Desenvolvimento Organizacional
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Ambientes disruptivos: por que as pessoas continuam protagonistas
Sumário executivoAmbientes disruptivos em resumo: Em ambientes disruptivos, a pesquisa publicada pelo MIT Sloan Management Review, com 954 gestores da América do Norte e da Europa, indica que é melhor priorizar a cultura de desenvolvimento de pessoas a longo prazo do que buscar só respostas de curto prazo, como tecnologia. Além disso, 77% das empresas eficazes afirmam que pessoas e estratégias estão intimamente ligadas.
Há décadas, quando os métodos de gestão competitiva, alavancados principalmente pela filosofia oriental, começavam a identificar nas pessoas o protagonismo para o processo de transformação e eficiência, iniciava-se um caminho longo e complexo, onde o melhor desempenho dos processos está ligado diretamente às PESSOAS.
Hoje, muitos acreditam que a tecnologia está tomando este espaço, mas em uma pesquisa recente publicada pelo MIT Sloan Management Review (MIT SMR), realizada por Bill Heath e Antonjos Christidis, sócios da consultoria Oliver Wyman, constatou-se que, mesmo em ambientes “disruptivos” (“VUCA” – Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo) é melhor manter como prioridade a cultura de desenvolvimento de pessoas a longo prazo do que buscar apenas respostas de curto prazo (ex.: tecnologia).
DISRUPÇÃO
O avanço das tecnologias e os ciclos cada vez mais rápidos de desenvolvimento de produtos e serviços aceleram o que o mercado denomina hoje de “DISRUPÇÃO”, que não vamos aqui entrar no mérito de sua definição. O fato é que as transformações geradas pela nova realidade “obrigam”, principalmente as empresas líderes, a enfrentar desafios continuamente.
As respostas de curto prazo a estes desafios se traduzem em diferentes tipos de estratégias e projetos, geralmente relacionados a:
- redução de custos (ex.: automação, redução de estoques…)
- melhoria do nível de serviço (ex.: redução do tempo de atendimento)
- aumento da qualidade e produtividade operacional
- desenvolvimento de novos produtos e serviços etc.
PESQUISA
Contando com a participação de 954 gestores (América do Norte e Europa) para entender melhor como as empresas estão lidando com a disrupção, a pesquisa destacou resultados com muita aderência à realidade no Brasil e por isso destaco a mesma neste artigo e aproveito para compartilhar o original AQUI.
Durante a análise da pesquisa, apesar das estratégias de curto prazo terem sido consideradas importantes, a maioria dos entrevistados destaca que:
“Investimentos na CULTURA de desenvolvimento HUMANO, capacitando-os a reagir de forma ÁGIL, em um ritmo acelerado de TRANSFORMAÇÕES, é primordial.
Sim! Para se tornar mais resiliente diante das mudanças repentinas, a maioria dos entrevistados destacou que é tão ou mais importante investir no desenvolvimento das pessoas quanto introduzir novas tecnologias.
Das empresas que se consideram eficazes na gestão de ambientes disruptivos, 77% destaca que PESSOAS e ESTRATÉGIAS estão intimamente ligadas. Em contrapartida, do grupo de empresas que disseram que esta integração era mínima, apenas 35% relataram sucesso em lidar com a disrupção.
São milhares de casos também pelo Brasil, onde o resultado também se confirma. Em qualquer situação que, de uma forma estruturada, existe o envolvimento das pessoas no processo de transformação, a chance de sucesso, mesmo em ambientes disruptivos, aumenta significativamente.
Este foi um dos motivos que levou a IMAM, há 20 anos, em uma oportunidade conjunta com o CDSCC, Centro de Desenvolvimento do Sistema Coca-Cola, iniciar o desenvolvimento de metodologias específicas para o desenvolvimento profissional (ex.: Academias e Escolas de Operações) e que, após décadas evoluindo em outras diferentes organizações por todo o Brasil, se consolidou em uma metodologia bastante alinhada com a pesquisa e voltada à cultura de aprendizado contínuo (vide diagrama a seguir).

O COMPORTAMENTO DA LIDERANÇA
A pesquisa ainda mostrou que, claramente, os líderes empresariais que demonstram seu compromisso com as pessoas por meio de palavras e ações são muito mais propensos a obter confiança e lealdade das pessoas. Comportamentos que certamente ajudam as empresas a sobreviverem às disrupções e avançarem após as mesmas.
Para exemplificar o comportamento da liderança, os autores da pesquisa destacaram o caso de uma instituição financeira (banco) que conseguiu se recuperar de um escândalo depois que, entre outras coisas, seu novo CEO começou a se COMUNICAR abertamente com seus funcionários, investidores e outras partes envolvidas por meio de posts diários no LinkedIn. Obviamente, nestes casos, se a liderança não estiver devidamente CAPACITADA, os riscos de aumentar a crise são ainda maiores. Mas, o líder expressou sua empolgação com o futuro, enquanto reconhecia os desafios do passado. No início, os posts ficaram sem resposta mas, com o passar do tempo, resultaram em um amplo diálogo bidirecional positivo, com todos os envolvidos, principalmente os funcionários, que começaram a compreender os objetivos e diretrizes da organização.
O PODER DO DESENVOLVIMENTO DAS PESSOAS
Além da boa comunicação, outra maneira dos gestores comprometerem os funcionários é investindo na melhoria de suas competências (conhecimentos e habilidades). Muitas organizações eliminam os “GAP’s (carências profissionais) contratando novas pessoas com competências já adquiridas, ao mesmo tempo em que cortam funcionários e/ou automatizam determinadas tarefas. Porém, a pesquisa mostrou que as empresas que investem em seus funcionários muitas vezes se saem melhor.
Dois terços dos entrevistados sentiram que a atualização profissional (conhecimentos e habilidades), juntamente com a aquisição de novas tecnologias foi fundamental para gerenciar os resultados em ambientes disruptivos. Em contrapartida, apenas 44% dos gestores entrevistados acreditavam que a redução de quadro funcionava. Assim, embora as empresas possam esperar resolver lacunas de competências (GAP’s – vide exemplo a seguir) contratando novos talentos, essa abordagem nem sempre é a mais viável.

Outro aspecto importante neste cenário e que se aplica perfeitamente à realidade brasileira (falta de mão de obra qualificada) é que as empresas podem não ser capazes de encontrar e/ou até remunerar adequadamente o talento necessário.
É por isso que até os “gigantes da tecnologia”, que estão na vanguarda da inovação disruptiva, também investem fortemente no planejamento estratégico da força de trabalho, bem como no seu aprendizado e desenvolvimento, como um meio de incentivar a mobilidade profissional interna. Assim, permitem que seus funcionários experimentem novos projetos, além de ajudar a quebrar as barreiras interdepartamentais.
Investir nos próprios funcionários é ainda uma das maneiras mais rápidas de reinventar organizações. Empresas que enfrentam a obsolescência de seus processos com pessoas treinadas, descobrem que é possível retreinar mais rapidamente os funcionários atuais enquanto consolidam uma cultura de aprendizado contínuo.
CONCLUSÕES
A pesquisa publicada, bem como as diferentes estratégias de desenvolvimento de pessoas que a IMAM desenvolve há 40 anos nas áreas de Supply Chain e Gestão Competitiva, apenas confirma algo que já sabemos há muitos anos: a tecnologia e a automação avançará até o limite que as próprias pessoas estabelecerem. Ou seja, aqueles que insistirem em continuar fazendo atividades de robôs, serão fatalmente substituídos e aqueles que apostarem no desenvolvimento, sempre terão mais oportunidades em um mercado cada vez mais competitivo e disruptivo.
Autor: Eduardo Banzato, diretor da IMAM
Veja também: Lifelong Learning: Reflexões Sobre o Aprendizado
O que a pesquisa mostrou sobre ambientes disruptivos
Em resumo, os números citados no post:
| Achado | Resultado citado no post |
|---|---|
| Empresas eficazes na gestão da disrupção | 77% destacam que pessoas e estratégias estão intimamente ligadas |
| Empresas com integração mínima entre pessoas e estratégia | Apenas 35% relataram sucesso em lidar com a disrupção |
| Atualização profissional com novas tecnologias | Dois terços consideraram fundamental para gerenciar os resultados |
| Redução de quadro | Apenas 44% dos gestores acreditavam que funcionava |
Perguntas frequentes sobre pessoas em ambientes disruptivos
É um ambiente de mudanças rápidas e profundas, gerado pelo avanço das tecnologias e pelos ciclos cada vez mais curtos de desenvolvimento de produtos e serviços. O post o associa ao conceito VUCA, sigla em inglês para volátil, incerto, complexo e ambíguo, que obriga principalmente as empresas líderes a enfrentar desafios continuamente.
Segundo o post, são estratégias e projetos ligados à redução de custos, como automação e redução de estoques, à melhoria do nível de serviço, ao aumento da qualidade e da produtividade operacional e ao desenvolvimento de novos produtos e serviços. A pesquisa citada mostra que elas importam, mas não substituem o desenvolvimento de pessoas.
A pesquisa publicada pela MIT Sloan Management Review, com 954 gestores da América do Norte e da Europa, mostrou que investir no desenvolvimento das pessoas é tão ou mais importante que introduzir novas tecnologias. Das empresas eficazes em lidar com a disrupção, 77% disseram que pessoas e estratégia estão intimamente ligadas.
Muitas empresas eliminam lacunas de competência contratando pessoas prontas, mas a pesquisa mostrou que as que investem nos próprios funcionários muitas vezes se saem melhor. Dois terços dos gestores viram a atualização profissional como fundamental, e só 44% acreditavam na redução de quadro. Além disso, nem sempre é possível encontrar ou remunerar o talento necessário.
Líderes que demonstram compromisso com as pessoas por palavras e ações obtêm mais confiança e lealdade. No caso citado, o novo CEO de um banco recuperou a instituição após um escândalo comunicando-se abertamente por posts diários no LinkedIn, o que, com o tempo, gerou um diálogo positivo com os funcionários.
Conteúdos complementares recomendados
- Desenvolvimento profissional disruptivo: Além disso, como capacitar para a mudança.
- Reflexões sobre o aprendizado: Ou seja, a cultura de aprender sempre.
- Pessoas ou máquinas: onde investir: Por fim, o equilíbrio entre gente e tecnologia.

