Estocagem em blocagem: como medir a utilização do espaço
Estocagem em blocagem em resumo: Estocagem em blocagem é o empilhamento de cargas paletizadas direto no chão, sem estrutura porta-paletes. O projeto é mais complexo, porque a utilização do espaço muda à medida que o lote é consumido. Por isso, é preciso definir o lote, fixar os parâmetros de estocagem e medir a utilização instantânea e a acumulada de cada módulo.
Decidir o layout e a gestão do espaço é muito mais complexo na estocagem em blocagem, o empilhamento no chão, do que em estruturas porta-paletes. As dificuldades surgem porque a utilização do espaço varia à medida que os lotes são consumidos. Além disso, nem sempre é fácil definir o que é um lote de estocagem.
Por isso, antes de medir a utilização do espaço de forma objetiva, é preciso delinear bem o ambiente. Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, mostra como fazer isso e como ler os números.
O que é um lote na estocagem em blocagem
Um lote de estocagem é todo o estoque de um item que pode ser misturado para fins de controle. Há, porém, estoques do mesmo item que exigem identidade de lote separada. Por exemplo, produtos farmacêuticos sob controle de lote, produtos de tabaco com classificação tributária local e caixas com conteúdos de cores muito variadas.
Além disso, o local físico não deve determinar o tamanho do lote, e dividir o lote nem sempre é necessário. Da mesma forma, a rotação de estoque não deve definir o lote, porque a empresa pode controlar a sequência de retirada de outra forma.
Quando o primeiro a entrar, primeiro a sair (PEPS) é obrigatório, as cargas que chegam precisam esperar e passar pelo sortimento antes da guarda. Afinal, no empilhamento convencional no chão, a retirada de cada módulo segue a sequência último a entrar, primeiro a sair (UEPS). O problema se complica em armazéns de fábrica, onde o estoque pode seguir direto para a expedição, e em CDs do varejo com crossdocking.

Parâmetros da estocagem em blocagem
Além do tamanho do lote, é preciso fixar outros parâmetros antes da medição. Segundo o PDF, são estes:
- A empresa recebe todo o lote ao mesmo tempo.
- O lote usa só uma profundidade de módulo.
- Um lote pode ocupar mais de um módulo de estocagem.
- O lote fica no local original até ser totalmente consumido.
- O consumo ocorre em taxa constante.
- Um módulo vazio pode receber outro lote na hora, ou seja, a estocagem é aleatória.
Já o tempo de espera, o remanejamento de lotes parciais e o uso de mais de uma profundidade entram como exceções a esses parâmetros básicos.

Exemplo de cálculo na estocagem em blocagem
O PDF calcula a utilização para lotes de 1 a 20 cargas paletizadas, em blocagem de duas profundidades e cinco alturas, com empilhadeira contrabalançada. Cada módulo guarda dez cargas e compromete 17,5 unidades de estocagem, contando o corredor. A tabela traz alguns tamanhos de lote.
| Cargas no lote | Módulos | Utilização instantânea | Utilização acumulada |
|---|---|---|---|
| 1 | 1 | 5,7% | 5,7% |
| 5 | 1 | 28,6% | 17,1% |
| 10 | 1 | 57,1% | 31,4% |
| 11 | 2 | 31,4% | 31,4% |
| 15 | 2 | 42,9% | 34,3% |
| 20 | 2 | 57,1% | 40,0% |
A utilização instantânea mostra o espaço usado em cada momento. Já a acumulada mostra o resultado ao longo da vida restante do lote. Por exemplo, um lote de 20 cargas tem utilização acumulada de 40% no ciclo completo: ele começa com 57,1%, passa a 54,3% com 19 cargas, e assim por diante.
Da mesma forma, um lote de 15 cargas ocupa dois módulos. O módulo com dez cargas tem 57,1% de utilização instantânea, mas o de cinco cargas tem só 28,6%. Portanto, se o estoque gira rápido, essas cinco cargas poderiam ficar melhor em porta-paletes, onde a utilização seria constante, de 40%.
O efeito do tempo de espera
O tempo de espera antes ou durante a liberação pode aumentar a utilização do espaço. Imagine que o lote antigo de 20 cargas já caiu para um estoque de segurança de quatro cargas, ou 20%, quando chega um novo lote de 20. Nesse caso, a utilização acumulada do lote novo sobe para 43,6%, contra 40% sem a espera. Esse ganho de 3,6 pontos equivale a 9% a mais de capacidade efetiva.
Os limites da fórmula da profundidade ótima
Técnicas de pesquisa operacional geram uma fórmula para a profundidade ótima do módulo. Ela usa o tamanho do lote, a largura dos corredores em pilhas equivalentes e a altura da pilha. Contudo, o PDF aponta deficiências importantes:
- A fórmula otimiza a utilização acumulada, enquanto a instantânea é a que importa nos picos de demanda de estocagem.
- Ela ignora outras configurações que muitas vezes ocupam melhor o espaço do que a blocagem convencional.
- Seus resultados não se ajustam às decisões do dia a dia, por isso é preciso monitorar sempre a eficiência das alternativas.
Em resumo, usar só a fórmula no projeto do layout leva a conclusões erradas.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
A estocagem em blocagem pode ocupar bem o espaço, mas só quando o lote está definido e os parâmetros estão claros. Além disso, olhar a utilização instantânea e a acumulada, e não apenas uma fórmula, mostra quando o lote parcial deveria ir para a estrutura porta-paletes.
Conteúdos complementares recomendados
- Estocagem: Os conceitos gerais de estocagem no armazém.
- Como calcular a densidade de estocagem: Outra forma de medir o uso do espaço.
- Ocupação do espaço vs. seletividade: O equilíbrio entre aproveitar espaço e acessar cada palete.
