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IMAM Blog Supply Chain e Logística TRC: o que esperar do transporte rodoviário de cargas e quais as alternativas

Supply Chain e Logística

TRC: o que esperar do transporte rodoviário de cargas e quais as alternativas

  • Por Antonio Rezende
  • Publicado em 14/09/2022
  • Atualizado em 15/10/2026
  • 8 min de leitura
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Sumário executivo

O que esperar do TRC em resumo: O TRC, transporte rodoviário de cargas, continua sendo o modal mais usado no Brasil, com cerca de 60% do total, pela facilidade do porta a porta. Porém, a tabela de fretes e as ameaças de greve recomendam ter alternativas, como ferrovia, cabotagem e aéreo. Por isso, o autor conclui que é preciso treinar as equipes e fazer o básico bem feito.

Após muitas pesquisas e participação em inúmeros seminários pudemos perceber que houve poucas mudanças efetivas no segmento de transportes, porém com uma importante evolução no fluxo de informações apoiada por tecnologia da informação (conectividade / logística 4.0), mas também uma crescente utilização de termos em inglês (i*), que apesar do discurso de modernidade por vezes indicam algum conceito novo, mas em boa parte apenas novas siglas, ou seja, mais do mesmo.

O TRC continua sendo o modal mais utilizado no Brasil (~60%), devido à falta de disponibilidade, baixa frequência e maior transit time dos demais modais (que normalmente dependem de transbordo nas duas pontas), apesar da má conservação de boa parte das rodovias, porém tem a facilidade do porta-a-porta (desde a coleta até a entrega);

Devemos ressaltar entretanto que boa parte dos processos mereceriam mais atenção quanto ao entendimento da malha logística, para avaliar eventual necessidade de Centros de Distribuição e/ou operações de Cross-Docking, além da avaliação do potencial de utilização de outros modais.

A partir do entendimento da malha, para começar a definir os veículos de TRC que serão utilizados devemos identificar, além dos volumes a transportar e respectiva frequência, características e restrições de cada de rota (coleta, transferência, distribuição, etc.) de longa, média e curta distância (i* “first mile”, “midle mile” e “last mile”).

O passo seguinte será resolver o dilema entre: ter frota própria, ou seja, estrutura e gestão de transportadora, capital imobilizado (e/ou subcontratação de agregados e/ou autônomos), seguros, manutenção, motoristas, ocupação (carregamento total ou parcial, com carga total ou  fracionada) e aproveitamento (veículo rodando carregado x retorno); em confronto com a contratação de empresas de transporte e as conhecidas dificuldades de gestão de terceiros;

No caso de contratação, além da elaboração de uma licitação (i* BID) bem estruturada, se destacam alguns problemas: da transportadora a falta de disponibilidade de frota quando necessário (tipos de veículos e/ou picos de demanda) e do embarcador que não dá visibilidade, na busca por menor preço não mantém fidelidade e critérios de avaliação (ônus e bônus) que muitas vezes não são claros ;

Por melhor que sejam os indicadores dos serviços prestados pelas transportadoras é necessário sempre manter a vigilância;

No caso do TRC, existem alguns problemas potenciais: um deles é a tabela de fretes, que impõe determinados valores que muitas vezes não são praticados e as constantes ameaças de greve por parte dos transportadores autônomos (“caminhoneiros”), sendo que em ambas as situações seria importante dispor da alternativa de utilização de outros modais;

Em relação a outros modais, que poderiam servir como alternativa ao TRC, podemos citar:

O ferroviário que representa atualmente ~25% do total transportado, é bom para grandes volumes/pesos, produtos de médio e baixo valor agregado e distancias acima 400km a 500km, com economia entre ~20% a 30% no custo, porém tem limitação de disponibilidade e frequência e maior transit-time (origem => terminais => destino, além das esperas);

Nota: Está em fase de processo para privatização de diversos novos trechos (~R$13 bilhões) e irá facilitar principalmente o escoamento da produção agrícola e indiretamente libera veículos para o TRC;

A cabotagem (transporte marítimo na costa) representa ~11% da matriz e como o Brasil tem ~8.000km de costa que deveria ser melhor aproveitado, com potencial economia de custo entre 20% a 30%, tem limites de disponibilidade e frequência e  depende de transbordo para os portos, o que gera maior transit-time (origem => e terminais => destino, além das esperas);

A novidade é o projeto de lei conhecido como “BR do MAR” que tem como objetivo aumentar a oferta da cabotagem e principalmente reduzir custos, prevendo ampliar o volume de contêineres,  podendo melhorar o equilíbrio da matriz de transporte;

Finalmente devemos lembrar do transporte aéreo de cargas representa aproximadamente 1% da matriz de transportes, que apesar do custo elevado é muito usado para produtos de alto valor agregado e perecíveis;

O advento da pandemia gerou limitações severas no comercio internacional, atrasos de navios e falta de contêineres, o que por sua vez implicou em aumento da demanda do transporte aéreo, também no cenário nacional.  

A crescente preocupação com a sustentabilidade (ambiental, social e econômica) nos transportes, para reduzir a emissão de gases de efeito estufa tem apresentado alguns reflexos interessantes, por exemplo: utilização de cabotagem e ferrovia (mesmo com maior transit time i*), além de veículos e motos elétricas, e bicicletas utilizadas na “última milha” (i* green last mile).

Finalmente a tecnologia da informação é um dos destaques para a evolução dos transportes, com aplicações cada vez mais intensas na indústria e no comércio, que além de aplicativos específicos (roteirizador, por exemplo) dispõe de sistemas integrados das informações (ERP´s) correlatas ao supply chain e logística (desde o planejamento e compra de matérias, recebimento, produção, armazenagem, vendas, expedição e transportes) que facilitam a programação e o controle dos transportes. Como exemplo podemos citar as chamadas torres de controle (i* “transportation central tower”), que aumentam sensivelmente a eficácia do processo.

Do ponto de vista da gestão a tecnologia viabilizou o rápido fluxo de informações, de “ponta a ponta” (i* end-to-end”), desde a origem  (planejamento, compras e recebimento), passando por produção, armazenagem, vendas, expedição e transporte, até o destino final (cliente).

A conclusão e uma das recomendações é que, além da modernização e utilização de todos os recursos citados acima, devemos treinar e integrar as equipes e  “fazer o básico bem-feito”.

Veja também: Transit Point: Agilidade e Redução de Custos nas Entregas

O TRC e as alternativas de modal segundo o post

Em resumo, a participação e as características citadas pelo autor:

ModalParticipação citadaCaracterísticas
Rodoviário (TRC)Cerca de 60%Porta a porta, da coleta à entrega, apesar da má conservação das rodovias
FerroviárioCerca de 25%Grandes volumes e distâncias acima de 400 a 500 km, economia de 20% a 30%, menor frequência
CabotagemCerca de 11%Cerca de 8.000 km de costa, economia de 20% a 30%, depende de transbordo nos portos
AéreoCerca de 1%Custo elevado, usado para produtos de alto valor agregado e perecíveis

Perguntas frequentes sobre o TRC

O que é o TRC?

TRC é a sigla de Transporte Rodoviário de Cargas, o transporte de mercadorias por caminhões e outros veículos pelas rodovias. Segundo o post, ele é o modal mais utilizado no Brasil, com cerca de 60% do total transportado, porque oferece a facilidade do porta a porta, da coleta até a entrega.

Por que o TRC é o modal mais usado no Brasil?

Segundo o autor, por causa da falta de disponibilidade, da baixa frequência e do maior transit time dos demais modais, que normalmente dependem de transbordo nas duas pontas. O rodoviário mantém a liderança mesmo com a má conservação de boa parte das rodovias.

Ter frota própria ou contratar transportadora?

É o dilema depois de entender a malha. A frota própria exige estrutura e gestão de transportadora, capital imobilizado, seguros, manutenção, motoristas e atenção à ocupação e ao aproveitamento. A contratação exige um BID bem estruturado e enfrenta falta de frota em picos e critérios de avaliação pouco claros.

Quais são as alternativas ao TRC?

O ferroviário serve para grandes volumes e distâncias acima de 400 a 500 km, com economia de custo, mas tem menor disponibilidade e maior transit time. A cabotagem aproveita a costa brasileira, também com economia, mas depende de transbordo nos portos. O aéreo, caro, atende produtos de alto valor agregado e perecíveis.

Como a tecnologia ajuda na gestão do transporte?

Com aplicativos como o roteirizador e sistemas integrados como os ERPs, que facilitam a programação e o controle dos transportes. O autor cita também as torres de controle, que aumentam a eficácia do processo, e o fluxo rápido de informações de ponta a ponta. Mas a recomendação final é treinar e integrar as equipes e fazer o básico bem feito.

Conteúdos complementares recomendados

  • Critérios para escolher o modal de transporte: Além disso, como comparar os modais.
  • Frota própria ou terceirizada: Ou seja, o dilema citado pelo autor.
  • A evolução da cabotagem: Por fim, uma das alternativas ao TRC.

Por

Antonio Rezende

Gerente da Divisão de Logística da IMAM Consultoria

Gerente da Divisão de Logística da IMAM Consultoria. Atua há mais de 20 anos na IMAM, com mais de 300 projetos realizados. No Blog IMAM, escreve sobre transporte rodoviário de cargas, redução de custos de transporte, modais e cabotagem, terceirização…

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Tags: transbordo, transporte, trc

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