusive em grandes empresas que mudam de modelo depois de anos.
Por que centralizar ou descentralizar a distribuição é um dilema
Uma piada antiga ilustra bem o assunto. Um gestor de logística recém-contratado recebe do antecessor três envelopes. No primeiro está escrito descentralizar; no segundo, centralizar; e no terceiro, passe os envelopes ao seu sucessor.
Como toda piada, essa tem um fundo de verdade. Na logística, não existem verdades absolutas ou perenes. Por isso, a gestão logística é, antes de tudo, uma gestão de projetos, que se adapta às novas necessidades do negócio todos os dias.

Onde a dúvida aparece
A dúvida surge desde a posição dos estoques dentro de uma fábrica até o lugar dos estoques na cadeia. Ela chega até a própria fabricação, que também pode ser descentralizada. Nesse caso, usa-se o conceito de postponement: semiacabados ficam em pontos estratégicos e só são finalizados quando o cliente faz o pedido.
Assim como outras decisões estratégicas, essa deve passar por um processo de planejamento. Ele envolve variáveis comerciais, logísticas, operacionais e, principalmente, financeiras. Afinal, decisões intempestivas fazem as empresas perder dinheiro, tempo e imagem. Dentro da decisão de descentralizar, a primeira pergunta é: para onde? Isso envolve a localização de armazéns, CDs ou fábricas.
Trade-off ao centralizar ou descentralizar a distribuição
A ideia central é colocar, de um lado da balança, os pontos positivos de cada cenário e, do outro, os negativos. Essa simulação de custos se chama trade-off, ou troca compensatória. Nela, os custos variam, e o que importa é o custo total logístico.
| Tipo de variável | Exemplos |
|---|---|
| Quantitativas | Custos totais de armazenagem, transporte e manutenção de estoques, benefícios fiscais, níveis de estoque, nível de serviço, prazos e frequência de entrega |
| Difíceis de quantificar | Proximidade dos estoques com o mercado e as vendas, previsões de crescimento, qualificação da mão de obra local e infraestrutura da região |
Em teoria, ao descentralizar, os custos de armazenagem e de manutenção de estoque sobem, enquanto o transporte e a perda de vendas caem. Por que só em teoria? Porque a operação atual pode estar mal dimensionada. O frete depende não só da distância, mas da demanda em cada região, para aproveitar o frete de retorno. Além disso, avançar estoques dos itens errados não melhora o serviço e aumenta as transferências.
Armadilhas ao centralizar ou descentralizar a distribuição
- Considerar variáveis irrelevantes, que pesam pouco ou não mudam entre os cenários. Nesse ponto, o velho Pareto ajuda bastante.
- Montar cenários demais, o que dificulta muito a decisão.
- Misturar na mesma decisão o uso de terceiros na operação. Essa é outra análise, que vem depois de desenhar a malha logística.
Da decisão à implantação
Um bom plano não garante o sucesso, pois o mercado está cheio de bons planos. Também é preciso controlar a implantação, comunicar bem dentro da empresa e com o mercado e comprometer todos os departamentos. Em outras palavras, a mudança exige gestão e integração entre as áreas. A premissa principal é não comprometer o atendimento ao cliente durante a transição.
Por fim, a logística não deve tomar partido de uma ou outra estratégia só pela complexidade da operação. Pelo contrário, ela deve catalisar um processo que organize as ideias e esclareça as informações relevantes.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
O tema ainda vai assombrar os gestores por muito tempo, e as estratégias continuarão mudando. Em resumo, para centralizar ou descentralizar a distribuição, compare poucos cenários pelo custo total, inclua os fatores difíceis de medir e implante sem prejudicar o cliente. Assim, a competência gerencial logística decide o sucesso da estratégia.
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