Medo da automação: por que só 10% dos projetos saem do papel
Medo da automação em resumo: O medo da automação é a recusa de soluções automáticas por receio do novo e do desconhecido. Em mais de 200 estudos da IMAM, quase todos tinham solução técnica viável, mas só 10% foram implementados. A falta de conhecimento amplia esse receio. Por isso, a formação profissional é a chave para mudar o quadro.
Você já viu alguém sugerir uma automação em uma reunião e outra pessoa matar a ideia antes mesmo de ouvi-la? Essa cena é comum nas empresas brasileiras. Ela nasce do medo da automação, isto é, do receio do novo, do que não se domina e dos riscos que se prefere não correr.
Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, mostra o que dizem os números dos projetos de automação, por que o medo pesa e qual é a tendência.
Medo da automação em números
A base são os mais de 200 projetos da IMAM Consultoria que analisaram a viabilidade técnica e econômica de soluções automáticas em logística ou produção. Em praticamente 100% dos estudos, havia uma solução de automação tecnicamente viável. No entanto, apenas 10% dos projetos foram implementados com automação.
| Motivo para não automatizar | O que aconteceu |
|---|---|
| Retorno sobre o investimento | O ROI não se mostrou viável |
| Prazo | O tempo até atingir a capacidade prevista não atendeu à necessidade |
| Mão de obra | Faltou pessoal especializado para dar suporte à operação |
| Custo-benefício | Soluções menos automatizadas, mas mais eficientes que o processo atual, valeram mais |
| Investimento total | O valor ficou inviável diante de outros projetos |
| Medo da inovação | Os riscos associados ao novo pesaram na decisão |

Por que o medo da automação merece destaque
Se o medo é só um dos motivos, por que tanto destaque? A resposta é simples. A análise considerou apenas os 200 projetos que envolveram automação. Porém, a equipe da IMAM fez mais de mil projetos. Nesses outros, as empresas descartaram a automação logo no início, ainda na definição do escopo.
Embora esse quadro esteja mudando nos últimos dez anos, o medo de inovar ainda persiste.
Falta de conhecimento alimenta o medo da automação
O medo é uma perturbação diante de um perigo real ou aparente. Além disso, a falta de conhecimento aumenta essa preocupação e afasta a equipe de uma solução desconhecida, mas talvez ideal.
Um projeto de automação é um cenário complexo de análises e decisões. Por isso, muitas disciplinas influenciam o sim ou o não: matemática, estatística, geometria, contabilidade, lógica, desenho e física. Até história, geografia, biologia, artes e filosofia podem pesar na venda da ideia. Muitas vezes, a formação profissional negligencia esse conhecimento geral, e ele é uma das principais razões do não.
Soluções simples, mas bem planejadas
A carência de conhecimento leva a soluções simplórias. Elas funcionam, mas ficam longe da excelência. Em contrapartida, por trás das empresas mais inovadoras há muito investimento em formação profissional.
Um exemplo é o maior atacadista do país. Aparentemente simples, ele tem muita automação nos processos, o que garante qualidade e produtividade. E isso resulta de anos de investimento na formação das pessoas. Em síntese, a automação deve ser a mais simples possível, mas fruto de planejamento robusto e de análises completas.
A tendência: vencer o medo da automação
À medida que os profissionais se desenvolvem em maior escala, a automação deixa de ser viável só para nichos. Assim, ela passa a fazer parte da estratégia de competitividade de mais empresas. Esse aumento de escala, que já começou, facilita o acesso à tecnologia e cria um ciclo virtuoso de competitividade.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
O medo da automação ainda barra boas ideias, muitas vezes antes de qualquer estudo. Os números mostram que quase sempre existe uma solução viável. Portanto, o caminho passa por conhecimento, formação profissional e análises completas, que trocam o receio por decisões bem fundamentadas.
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