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IMAM Blog Supply Chain e Logística Automação em centros de distribuição: como fazer a análise de viabilidade

Supply Chain e Logística

Automação em centros de distribuição: como fazer a análise de viabilidade

  • Por Wagner Salzano
  • Publicado em 30/01/2024
  • Atualizado em 15/10/2026
  • 10 min de leitura
Imagem meramente ilustrativa criada por IA do Bing pode conter erros conceituais
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Sumário executivo

Automação em centros de distribuição em resumo: A automação em centros de distribuição deve ser decidida após uma análise de viabilidade técnica e econômica, nessa ordem. Primeiro, avalia-se se a automação traz ganhos de qualidade, produtividade e ocupação dos espaços. Depois, verifica-se se o investimento gera payback dentro do período definido pela empresa. Assim, cada etapa é classificada como go ou no go.

A produtividade e otimização dos custos nas operações de um centro de distribuição está diretamente relacionada a tecnologia logística utilizada.

A automação nos processos e operações logísticas em centros de distribuição vem crescendo consistentemente ao longo das últimas décadas, tendo acelerado seu ritmo nos últimos anos. E a tendência é que este cenário persista até que em algum momento, seja atingido um ponto de equilíbrio definitivo entre investimentos e custos.

E como sabemos que este tal ponto de equilíbrio ainda não foi atingido? Posso citar alguns fortes motivos:

O avanço das inovações e criação de novos conceitos e tecnologias logísticas automatizadas para centros de distribuição, permanece acelerado, ou seja, ainda há muito a ser concebido e inventado.


Os custos de produção das tecnologias automatizadas vêm se reduzindo, por conta do aumento da escala da demanda e do desenvolvimento de processos para a produção das próprias tecnologias, reduzindo os valores de investimento.

A conclusão é de que, nos próximos anos, o acesso a tecnologias logísticas automatizadas (transelevadores, AGVs, AMRs, empilhadeiras autônomas, AS/RS, Pallet Shuttles, Sorters, Vertical Shuttles, Pick to Light, Voice Picking, Wearables, RFID, etc.) continuará a se acelerar, a quantidade de empresas fornecedoras poderá aumentar por uma globalização do segmento (ainda há muitas empresas de automação que atuam regionalmente mas com potencial de atuação global) e ao mesmo tempo, os investimentos serão proporcionalmente cada vez menores.  

Com isto, a tendência indica que continuará havendo uma redução proporcional na demanda de tecnologias logísticas convencionais (mecanização tradicional, empilhadeiras com operadores, estruturas porta paletes convencionais, estruturas drive-in, blocagem, estanterias, etc.). Importante destacar que estas tecnologias não desaparecerão e provavelmente nunca chegaremos a um cenário de logística onde 100% dos centros de distribuição serão automatizados. Simplesmente porque continuarão havendo casos em que a automação não será necessária e viável. No futuro, continuará havendo espaço para todos os tipos de tecnologia.

O que é uma Análise de Viabilidade?

A palavra viável, provem do francês “viable”, onde “vie” é “vida” e “able” é “capaz de”, compondo-se ambas, “capaz de viver ou de ser vivido”. Assim, viabilidade se refere a algo que, “pode ser realizado” ou implementado, algo que é possível, pois irá gerar bons resultados.

Assim, a análise de viabilidade consiste em um estudo para entender o que pode ou não ser efetivamente realizado e implementado, no sentido de gerar os resultados esperados.

Qual a importância de uma Análise de Viabilidade de Automação de um Centro de Distribuição?

Simplesmente para evitar que ao automatizar um Centro de Distribuição, não o tornemos improdutivo, inútil ou inviável. E que muitos de nós, conhecem casos assim, onde a automação de um centro de distribuição foi decidida no impulso, ou na vontade do gestor ou ainda, porque o concorrente ou a empresa vizinha ou concorrente automatizou.

E então, o leitor pode perguntar:

– é possível que a automação, ao invés de melhorar o desempenho de um centro de distribuição, o piore?

A resposta é:

– Sim, é absolutamente possível e infelizmente existem casos que comprovam.

A palavra desempenho é ampla, e não pode ser utilizada apenas no sentido da velocidade ou produtividade em um processo logístico, pois compreende também os aspectos econômicos e financeiros, envolve investimentos e custos operacionais. Por isto, uma análise de viabilidade de automação de um centro de distribuição – total ou parcialmente – é absolutamente necessária.

Tipos de Análise de Viabilidade:

Podemos dividir a análise de viabilidade de automação em dois grandes blocos:

Análise de viabilidade técnica: consiste em avaliar se a automação de um processo, sob os aspectos técnicos, que compreendem a qualidade e produtividade, trará melhor resultado do que se este for realizado de forma convencional. Ou seja, se por exemplo, a automação nos garantir:

Maior quantidade de peças abastecidas ou separadas (ou kgs ou litros ou caixas ou qualquer unidade de medida) por unidade de tempo (dia, hora, minuto);
Maior capacidade de armazenagem em um determinado espaço considerando o volume cúbico (m³ por exemplo);

Maior capacidade de recebimento (veículos, pedidos, peças, unidades, etc.);

Maior capacidade de expedição (veículos, pedidos, peças, unidades, etc.).

Maior qualidade operacional como redução de perdas, redução de quebras, redução de erros no abastecimento e separação de produtos.

Análise de viabilidade econômica: avalia se o investimento na automação de um centro de distribuição (principalmente na soma dos valores investidos no sistema físico, sistema de supervisão, sistema de gestão das informações, instalação, treinamento, peças de reposição e transporte) trará economias financeiras, gerando payback (retorno sobre o investimento) dentro de um determinado período que a empresa considere adequado. O valor investido, mais os custos de oportunidade e financeiros (exemplo, juros de empréstimos e financiamentos) deve ser compensado por uma redução de custos operacionais, provenientes de:

Custos com pessoal (salários, benefícios, tributos);
Custos com manutenção (equipamentos e instalações);
Custos com instalações (locação, construção ou aquisição);
Custos de não qualidade (avarias, devoluções e retrabalhos);
Custos de vendas perdidas (pelo tempo de resposta insatisfatório).

Quais são os passos recomendados para a análise de viabilidade?

A ordem lógica é realizar uma análise em etapas “go” ou “no go” iniciando pela análise de viabilidade técnica, uma vez que, o que se espera em uma automação em um centro de distribuição, é que esta gere como requisitos, ganhos de qualidade, produtividade e na ocupação dos espaços.

Nesta etapa, devem ser avaliadas as diversas possíveis tecnologias e sua aderência aos processos realizados no centro de distribuição, considerando analisar os produtos, volumes, frequências de entrada e saída, além das características físicas como dimensões, formatos e pesos. Este estudo pode abrir um grande leque de possíveis formas de automação, que poderão ser tratadas como alternativas a serem comparadas entre si.

Se os requisitos (ganhos de qualidade, produtividade e ocupação dos espaços) não forem cumpridos, não fará sentido seguir para a análise de viabilidade econômica, e o estudo deverá ser classificado como “no go” e encerrado.

Se a etapa de análise de viabilidade técnica mostrar que a automação é viável, o estudo deve ser classificado como “go”, procedendo-se a análise de viabilidade econômica, onde serão avaliados os investimentos a serem realizados e a amplitude da redução de custos, com base no tempo de retorno e taxas de oportunidade financeira previamente definidas pela empresa.

Assim como na análise de viabilidade técnica, o estudo deverá ser classificado como “no go” e encerrado, caso não haja payback (retorno de investimento) dentro do período pré-definido.

Caso sejam encontradas uma ou mais alternativas, que indiquem payback dentro do período pré-definido, esta(s) será(ão) considerada(s) técnica e economicamente viáveis, indicando que o centro de distribuição poderá ser automatizado, e a empresa poderá então, iniciar a próxima etapa que é a de implementação.

Porque pré-definir um período para o payback?

Esta é uma questão que normalmente não é bem entendida pelos profissionais da logística, que por uma lógica de análise, entendem que, se há retorno de investimento em algum tempo, independente de quanto, há ganho financeiro e portanto, viabilidade.

A resposta está no fato de que, devemos entender os pontos que colocamos no início deste artigo:

O avanço das tecnologias, cuja velocidade continua em alta;
A redução dos valores de investimentos nas tecnologias automatizadas.

Se o payback ocorrer além do período pré-definido, corre-se o risco de a empresa estar “pagando o investimento” em uma tecnologia que já não será a mais adequada, e ao mesmo tempo, os investimentos para novas tecnologias serem menores. E esta análise não é simples, pois devem ser analisadas pelas diversas áreas da empresa, desde as projeções de demanda, os estoques planejados, tendências e perspectivas econômicas e de desenvolvimento das soluções de tecnologia logística, para se pré-definir o período aceitável para o payback.

Como um exemplo do nosso dia a dia:

Para avaliar se compramos um carro, ou um notebook ou um celular novo ou se ficamos com o que temos, ainda que mais antigo, sabemos que em algum momento estes produtos ficarão obsoletos, perderão valor e eficiência, terão maior necessidade de manutenção e perderão desempenho. E então avaliamos se o que temos “aguenta mais um pouco” e esperamos uma “nova geração” ou se é hora de substituir. Sabemos que não é uma análise tão fácil quanto parece.

Veja também: Automação Inclusiva: O Futuro do Trabalho

As etapas go ou no go da análise de viabilidade

Em resumo, a sequência recomendada no post:

EtapaPerguntaResultado
1. Viabilidade técnicaA automação garante ganhos de qualidade, produtividade e ocupação dos espaços?No go encerra o estudo; go segue para a análise econômica
2. Viabilidade econômicaHá payback dentro do período pré-definido pela empresa?No go encerra o estudo; go indica alternativa viável
3. ImplementaçãoHá alternativa técnica e economicamente viável?A empresa pode iniciar a implementação

Perguntas frequentes sobre automação em centros de distribuição

O que é uma análise de viabilidade de automação?

É um estudo para entender o que pode ou não ser efetivamente implementado de modo a gerar os resultados esperados. A palavra viável vem do francês viable, capaz de viver. No centro de distribuição, a análise evita que a automação torne a operação improdutiva, inútil ou inviável.

A automação pode piorar o desempenho de um centro de distribuição?

Sim. Segundo o autor, há casos que comprovam isso, em geral de automações decididas no impulso, pela vontade do gestor ou porque o concorrente automatizou. Desempenho não é só velocidade e produtividade: inclui também investimentos e custos operacionais, por isso a análise de viabilidade é necessária.

Quais são os tipos de análise de viabilidade de automação?

São dois. A análise técnica avalia se a automação traz mais qualidade e produtividade do que o processo convencional, como mais peças separadas por hora, mais capacidade de armazenagem, recebimento e expedição e menos erros. A análise econômica avalia se o investimento gera payback no prazo que a empresa considera adequado.

Quais são os passos recomendados para a análise de viabilidade?

A ordem lógica é uma análise em etapas go ou no go. Primeiro vem a viabilidade técnica, comparando tecnologias com produtos, volumes, frequências e características físicas. Se os ganhos de qualidade, produtividade e ocupação não se confirmam, o estudo termina. Se confirmam, segue para a viabilidade econômica, que também encerra o estudo se não houver payback.

Quais custos entram na análise de viabilidade econômica?

Entram os valores investidos no sistema físico, no sistema de supervisão, na gestão das informações, na instalação, no treinamento, nas peças de reposição e no transporte, além dos custos de oportunidade e financeiros. Eles devem ser compensados pela redução de custos com pessoal, manutenção, instalações, não qualidade e vendas perdidas.

Conteúdos complementares recomendados

  • Vale a pena automatizar o armazém?: Além disso, outros critérios para decidir.
  • Automação do CD: sinais e fornecedor: Na sequência, como escolher o fornecedor.
  • Por que projetos de automação param: Por fim, os riscos de um projeto mal conduzido.

Conclusão

A automação de um centro de distribuição deve obrigatoriamente ser decidida após uma detalhada análise de viabilidade técnica e econômica, seguindo essa ordem e considerando diversas possíveis alternativas de tecnologias logísticas.

A definição do período de retorno do investimento é um fator crítico e depende de previsões, estimativas e experiência quanto a visão futura, devendo ser feita criteriosamente, envolvendo em conjunto, profissionais da área técnica de logística, da área de gestão da demanda quanto as previsões de volumes de vendas e estoques, da área financeira sobre as perspectivas econômicas e o nível de gestão estratégica da empresa. Somente desta forma, será possível tomar a melhor decisão.

Metodologia, conhecimento técnico e uma análise de viabilidade absolutamente racional são os segredos para a melhor tomada de decisão quanto a automatizar um centro de distribuição.

Por

Wagner Salzano

Head da Divisão de Supply Chain da IMAM Consultoria

Gerente da Divisão de Supply Chain da IMAM Consultoria. Especialista em Supply Chain e Logística, com ênfase em S&OP, localização, distribuição e transporte, customer service e e-commerce. No Blog IMAM, escreve sobre gestão de estoques, planejamento de demanda e S&OP,…

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Tags: automação, Distribuição, empresa, futuro do trabalho, logística, produtividade, projeto, tecnologia, tecnologias

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